As riquezas e sabores de feira a feira

Publicação: 2018-04-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio França
Repórter

As feiras natalenses têm identidade. Sejam as que cresceram ao longo das décadas entre os bairros mais antigos da cidade, ou as que surgiram recentemente na onda dos produtos orgânicos, da agricultura familiar, e do artesanato 'hand made'. Por mais aleatórias que sejam as compras numa feira, existe sempre a busca pela mercadoria de melhor história, aparência, qualidade, procedência e, claro, preços. Tem feira todo dia na capital potiguar, e algumas ocupam posições centrais nesse roteiro. Quem vai com a sacola na mão em sua feira favorita, sabe onde estão as melhores opções.

As feiras verdes também chegaram aos shoppings. O Quintal Orgânico é uma aposta que deu certo no Natal Shopping e acontece todos os sábados
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Garimpando de feira em feira
A produtora cultural Daniele Brito, moradora de Ponta Negra, não abre mão de passar toda quarta-feira no Ponto Sete,  para a versão zona sul da Feira de Agricultura Familiar, que já existe há cinco anos, e às sextas-feiras também é realizada na Praça das Flores, em Petrópolis. Apesar de ser uma feira jovem, ela resgata as qualidades dos mercados de rua do interior. “Eu não compro mais verdura em supermercado. Além da qualidade superior, estou dando dinheiro direto para o produtor. É uma troca que me deixa mais confortável”, diz.

Daniele aprecia as iguarias raras que aparecem na feira, como o carré de cordeiro do sol, a galinha caipira original, a manteiga de banha de porco, bolos de macaxeira e batata-doce de sabores apurados, ovos (de pata, perua e galinha caipira), mel de abelha, além de muitas frutas e verduras da estação. Nada industrializado.

“Não é um lugar para quem quer só comprar uva e maçã”, brinca. A produtora também ressalta uma qualidade importante: os preços. “Com R$20  se compra várias coisas boas para passar a semana”, diz ela, que também curte a força socializante das feiras, com a do Ponto Sete. “Converso com o feirante e ele me indica os melhores produtos, tomo um café, encontro vizinhos e amigos, conheço gente nova. É um ponto de encontro”, afirma.

A mais famosa de todas, a Feira do Alecrim encanta chefs e consumidores
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O melhor de cada
O sebista e editor literário Abimael Silva é um admirador e entusiasta antigo das feiras livres. Para ele é questão de história e também de memória afetiva. “Nos anos 70 eu ia 'à força' com minha mãe, achava uma tortura. Mas foi meu vestibular para as feiras. Hoje em dia, quando não vou à feira me sinto doente”, conta. Ele frequenta pelo menos três, regularmente: da Cidade da Esperança, aos domingos; Feira do Carrasco, às quartas, e a Feira do Alecrim, aos sábados.

“Há coisas que não encontro em uma, só em outra. Por isso gosto de circular”, diz. Na Cidade da Esperança, por exemplo, ele aprecia o camarão do mar, com seus vários tamanhos. Já a Feira do Carrasco é considerada por ele a melhor para frutos do mar, onde se encontra caranguejos, aratus, siris, crustáceos em geral. No Alecrim ele destaca o caranguejo tipo uçá, que só encontra por lá. Há as frutas também: pupunha, e a maçaranduba, “um tipo de mangaba bem mais saborosa”, diz. E ainda há aquele clima que deixa o cliente à vontade.

 “Você toma uma água-de-coco, come beiju, e fica amigo dos feirantes”, lista. Abimael afirma que tem o sonho antigo de fazer um documentário sobre a Feira do Alecrim. “Quero mostrar tudo, da arrumação à desmontagem das barracas. Há feirantes que são verdadeiros atores, te convencem a comprar qualquer coisa”, brinca.

Feira do Carrasco tem de tudo, mas os frutos do mar são conhecidos
Feira do Carrasco tem de tudo, mas os frutos do mar são conhecidos

José Maria Xavier, proprietário do bistrô Dolce Vita, é outro entusiasta da Feira do Alecrim. “Gosto de escolher folhagens de qualidade para o restaurante, e as melhores estão por lá. Para alguns pratos especiais, ou para mim mesmo, gosto de comprar patos e galinhas que são abatidos na hora”, diz. Frequentador desde a adolescência, junto com a mãe, o empresário dá o conselho mais importante para qualquer cliente de feira: “Chegue bem cedo, nada de preguiça. O mais tardar às 6 horas da manhã. É o horário em que vai encontrar os melhores produtos, os mais frescos. Até o clima é mais agradável nessa hora, sem calorão. E ainda pode achar lugar para estacionar”, diz. O fim de feira, todo mundo já sabe como é.

O chef e jornalista Alexandre Gurgel considera que as feiras guardam a “essência do povo”. “Tem o meio de comunicação mais antigo do mundo, que é o pregão, tema do meu TCC do curso de Jornalismo. Uma das oralidades populares mais incríveis que eu acho, é a 'hora do grito', quando os feirantes queimam o que resta de suas mercadorias”, diz.

Gurgel destaca também a Feira do Alecrim, especialmente no setor de frutos do mar, onde se encontra camarão num bom preço, além de se achar caranguejos. Outras favoritas:  Carrasco e Rocas. “No Carrasco se acha em bom preço, o sururu, o camarão também, e um bom queijo coalho. Nas Rocas, compro peixe, variedades de pimentas, abacaxi de boa qualidade num bom preço, também queijos e manteiga de garrafa”, diz. O chef afirma sentir falta em Natal de boas feiras de antiguidade, livros e vinis, como as que frequenta no Rio de Janeiro.

Agenda das feiras

2º feira
Rocas (370 bancas)

3ª feira
Igapó (415 bancas)

4ª feira
Carrasco (819 bancas); Santarém (27 bancas); Aliança (229 bancas); Feira de Agricultura Alimentar (Ponta Negra)

5ª feira
Panorama (332 bancas)
Planalto (186 bancas)

6ª feira
Parque dos Coqueiros (450)
Cidade Praia (112 bancas); Feira de Petrópolis (Praça das Flores

Sábado
Alecrim (836 bancas); Santa Catarina (490); Felipe Camarão (85); Cidade Nova (58)

Pajuçara (62)
Quintal Orgânico (Natal Shopping); Feira Agroecológica da UFRN (praça cívica do campus); Feira de Orgânicos do Shopping Cidade Jardim;
Feira de Orgânicos Amigo Verde (Bosque das Mangueiras)
   
Domingo
Quintas (232 bancas); Cidade da Esperança (386); Lagoa Seca (206); Mãe Luiza (99); Nova Natal (550); Gramoré (96); Nova República (40); Pirangi (30).


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