Assentamento 8 de Março, 40 dias após o incêndio

Publicação: 2017-11-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Em meio aos escombros, as poucas famílias que não tiveram suas casas destruídas pelo fogo dividem espaço com aqueles que perderam tudo, mas acabaram voltando para a comunidade. Lá, a assistência chega na forma de quentinhas distribuídas no café da manhã e no almoço. Além de cestas básicas e outras doações divididas entre os que ficaram no assentamento e os que estão abrigos no Caic.

O incêndio no assentamento 8 de Março ocasionou inúmeras perdas materiais no local
O incêndio no assentamento 8 de Março ocasionou inúmeras perdas materiais no local

Para quem vive em meio aos escombros, o sentimento é de insegurança sobre as promessas de aquisição da casa própria. “Da última vez que vieram aqui, falaram que a gente ia ser transferido no dia 20, mas até agora ninguém foi chamado para assinar os contratos”, afirma a dona de casa Bruna da Silva Sousa, 25.

Ela alega que está com toda a documentação pronta para assinar os termos de responsabilidade que são necessários para a mudança, mas ainda aguarda uma resposta da Prefeitura. Após o incêndio, Bruna passou três dias na casa de parentes, mas faltou espaço para todos os membros da família que  ficaram desabrigados com o incêndio e acabou voltando para o assentamento.

Hoje, vive no barraco cedido por uma vizinha junto com seus três filhos – se referindo às duas crianças de sete e dez anos de idade e ao bebê que carrega na barriga. “Minha vizinha se mudou para casa de parentes e cedeu o barraco onde estou morando com os meus filhos porque ela ainda tinha uma opção, mas eu não tinha para onde ir. Passei três dias na casa da minha família, mas tenho uma prima que também está desabrigada, não tinha espaço para todo mundo”, relata.

A feirante Amanda Rafaela, 25, também tentou se abrigar na casa de familiares quando perdeu sua casa no incêndio, mas não encontrou espaço para ficar com a filha de três anos de idade e sua mãe, Josefa Vieira, 62.  Para não ficar com a criança e a progenitora no abrigo improvisado pela Prefeitura, Amanda alugou uma casa por R$ 300,00 mensais, localizada  vizinho ao assentamento.

Para a feirante que sustenta a família sozinha, o valor faz falta no orçamento. “A feira já não rende tanto quanto antigamente. Esse mês, a maior parte do que eu recebi foi para pagar o aluguel. Estamos dependendo das doações e das quentinhas que chegam pela manhã e na hora do almoço, mas não são entregues nem nos finais de semana, nem nos feriados”, conta Amanda e cita o Dia da Proclamação da República, celebrado nesta quarta-feira (15) em todo país, como um dia em que vai ficar sem receber o alimento.

Doações
Após o incêndio, foram realizados mutirões para doação de roupas, sapatos, alimentos e produtos de limpeza e higiene pessoal para as vítimas do incêndio. De acordo com o representante do MLB Hudson Batista de Melo, que está abrigado no Caic e auxilia na organização dos produtos doados, a carência de roupas já foi suprida, mas as famílias desabrigadas ainda precisam de alimentos, materiais de limpeza e produtos de higiene pessoal. Os mantimentos podem ser entregues na sede do Caic. A partir de lá, são separados e distribuídos. Uma parte é utilizada para a manutenção das 20 famílias que estão no abrigo. A outra parte é organizada em cestas básicas e enviada aos moradores que continuam no assentamento.


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