Associação aponta "omissão" do Estado

Publicação: 2018-07-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Faltando seis meses para acabar 2018, o número de agentes de segurança assassinados no Rio Grande do Norte é igual ao número total de 2017. São 18 vítimas no ano, a maioria de policiais militares e que estavam fora do serviço. Dezesseis eram policiais militares, e outras duas policiais civis.

Corpo do sargento Cipriano, o 18º policial morto este ano no RN, foi sepultado na tarde de ontem
Corpo do sargento Cipriano, o 18º policial morto este ano no RN, foi sepultado na tarde de ontem

As estatísticas, feitas pelo Observatório da Violência Letal do Rio Grande do Norte (Obvio/RN), mostram que 16 policiais haviam sido mortos até 11 de julho de 2017. Comparando a data com anos anteriores, percebe-se elevação contínua de vítimas policiais. No mesmo período de 2015, três haviam sido mortos. No ano seguinte, o número aumentou para oito.

O aumento entre 2015 e 2018 é de 500%, taxa muito maior do que o número absoluto de homicídios no estado, de 28,7% - 847 em 2015 para 1.090 em 2018. Além dessa diferença, há outra particularidade: enquanto o número de homicídios baixou de 2017 para 2018, com uma taxa de 13,9% até então (1.266 para 1.090), o número de agentes mortos aumentou 12,5%.

Para policiais militares, a sensação é que existe uma “caça”. “O que está havendo são execuções. O policial, quando é assaltado, é identificado como policial e morto em seguida. E também tem os casos que vão com a intenção de matar”, disse um cabo da polícia, que preferiu não se identificar.

Roberto Campos, representante da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar, atribuiu ao Estado a culpa pelo aumento de homicídios contra policiais. “É uma omissão em relação a segurança pública, em especial em relação a investimentos. É uma prova que a segurança pública não tem sido prioridade, quando deixa sucateada a força que tem papel de combater a violência. O Estado se omite e, através do sucateamento, permite que haja facções que se fortalecem e se organizem cada vez mais”, disse.

Na morte do sargento Cipriano, chamou atenção dos policiais o fato da arma utilizada pelo criminoso ser de calibre .40, enquanto a usada pelo PM foi pistola calibre 380, inferior. “Eles estão com mais estrutura do que nós. Essa é a verdade”, relatou um outro PM, presente no velório de Cipriano, e que também não quis se identificar.

Lista de PMs e policiais civis assassinados em 2018:

1. Cabo Carlos Alberto Araújo da Costa, 48. Foi morto a tiros no dia 7 de janeiro no bairro das Rocas, na Zona Leste de Natal.

2. Sargento André Mário Dantas Siqueira, 40. Morto a tiros dia 15 de janeiro no bairro Golandim, em São Gonçalo do Amarante.

3. Sargento José Ailton de Lira, 51. Morto a tiros dia 26 de janeiro na comunidade de Jacaré Mirim, em São Gonçalo do Amarante.

4. Sargento Itagibá Maciel de Medeiros, 54. Morto a tiros dia 29 de janeiro no município de Extremoz.

5. Cabo Darlan Santana Carvalho, 40. Morto a tiros dia 29 de janeiro no bairro Planalto, na Zona Oeste de Natal.

6. Cabo William Soares, 40. Morto no dia 28 de fevereiro no bairro Pajuçara, na Zona Norte de Natal.

7. Sargento Luiz Valdécio Faustino, 57. Morto dia 23 de março em Mossoró.

8. Soldado Caroline Pletsch, 32, Morta a tiros em um assalto a uma pizzaria na Zona Norte. Seu marido, que também é PM, foi baleado na ação.

9. Cabo Dioclécio Ferreira da Lima Júnior, 40. Morto dia 4 de abril na Zona Sul de Natal.

10. Sargento da reserva Helton Cabral da Silva, 42. Morto a tiros dia 8 de abril em São Gonçalo do Amarante.

11. Sargento José Edivaldo do Nascimento, 46. Morto dia 21 de abril no Alecrim, na Zona Leste de Natal.

12. Subtenente Raimundo Ribeiro da Silva, 65. Executado a tiros dia 4 de maio na zona rural de São Gonçalo do Amarante.

13. Cabo Waldembergue Cruz de Lima, 45. Foi morto a tiros na noite do dia 8 de maio no conjunto Nova Natal, na Zona Norte de Natal.

14. Soldado Kelves Freitas de Brito. Executado dia 2 de junho em Parnamirim.

15. Cabo Melqui Djalcy Rodrigues, 41. Morto dia 8 de junho no bairro Cidade Nova, Zona Norte da capital.

16. Agente José Renildo Santos Moraes, 54. Morto a tiros dia 23 de  junho na Zona Norte de Natal.

17. Agente da Polícia Civil, Newton Brasil de Araújo Júnior, 54. Morto a tiros dia 28 de junho ao tentar impedir assalto.

18. Sargento da Polícia Militar Jailson Cipriano da Silva, 54 anos, Cipriano, morto a tiros no dia 10 de julho durante tentativa de assalto a um mercadinho em Extremoz.


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