Associação vê pré-julgamento e precipitação em afastamento de PM envolvido em tumulto no IFRN

Publicação: 2020-08-12 11:35:00
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O afastamento de um policial militar que comandou a operação na reitoria do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), na tarde da terça-feira (11), foi considerado criticado pela Associação dos Cabos e Soldados do Rio Grande do Norte. Para a entidade que representa parte dos praças, o afastamento configura um pré-julgamento e foi precipitado.
Créditos: Ícaro CarvalhoTumulto começou com a chegada da PM no protestoTumulto começou com a chegada da PM no protesto

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Para o presidente da associação, Roberto Campos, a rapidez para determinar o afastamento "sem análise detalhada dos fatos, e sem ouvir todos os lados envolvidos, representa um pré-julgamento que acaba tendo conotação política".

O presidente ressalta que os policiais militares estavam no local como representantes do próprio Estado e a presença deles no IFRN não tinha irregularidade. Para Campos, a medida tomada pela governadora Fátima Bezerra poucas horas após o fato já pode ser considerada uma punição ao policial sem que ele tivesse sido ouvido sobre o que ocorreu no local.

"O que nos causa estranheza é a rapidez como foi decidido o afastamento, uma espécie de pré-punição, quando não há mesma celeridade para ações que beneficiam os policiais. Temos, por exemplo, vários processos de promoção por bravura que demoram meses para serem concluídos e implantados. Temos ainda uma lei federal aprovada e sancionada no ano passado que acaba com prisão militar administrativa e o Governo do Estado até hoje não fez uma lei para se adequar a essa legislação nacional, mantendo as prisões administrativas", criticou Roberto Campos.

Na noite da terça-feira, a governadora Fátima Bezerra foi ao Twitter para anunciar que já tinha tomado uma atitude com relação ao policial, assim como solicitou que o vice-governador, Antenor Roberto, fosse ao local para prestar solidariedade aos estudantes que participaram do protesto contra o reitor pro-tempore do IFRN, Josué Moreira.

"Logo que tomei conhecimento do lamentável ocorrido hoje (ontem, dia 11), no IFRN, acionei o Coronel Araújo (secretário de Segurança do RN), e o comandante da PM, Coronel Alarico, e determinei prioridade na apuração do episódio. O PM que conduziu a operação será afastado das atividades operacionais até que a investigação seja concluída", disse Fátima Bezerra, em sua conta no Twitter.

O atual reitor do IFRN não participou do pleito do instituto, no ano passado, mas foi nomeado para o cargo pelo então ministro da Educação Abraham Weintraub, sob alegação de que o professor José Arnóbio, eleito para o cargo, tinha impedimentos legais para assumir o posto.

Josué Moreira já foi candidato a vereador pelo PSL, em Mossoró, e tem ligação política a aliados do presidente Jair Bolsonaro. José Arnóbio, por outro lado, é filiado ao PT, partido da governadora Fátima Bezerra.

Manifestação

Estudantes, professores e servidores do IFRN fizeram uma plenária na manhã desta quarta-feira (12) para discutir o desfecho do ato do último dia 11, que resultou em intervenção da Polícia Militar e no celular apreendido de um estudante. Ao longo de toda a manhã, o grupo deve permanecer em frente à sede da Reitoria do Instituto em Natal, no bairro de Morro Branco.

O presidente da União dos Estudantes Secundaristas Potiguares (Uesp), Matheus Araújo, de 18 anos, afirma que o objetivo da plenária é prestar solidariedade aos estudantes e servidores que foram agredidos durante o ato da terça-feira. "Eu também fui agredido pela polícia militar, então estamos aqui para repudiar a ação do interventor do IFRN", afirma.

De acordo com Matheus, servidores e estudantes vem tentado debate com a reitoria sobre pautas relevantes para a vida estudantil da instituição, mas sem sucesso. "Não temos como nos calar diante dessa repressão e censura que aconteceu ontem. O celular apreendido de um estudante ainda não foi devolvido, então temos muita coisa a resolver pelo dia de ontem", afirma.

De acordo com os organizadores, o grupo deve ficar até as 12h em frente à instituição.