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Cena Urbana - Vicente Serejo
Até agora - fim
Publicado: 00:00:00 - 22/12/2021 Atualizado: 23:18:57 - 22/12/2021
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Divulgação


Alguns analistas, de olhos livres do forte magnetismo da polarização Lula versus Moro, conseguem enxergar nos números da pesquisa do Datafolha seu principal flagrante: não causou terremoto a entrada do ex-juiz Sérgio Moro na corrida presidencial. A constatação não autoriza a derrotá-lo nove meses antes do voto, nem descredencia a quem tem a convicção de que só encarna a força de uma terceira via o ungido pelo eleitor como o verdadeiro Bolsonaro que Jair não foi.

Indo além do trocadilho: o ex-juiz da Lava Jato tem poucas chances de conseguir desidratar Lula por faltar ao seu perfil as qualidades do ex-presidente. E mesmo que venha a assumir o papel forte do justiceiro que Jair Bolsonaro prometeu e não foi até agora, o candidato-presidente tem hoje pouquíssima gordura a perder. E terá menos ainda com os naturais efeitos nutritivos depois do Auxílio-Brasil ao longo do ano eleitoral e que só a prática vai apontar seus dons fortificantes. 

Lula, até agora, não tem o que temer. Sua curva na pesquisa Datafolha se mantém em clara ascensão. No primeiro cenário, alcança 48% das preferências, enquanto Bolsonaro alcança apenas 22%, menos da metade. No espaço da terceira via, Sérgio Moro disputa com Ciro Gomes no limite (nove a sete) e João Dória, governador de São Paulo, tem apenas 4%. Se a eleição fosse hoje, Lula venceria no primeiro turno, mas ainda estamos a nove meses e eleição não se ganha de véspera.  

No Nordeste, Lula tem a preferência de 61% dos votos contra 21% de Bolsonaro, mas resta saber dos efeitos abrasivos com o início do Auxílio-Brasil, uma parcela mensal de R$ 400 reais. É confortável a posição de Bolsonaro junto aos empresários: tem 47%, mas essa performance desaba vertiginosamente para 16% entre os que hoje ganham até dois salários mínimos. Na faixa dos que ganham mais de dez salários mínimos mensais Sérgio Moro é o preferido do eleitor com 17%.

Como especifica a própria Folha, há uma clivagem no confronto do eleitorado do Nordeste com o eleitorado do Sudeste: Lula dispara no Nordeste com 61% das preferências, mas esse voto nordestino representa 26% do eleitorado brasileiro, enquanto o Sudeste reúne 44% do eleitorado, embora distribuídos por vários nomes. O maior obstáculo de Bolsonaro revela-se no quesito ‘em quem não vota de jeito nenhum”. O gráfico demonstra que a sua mais dura rejeição alcança 60%. 

Lula teria pesquisas qualitativas mostrando que seu melhor posicionamento é caminhar na direção de um centro moderado e progressista. Sua retórica é social, mas sem restrições ao setor privado, dono da riqueza e da geração de emprego e renda. Lula quer o adversário no desgaste de representar, na prática dos três anos de governo, instabilidade política e insegurança institucional, sem afastar os nomes da terceira via. Pode tê-los na hipótese de segundo turno, afinal é muito cedo. 

CHAPA - Se as alianças para a formação de chapas nascessem do que retratam as pesquisas e os seus números, a chapa PT-PDT seria a mais indicada. Fátima Bezerra e Carlos Eduardo lideram. 

ALIÁS - Há uma semana esta coluna avisou: ninguém subestime a chance do ministro Fábio Faria como candidato a senador. E disse: é a pedra no meio do caminho do ministro Rogério Marinho. 

GERAL - Fontes ligadas ao hoje deputado federal asseguram que ele dispõe de números bons para ele em todas as regiões do Estado. O que pode ser o prenúncio forte de disputa imprevisível.

DETALHE - Há um ponto comum a Fábio e Rogério: os dois ainda andam a procura de um nome para o governo capaz de puxar a chapa majoritária e duas chapas proporcionais: estadual e federal. 

ÁGUA - Nenhuma fonte com experiência política acredita na candidatura de Benes Leocádio ao governo. A chapa Benes governador e Rogério senador pode naufragar antes das primeiras urnas. 

LUTA - O médico Jaime Calado, secretário de desenvolvimento do governo, quer disputar uma vaga de federal. Tem partido, tem São Gonçalo como base e a mulher, Zenaide Maia, no Senado. 

MAS - Sua candidatura, se for lançada, significa que a família aposta em dois deputados federais: Jaime e seu cunhado, o deputado federal João Maia. Ou Maia não diz, mas disputaria o governo? 

AZEITE - O relatório dos azeites falsos vendidos nos supermercados mostrou: estavam nas suas prateleiras cerca de 150 mil garrafas de 24 marcas. Dentro delas tinha tudo, menos azeite de oliva. 

CRISE - Vítima da adjetivação copiosa e gratuita, nossa produção literária é a grande e ilustre desconhecida da crítica brasileira. O que nos salvou ano que passado foram os livros de divulgação científica: Sidarta Ribeiro, com ‘O Oráculo da Noite”, e ‘Psiconautas’, de Marcelo Leite, de SP.

MAIS - Nos estados vizinhos, autores chegam aos prêmios literários do mercado nacional, com o apoio de instituições culturais sérias, enquanto no RN as políticas culturais foram substituídas pela cultura de eventos festivos e populistas, quase sempre tocados pelo velho marketing eleitoreiro. 

RETRATO - Na área científica tivemos no ano passado ‘O Oráculo da Noite’, de Sidarta Ribeiro; este ano, ‘Psiconautas’, de Marcelo Leite, paulista que acompanhou as experiências desenvolvidas na UFRN sobre efeito da ayahuasca e seus benefícios para a saúde. Na literatura nada emplacamos.    

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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