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Natal
Atendimentos a pessoas com transtornos mentais crescem 32% em Natal
Publicado: 00:01:00 - 22/05/2022 Atualizado: 14:20:14 - 21/05/2022
O número de atendimentos a pessoas com transtornos mentais e comportamentais cresceu 32% em Natal desde 2018. O aumento acompanha uma tendência nacional vista nos números de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Em Natal, a porta de entrada para esse acolhimento é na atenção primária, através das Unidades Básicas (UBS). De acordo com o coordenador de  Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Luís Fernando Pires, o município também dispõe de policlínicas e cinco Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou uma UBS, CAPS e hospital em Natal para entender o funcionamento da rede.

Magnus Nascimento
Centros de Atenção Psicossocial fazem atendimentos a pessoas com transtornos mentais. Em média, três natalenses buscam atendimento por hora

Centros de Atenção Psicossocial fazem atendimentos a pessoas com transtornos mentais. Em média, três natalenses buscam atendimento por hora


Conforme dados da SMS, os cinco CAPS da cidade do Natal registraram 32.070 atendimentos em 2021, sendo ofertados serviços de psiquiatria, clínica geral, psicologia, matriciamento, entre outros. É como se três natalenses por hora procurassem atendimento ao longo do ano inteiro. Esse número representa um crescimento de 32,09% quando comparado aos registros de 2018 (24.279). Em 2020, foram 23.711 atendimentos, tendo uma leve redução ocasionada pela pandemia. Segundo o coordenador, esse aumento na procura dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) já era previsto.

“Ainda estamos vivendo um cenário caminhando para o fim da pandemia. Esse incremento na rede já era um diagnóstico situacional esperado, pelos efeitos do isolamento social, desemprego, medo do adoecimento e das perdas familiares durante esse período. É algo que vem sobrecarregando a rede e estamos desenhando novas estratégias de cuidado com novas contratações e capacitações dos profissionais”, relata. 

Também baseado em dados do ano passado, Natal foi apontada como a segunda capital do Nordeste com o maior número de pessoas com 18 anos ou mais que relataram um diagnóstico médico por depressão. Com 11,8% dos adultos natalenses nesse quadro, Natal ficou atrás somente de Recife que apresentou índice de 12,5%. Os dados foram tabulados pelo Ministério da Saúde através da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). A SMS informa que os serviços trabalham para evitar internações prolongadas por problemas psíquicos, uso excessivo de psicotrópicos e a situação extrema da depressão, onde há uma ideação e planejamento do suicídio.

“Fomos recentemente absorvidos por esse dado epidemiológico na nossa capital e o primeiro ponto a se tratar é entender as questões multifatoriais da depressão. É uma doença silenciosa e progressiva, não é abrupta, mas sim uma construção. Estamos fazendo o caminho da Educação de Saúde, desde a atenção básica para a média e alta complexidade, justamente para que a gente comece a trabalhar o autocuidado. Estamos incrementando a nossa rede com mais profissionais para atender nas pontas e capacitando cada vez mais”, pontua Luís Fernando Pires.

Quem precisa de atendimento para transtornos mentais em Natal deve procurar alguma UBS ou ir diretamente a um Centro de Atenção Psicossocial, onde a demanda é aberta, ou seja, os pacientes podem se dirigir diretamente a um dos CAPS para acolhimento e início de tratamento. Sobre o atendimento hospitalar, a Secretaria do Estado de Saúde Pública (Sesap) esclarece que caso seja necessário internação, a vaga é solicitada ao Hospital Municipal de Natal ou no Hospital João Machado. 

Na UBS São João, bairro de Tirol, zona Leste da cidade, o atendimento psicológico não está sendo realizado. Apesar de contar com uma sala de psicologia, as duas profissionais que atuavam  estão afastadas – uma por motivos de saúde e outra para realizar doutorado. A direção do local não tem previsão de restabelecimento do serviço. Em Cidade da Esperança, zona Oeste de Natal, o Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil recebe casos vindos por encaminhamento e também por demanda aberta.

O CAPSi atende demandas relacionadas a casos de autismo, transtornos mentais graves em crianças e adolescentes ou também crianças e adolescentes que tenham algum tipo de problema devido ao uso abusivo de álcool e outras drogas. O atendimento é realizado por equipe terapeuta multidisciplinar e dividido por demandas e faixas etárias. “Oferecemos atendimento individual com psiquiatra, fonoaudiólogo e psicólogo. Além disso, oferecemos  atendimento em grupos, que são as oficinas terapêuticas, nosso carro-chefe”, explica a diretora Jacira Pereira.

Sesap planeja expandir rede hospitalar de atendimento
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no Estado do Rio Grande do Norte conta com: 1053 Estratégias de Saúde da Família; 46 Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) nas 8 regiões de saúde; 4 serviços residenciais terapêuticos (SRT), sendo 3 em Natal e 1 em Caicó; 3 Unidades de Acolhimento Infantojuvenil, sendo 1 em Natal, 1 em Parnamirim e 1 em Natal; 1 Centro de Convivência em Natal; e 112 leitos de saúde mental, sendo: 80 no Hospital João Machado, 5 leitos no Hospital Tarcísio Maia (II região de saúde); 5 leitos no Hospital Mariano Coelho (IV região de saúde); 8 leitos no Hospital Cleodon (VI região de saúde); 8 leitos no Hospital Nivaldo Junior; 6 leitos no Hospital Onofre Lopes. 

Kenia Gondim, profissional do Núcleo de Saúde Mental da SESAP, informou que essa rede em sua grande maioria, no tocante à assistência, é de responsabilidade municipal, pelo caráter territorial que a mesma tem. “O Estado participa no apoio, qualificação e monitoramento da política de saúde mental, conforme está preconizado na legislação do Sistema Único de Saúde. Mais recentemente, foi deflagrado o Plano Estadual de Expansão de Leitos de Saúde Mental em Hospitais Gerais do Estado”, diz.

Por meio de nota, a Sesap confirmou que está em curso o Plano de Expansão dos Leitos de Saúde Mental em Hospitais Gerais e de Fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial no RN. Nele, é previsto o atendimento das pessoas em intenso sofrimento psíquico e com transtornos mentais, que necessitam de internação, através da abertura de leitos de saúde mental em hospitais gerais. 

“A assistência é feita em conjunto com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e a Atenção Primária à Saúde, que de acordo com a Política de Saúde Mental tem sua assistência qualificada para que possam contribuir no acompanhamento  das pessoas com transtornos mentais, possibilitando um cuidado integral, no território, evitando assim novas situações de crises agudas e posteriores reinternações”, pontuam.

A Sesap também esclarece que a Unidade de Pronto Atendimento faz parte do cuidado a atenção à crise da Rede de Atenção Psicossocial municipal. Os locais tem por finalidade acolher e estabilizar o paciente,  e avaliar se a pessoa requer um cuidado em leito hospitalar de saúde mental, ou se o encaminhamento mais adequado naquele momento é para o Centro de Atenção Psicossocial. Caso seja necessário internação, a vaga é solicitada ao Hospital Municipal de Natal ou no Hospital João Machado.

Leidiane Fernandes, diretora do João Machado, explicou como funciona o atendimento no local para casos de transtornos mentais. “Somos um hospital geral, que atende que atende diversas especialidades, entre elas à saúde mental. É para o paciente que está em surto, necessário de internação hospitalar e atendimento especializado. Ele tem acesso ao serviço pelas portas do atendimento de qualquer serviço de urgência, que pode ser uma UPA, Unidade Mista e até mesmo o CAPS ou hospitais regionais. Quando identificam uma necessidade de internação hospitalar, solicitam uma vaga no sistema de regulação”.

Ao chegar no João Machado com a indicação da internação, o paciente é admitido e avaliado pela equipe especializada e segue para internação, que pode ser breve ao constatar que o paciente teve uma rápida melhora ou pode ser ser prolongada a depender do caso. O Hospital ainda é considerado porta aberta porque existem alguns casos específicos onde os pacientes não conseguem acesso ao serviço de porta de referência. 

“Notamos uma redução significativa nos números de atendimentos no ano inicial de pandemia porque as pessoas se esvaziaram do serviço de saúde, acredito até que por receio da covid-19. Após esse momento, a demanda voltou para normalidade com mais ou menos o número de solicitações, e agora sentimos que estamos com uma ocupação elevada. Isso nos leva a entender que há um crescente procura pelos serviços. Temos 80 leitos ativos de psiquiatria e todos estavam  ocupados pela primeira vez neste domingo (15)”, diz a diretora.


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