Natal
Atirador tinha três alvos no Ministério Público
Publicado: 00:00:00 - 25/03/2017 Atualizado: 23:19:17 - 24/03/2017
Marcelo Filho, Ricardo Araújo, Valdir Julião e Marcelo Lima
Repórteres


“Inconformismo funcional” é a motivação mais provável para a fúria do técnico contábil do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), Guilherme Wanderley Lopes da Silva, de 44 anos. No final da manhã de ontem, ele abriu fogo contra os procuradores geral e adjunto de Justiça, Rinaldo Reis Lima e Jovino Pereira Sobrinho, respectivamente; além do coordenador Jurídico Administrativo da instituição, o promotor Wendell Beetoven Ribeiro Agra. Eles estavam em reunião junto com outros três promotores. Na ação, Sobrinho e Agra foram atingidos. Após socorridos, foram cirurgiados e não correm risco de morte. Um dos disparos passou por cima da cabeça de Rinaldo Reis Lima e acertou uma das portas da sala. Guilherme Wanderley Lopes da Silva está foragido e, conforme publicação do Diário Oficial do Estado de hoje (25), foi exonerado do cargo em comissão. 
Alex Régis
Tiro disparado contra Rinaldo Reis atingiu uma das portas da sala

Tiro disparado contra Rinaldo Reis atingiu uma das portas da sala


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“Estávamos despachando diversas demandas nossas quando, de repente, o servidor Guilherme entrou na minha sala”, detalhou o procurador-geral de Justiça, Rinaldo Reis Lima, em coletiva de imprensa concedida no final da tarde de ontem. Lima contou que o servidor, que entrou no MPRN via concurso público há quase 12 anos, alegou à secretária que fica na antessala que precisava entregar documentos da Corregedoria Geral da PGJ em caráter de urgência. Antes mesmo de ser anunciado, ele conseguiu entrar e interrompeu a reunião. “Ele me entregou papéis e disse: esta é a recompensa por tudo o que vocês fizeram”, relatou Rinaldo Reis Lima. Em seguida, o homem abriu um casaco branco que vestia e sacou um revólver. “Quando eu vi que ele ia atirar, eu gritei: corram que ele está armado”, alarmou Rinaldo Reis.

Houve correria e gritaria na sala e o pânico logo se estendeu aos demais compartimentos da Procuradoria Geral de Justiça. Wendell Beetoven, que estava de costas foi o primeiro a ser atingido pelo atirador quando tentou fugir. Ele caiu próximo ao birô do procurador-geral com o impacto do disparo. “Nós saímos correndo”, disse Rinaldo Reis. Ele e Jovino Pereira Sobrinho fugiram por uma porta que liga a sala do procurador-geral à do promotor Alexandre Frazão, que também estava na reunião. O atirador os seguiu e outro tiro foi disparado e tinha como alvo Rinaldo Reis Lima. A bala, porém, pegou na porta da sala. “o projétil passou perto da minha cabeça, as Divina Providência me salvou”, reconheceu Rinaldo Reis. Os promotores Alexandre Frazão, Afonso de Ligório Bezerra Júnior, Beatriz Azevedo e Lara Maia saíram pela porta principal da sala do promotor Alexandre Frazão.

Enquanto isso, Guilherme Wanderley continuava sua caçada aos procuradores Rinaldo Reis Lima e Jovino Pereira Sobrinho. Ao passarem por mais uma porta, que liga a sala do promotor Alexandre Frazão a do procurador adjunto Jovino Pereira, esse vira-se de costas e tenta convencer Guilherme Wanderley a parar com aquela ação. È nessa hora que ele revida contra a investida do procurador adjunto e o acerta com dois tiros na região abdominal. “Ele atirou friamente contra o Dr. Jovino”, frisou o procurador-geral. Por essa hora, uma situação descrita como “caótica” havia se instalado na sede da Procuradoria Geral de Justiça, em Candelária. Enquanto os promotores e outros servidores tentavam fugir do prédio, Guilherme Wanderley Lopes da Silva se aproveitou da situação e também fugiu.

“Ele teve a frieza de dizer a uma segurança armada que cruzou com ele na escada que estava tendo um tiroteio. Ele dissimulou que estava havendo um tiroteio. “Ele tinha intenção de matar os três”, declarou Rinaldo Reis. Quando foi confirmada a informação de que o próprio Guilherme Wanderley era o autor dos disparos na sala do PGJ, os demais seguranças armados do prédio partiram em caçada ao servidor. Mais disparos foram ouvidos no estacionamento. Ele, porém, conseguiu fugir e, até o fechamento desta edição, não havia sido localizado. Guilherme Wanderley responderá a processo criminal e administrativo, no âmbito da PGJ, e poderá ser exonerado do cargo.
Adriano Abreu
Após tiroteio, seguranças chegaram a correr atrás do atirador

Após tiroteio, seguranças chegaram a correr atrás do atirador


O servidor não teve dificuldades em entrar no prédio da PGJ armado no dia de ontem. Além de gozar da prerrogativa de não ter que ser submetido ao detector de metais, instalado na recepção, o equipamento sequer estava em funcionamento ontem. Segundo relatos de servidores que não serão identificados, o portal de raio-x foi retirado para manutenção. Rinaldo Reis detalhou que, após esse episódio, o Plano de Segurança Institucional será reforçado com a implementação de mais detectores de metais e recrudescimento dos procedimentos de segurança na sede do órgão e em todas as promotorias.

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O procurador-geral de Justiça, Rinaldo Reis Lima, disse que o servidor Guilherme Wanderley Lopes da Silva não respondia a Procedimento Administrativo Disciplinar, tampouco havia sido punido com qualquer tipo de sanção administrativa. Abaixo as principais frases de Rinaldo  sobre o autor dos disparos:

“Eu não sei a motivação. O servidor Guilherme é efetivo, mas exerce um cargo comissionado há muitos anos e nunca houve qualquer constrangimento administrativo contra ele”.

“Não há PAD e ele nunca esteve afastado por problemas psiquiátricos”.

“É algo que nos surpreendeu negativamente”.

“Os servidores, por gozarem da nossa confiança, não são submetidos ao detector de metais. Não havia motivos para desconfiar”.

“Nunca discuti com o Guilherme. Sempre o cumprimentei pelo nome e ele sempre muito frio, mas respondia”.

Cenas do crime

1 Os três integrantes da direção do MPRN e outros promotores estavam reunidos quando o servidor Guilherme Wanderley entrou na sala e entregou papeis ao PGJ, Rinaldo Reis

Brum




2 O atirador saca uma arma, avisa que aquela “é a recompensa por tudo que vocês fizeram”. Rinaldo Reis dá o alarme e se levanta.
Brum
FOTO 2

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3 Os demais presentes fazem o mesmo. Wendell Beetoven, ainda de costas para o atirador, fica na frente de Rinaldo Reis e é alvejado pelo primeiro disparo.
Brum


4 Rinaldo e Jovino tentam sair por uma porta lateral. Um novo disparo atinge o portal, acima da cabeça de Rinaldo Reis.
Brum
FOTO 4

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5 O procurador adjunto, Jovino Pereira tenta convencer o atirador a parar o ataque e é alvejado duas vezes na barriga.
Brum


6 Após atingir os dois promotores, o atirador caminha até a saída e foge do local, enquanto seguranças do MPRN passam por ele, sem saber de nada, e tentam alcançar o gabinete onde estão os feridos.
Brum





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