Esportes
Atletas se sentem ameaçados e greve continua no ABC
Publicado: 00:00:00 - 26/10/2017 Atualizado: 22:12:27 - 25/10/2017
Um ofício do ABC, assinado pelo presidente Judas Tadeu, no qual questiona a legalidade da greve dos atletas, inclusive apontando os riscos jurídicos de demissões por justa causa, além do pagamento de alguns jogadores mais jovens do elenco, encerrou a negociação entre o clube e o Sindicato dos Atletas, representante dos jogadores grevistas do Alvinegro. O encerramento, segundo o Sindicato, significa que o time não entrará em campo, sábado, para enfrentar o Londrina, pela Série B do Campeonato Brasileiro, no Frasqueirão.

Adriano Abreu
Jogadores do ABC deixam escritório do presidente do Sindicato

Jogadores do ABC deixam escritório do presidente do Sindicato


Jogadores do ABC deixam escritório do presidente do Sindicato

Segundo o presidente do sindicato, advogado Felipe Augusto, um acordo já estava sendo “costurado”, levando em conta a proposta enviada anteriormente pelo ABC, que assume uma dívida de R$ 1.3 milhão com salários, direitos de imagem, verbas sociais e outros direitos, garantindo que terá uma antecipação de R$ 1.5 milhão, suficientes para quitar o débito total.

No entanto, o advogado afirma que o acerto começou a “ruir” a partir do momento em que foi revelado o pagamento de até dois meses de salários atrasados para atletas das categorias de base que estão à serviço do profissional. O objetivo, segundo o Sindicato seria o de enfraquecer o movimento e garantir ao menos o número mínimo de atletas para entrar em campo no sábado.

Mas o golpe fatal na negociação viria através de um ofício, no qual o ABC utiliza a CLT como argumento para invalidar a greve, tornando-a ilegal e deixando os grevistas passíveis de punições tais como a demissão por justa causa. “Os jogadores e eu, que estava costurando o acordo, nos sentimos traídos. Não vai ter jogo no sábado. Posso garantir que os 34 atletas que estiveram aqui (no escritório do advogado) não entrarão em campo. Já garanti a eles que podem até viajar, se quiserem, pois terão todo o auxílio do Sindicato, inclusive financeiro, uma vez que a situação que eles estão passando é até mesmo de penúria”, comentou Felipe Augusto.

De acordo com o presidente do sindicato a coação realizada pelo clube não irá surtir o menor efeito. Além disso, ele avisou que o movimento é coletivo e não é pagando a dez ou doze peças, no intuito de garantir o número mínimo de atletas em condições de entrar em campo diante do Londrina, que eles irão dividir o movimento.

“A causa é coletiva, o grupo está unido como nunca se viu antes no futebol do RN. A atitude foi rechaçada pela categoria e a greve está mantida. O que a diretoria fez com essas ameaças foi jogar gasolina no problema. Não há mais parâmetro para negociação”, ressaltou Felipe Augusto. “Infelizmente devo reconhecer que tudo que está se falando em relação a essa administração, a irresponsabilidade no trato com os atletas, se comprovou com essas ameaças”.

Com o grupo fechado em torno da necessidade de manter o movimento grevista,  Felipe Augusto acredita que o último ato da diretoria abecedista ceifou qualquer possibilidade de negociação amigável para o impasse, indicando que a única alternativa agora será a judicialização do processo.

“A saída é judicializar a causa e buscar uma solução direta na Justiça do Trabalho. Com essa diretoria não há possibilidade de realizar mais qualquer tipo de conversa. Com o que ocorreu hoje (ontem) eu me associo aqueles que dizem que a situação no ABC está insustentável, não existe mais credibilidade. A negociação que podemos ter com eles agora está na ata: pagar o que devem aos seus atletas”, destacou. 


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