Ato em defesa da educação leva estudantes às ruas de Natal

Publicação: 2019-10-03 00:00:00 | Comentários: 0
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Estudantes, professores e movimentos sociais foram às ruas de Natal nesta quarta-feira (02) para um ato unificado em defesa da Educação. A ação fez parte de um movimento nacional de 48h convocado por estudantes. Na capital, o ato só aconteceu nesta quarta-feira em virtude do feriado dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, nesta quinta. Previsto apenas para uma concentração no shopping Midway Mall, o ato acabou iniciando uma caminhada em direção à Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), onde encerrou a atividade. Na pauta, os contingenciamentos no Ministério da Educação e o programa Future-se, anunciado recentemente pelo Governo Federal.

Movimento começou em frente ao campus do IFRN e seguiu em caminhada pela Salgado Filho
Movimento começou em frente ao campus do IFRN e seguiu em caminhada pela Salgado Filho

Na última terça-feira (30), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou um desbloqueio parcial do orçamento do MEC. Ao todo, quase R$ 2 bilhões foram desbloqueados e 58% desses recursos, R$ 1,2 bilhão, foram designados para universidades e institutos federais.

Esse montante corresponde a metade da verba que havia sido congelada para essas instituições (R$ 2,12 bilhões). Apesar do desbloqueio, R$ 3,8 bilhões ainda estão congelados no MEC. O restante da verba vai para compra e distribuição de livros didáticos (R$ 290 milhões), bolsas da Capes (R$ 270 milhões) e exames de educação básica (R$ 105 milhões).

O movimento começou às 15h com estudantes e professores se concentrando em frente ao Midway Mall e também em frente ao Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia (IFRN) campus Natal Central. Na escola federal, carros de som estavam posicionados e foram encaminhados à Salgado Filho no sentido Parnamirim, onde a movimentação se intensificou. A caminhada começou por volta das 17h. De acordo com os organizadores, cerca de 6 mil pessoas participaram do evento.

Os estudantes protestavam com bandeiras, faixas e cartazes. Músicas críticas a política do presidente Jair Bolsonaro eram entoadas em praticamente todo o protesto.

O ato foi acompanhado pela Polícia Militar e agentes da Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU). O movimentou gerou transtornos no trânsito: condutores que vinham no sentido Parnamirim precisavam desviar por rotas alternativas, como Prudente de Morais, São José, Jaguarari, Romualdo Galvão e Rui Barbosa.

A estudante Marília Caraú, de 16 anos, estudante do 1° ano do Ensino Médio está participando do ato e se mostrou preocupada com os contingenciamentos. Segundo ela, sua participação é para garantir seu futuro e dos seus colegas. “Me preocupa. Eu com 16 anos tenho medo de não entrar na faculdade e não conseguir emprego na minha área", comentou. Ela veio ao ato junto de colegas da escola e da professora Idinária Faustino.

As professoras do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), Keila Cruz e Valcinete Macedo vieram ao ato para defender o instituto, um dos afetados com os contingenciamentos.

Mesmo com a recente liberação, elas comentam que a "a luta continua". "Essa liberação deixa pouco tempo para organizar o direcionamento desses recursos. Basicamente fica para pagar o que já foi consumido", reforçou Keila.

Docentes dos campus da zona Norte e Ceará-Mirim, respectivamente, elas comentam que os bloqueios dos recursos têm afetado desde a  itens básicos nas unidades, a perspectivas de ações de extensão, pesquisa e questões estruturais.

Quem também esteve no ato foi o estudante do 1º ano do IFRN, Leonardo Silva. Empunhando um cartaz, ele disse que “educação é a base de tudo. Sem ela não vai a lugar nenhum”. Ele acrescentou ainda que com os contingenciamentos, tem receio a respeito do seu futuro como estudante, uma vez que quer ingressar na universidade pública.





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