Atopia: o que é isso?

Publicação: 2011-04-03 00:00:00 | Comentários: 0
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Dr.  Jorge Boucinhas - médico e professor da UFRN

Dizer Atopia é o mesmo que dizer Alergia, e isso toma vulto ao ser lembrado que as enfermidades alérgicas estão entre as mais comuns doenças do mundo atual, afora o número de casos estar literalmente “explodindo”. Uma associação das mais comuns consiste na alternância de Dermatite, Rinite e Asma, sendo tão freqüente que já se tem uma denominação caracterizando-a: Tríade Atópica, menos dita Marcha Alérgica, mais incidente entre crianças. Algumas das manifestações pioram com o passar do tempo, outras diminuem ou desaparecem completamente.

O desenvolvimento e a expressão clínica das doenças atópicas dependem de uma ampla e complexa interação de fatores hereditários e influências ambientais (especialmente o contato com alérgenos), podendo ser tidos por coadjuvantes não-específicos a fumaça de cigarro, a poluição e as infecções. Estudos indicam que a sensibilização não dá uma resposta localizada, mas, sim, generalizada, de vez que, simultaneamente ao eclodir da lesão cutânea, inicia a desenvolver-se hiperreatividade das vias aéreas mesmo sem exposição a alérgenos inaláveis.

Geralmente a Dermatite Atópica (DA) é a manifestação mais precoce (só raramente a Rinite ou a Asma podem surgir antes). É uma das dermatoses mais comuns na infância, aparecendo no primeiro semestre de vida em quase metade das ocorrências, e antes dos 5 anos de idade em 85% dos casos. Nos estudos de acompanhamento viu-se que, depois, 43% das crianças desenvolveram Asma e 45%  Rinite. A gravidade da DA é tida por importante fator de risco para a aparição de Asma, pois dentre os pacientes graves 70% desenvolveram-na, contra 30% dentre os com forma leve, comparando-se com aproximadamente 8% de incidência na população geral.

A relação estreita entre Rinite Alérgica e Asma é bem conhecida.   Até 4/5 dos asmáticos apresentam-na, sendo que pelo menos 1/5 dos pacientes com manifestações nasais também sofre acometimento pulmonar.    Baseando-se em semelhanças clínicas e no mecanismo de formação das duas enfermidades atualmente aceita-se o conceito de vias aéreas unidas, o que indica Asma e Rinite como faces de uma só doença manifestada em partes diversificadas das vias aéreas.   Não se pode deixar de ressaltar que inúmeras evidências mostram ser a Rinite fator de risco independente para Asma, podendo então constituir-se na primeira manifestação da Marcha Alérgica.

As medidas preventivas compreendem o controle da exposição aos alérgenos e o tratamento medicamentoso.    Embora atualmente ainda não se tenha comprovado a eficácia do controle ambiental rigoroso para prevenir completamente quaisquer manifestações clínicas de alergia, algumas medidas podem contribuir para interromper ou, pelo menos, retardar a progressão da Tríade.   Por serem trabalhosas, devem ser direcionadas a crianças que já começaram a apresentar sintomas.   O maior ou menor sucesso das medidas depende de quão cedo se as inicia. O aleitamento materno por 6 meses deveria ser sempre recomendado, pois parece prevenir a alergia a proteínas do leite de vaca. Já para a mãe lactante, dietas hipoalergênicas muito restritivas somente são indicadas quando o desencadeamento das manifestações clínicas da criança está nitidamente relacionado com comida. A introdução de alimentos sólidos para o lactente deve ser adiada para após o primeiro semestre e alimentos como ovo e peixe devem ter sua introdução retardada para após o primeiro ano de vida, enquanto frutos do mar, amendoim, nozes e castanhas devem esperar para depois dos dois anos.

É bom se saber que os cuidados efetivos com a DA constituem bom meio para prevenir a futura eclosão de Asma. Vários estudos têm avaliado o uso de anti-histamínicos com tal objetivo mas a maioria dos pesquisadores e dos clínicos tem esquecido o emprego da Homeopatia, a qual é uma verdadeira “Rainha das Alergia” tal a habitual eficácia de sua ação neste tipo de quadros, afora sua ausência de toxidez conferir segurança para o uso por tempo prolongado.

A principal expectativa futura é que novas terapêuticas que modifiquem a gravidade da Dermatite Atópica em lactentes e crianças diminuam significativamente o risco de desenvolvimento das outras duas doenças alérgicas e, assim, sustem o eclodir  das sérias conseqüências da Tríade Atópica.

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