Atraso de salários retira R$ 1 bilhão de circulação no RN

Publicação: 2018-12-02 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
Editor de Economia

A confirmação do não pagamento das folhas salariais de dezembro e do décimo terceiro salário aos cerca de 110 mil servidores do Governo do Estado implicará na não circulação de aproximadamente R$ 1 bilhão ao longo do mês de dezembro na economia do Rio Grande do Norte. De acordo com dados do Sistema Fecomércio/RN, os salários do funcionalismo público potiguar – incluindo Prefeituras, o próprio Estado e os servidores federais aqui lotados - correspondem a cerca de 40% da massa salarial paga no Rio Grande do Norte. Somente o Governo do Estado responde por 28% desse total. Com estoques abastecidos para o ciclo natalino, considerado o melhor para o Comércio, empresários temem queda nas vendas, retração na prestação de serviços e menor abertura de postos de trabalho.

“É um volume muito grande de recursos que deixarão de circular. É impossível não dizermos que haverá, sim, reflexos negativos nas nossas vendas, com possíveis impactos até mesmo na geração de empregos”, destaca o presidente do Sistema Fecomércio/RN, Marcelo Queiroz. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram o quão dependente o Rio Grande do Norte é da massa salarial do funcionalismo público. Isso porque, no terceiro trimestre deste ano, havia 233 mil pessoas ocupadas no setor público  rendimento médio real habitual de R$ 2.824,00. A massa de rendimento de todos os servidores públicos no terceiro trimestre deste ano no RN, conforme o IBGE, somou R$ 2,101 bilhões.
Lojas se prepararam para aumento nas vendas, mas temem revés
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O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL Natal), Augusto Vaz, reforça o risco para a economia em torno da falta de quitação desses salários. “O não pagamento dos salários do Estado com certeza reflete na nossa economia. Além de ter o prejuízo particular das famílias que sofrem com isso, acaba gerando inadimplência e novos problemas. Especificamente para a economia, esse não pagamento faz falta”, afirma. Augusto Vaz acreditava que o Governo do Estado conseguisse efetuar pelo menos uma parte do pagamento. “Esse dinheiro faz falta principalmente no final do ano. É o período mais aquecido do Comércio, um período muito importante de vendas. De 10 dezembro a 30 de dezembro, a gente tem um volume de vendas muito grande na cidade”, destaca o presidente da CDL Natal.

A expectativa de crescimento das vendas no ciclo natalino deste ano, conforme a CDL Natal, é de 4,5% ante mesmo ciclo de 2017. Com o não pagamento dos salários, a manutenção desse percentual é uma incógnita. “Não dá para medir o impacto”, diz Augusto Vaz. Ele confirma, porém, que para não deixar de consumir nessa época do ano, os empresários acreditam que o uso do cartão de crédito e o parcelamento das compras aumentará nos próximos dias. Isso pode gerar outro problema a partir de janeiro de 2019: o recrudescimento da inadimplência, que já afeta quase um milhão de potiguares.

Conforme exposto pelo presidente do Sistema Fecomércio/RN, a situação atual reforça a necessidade de um ajuste fiscal no Governo do Rio Grande do Norte. “Antes de mais nada é importante ressaltar que nós entendemos todas as dificuldades financeiras pelas quais o Executivo Estadual passa. E é exatamente por isso que temos alertado para a necessidade urgente de se encontrar caminhos para o reequilíbrio fiscal e financeiro das contas públicas. Mas, não podemos deixar de registrar que este não pagamento dos salários seria uma péssima notícia também para o comércio. Nossa economia é muito dependente dos salários dos servidores públicos em geral”, frisa Marcelo Queiroz.

Comércio de Rua


Entre os empresários que atuam com lojas de rua na Cidade Alta, tradicional bairro comercial da capital, o clima é de temor. “O nosso Estado depende muito do Governo, das Prefeituras e dos militares. Num momento que o décimo terceiro e os salários não são pagos, isso é muito forte para o comércio. É uma queda muito forte. O comércio sente isso muito rápido. O Estado praticamente para, empobrece numa hora dessas. O Estado deveria fazer uma força para efetuar esses pagamentos. A população que depende desses recursos também espera”, declara Delcindo Mascena, empresário e presidente da Associação Viva o Centro de Natal (AVICEN).

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