Audiência é nova chance de consenso para o cajueiro

Publicação: 2010-03-17 00:00:00 | Comentários: 6
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O cajueiro de Pirangi, maior do mundo, está com 8,5 mil m2. Tão grande quanto sua extensão é a polêmica que cerca a planta. Há anos os galhos vêm tomando espaço das pistas que passam em suas laterais, pertencentes à RN-063, conhecida como Rota do Sol. A rodovia é um dos únicos acessos a praias do litoral Sul como Pirangi do Sul, Búzios, Tabatinga, Camurupim e Barreta. O “gargalo” no trânsito gerou engarrafamentos durante a alta estação, o que terminou acirrando o debate entre quem defende o direito à árvore crescer e quem defende o direito de as pessoas se deslocarem.

Placas de sinalização de trânsito mostram o crescimento do cajueiro de Pirangi do NorteNo próximo dia 25 os dois lados terão mais uma chance de chegar a um consenso e a uma solução definitiva para o problema, com a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa. Mas a tendência ainda não é de entendimento. A administração do cajueiro quer a desapropriação de terrenos e imóveis próximos, para que a árvore cresça livremente, e considera que o poder público deve encontrar alternativas ao trânsito. Já o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) entende que qualquer alternativa é “cara e complicada” e a melhor saída é podar as laterais, deixando a planta crescer em uma única direção.

Há apenas um consenso, o de que já está na hora de se chegar à solução definitiva e não depender mais de paliativos. “Não é possível que em pleno século 21 a gente ainda não consiga dar solução a um problema desse, que vem se arrastando e, o que é pior, se agravando com o passar dos anos”, lamenta o deputado estadual Paulo Davim, que solicitou a audiência pública do dia 25. Ele diz não ter opinião formada sobre a poda, ou não, da árvore, mas lembra que é preciso agir.

O parlamentar ressalta que o turismo é a principal fonte de emprego do RN e destaca que o cajueiro representa hoje um monumento vivo. Paulo Davim  lembra que muitos veranistas estão deixando o litoral Sul devido às dificuldades de acesso.

O diretor de Obras e Operações do DER, Caio Múcio Pascoal, entende que a árvore deve continuar crescendo, mas para o lado da rua José Fiuza Filho, que interliga os dois sentidos da pista da Rota do Sol, passando ao lado do cajueiro. “Hoje o terreno do cajueiro tem 7 mil metros quadrados e se houver a desapropriação das casas que ficam naquela rua seriam mais 4 mil metros para o cajueiro”.

Ministério Público irá publicar recomendação

O Ministério Público vem acompanhando toda a polêmica que envolve o cajueiro de Pirangi e pretende publicar em breve uma recomendação a respeito do assunto. Em janeiro, o MP aprovou e divulgou o “Plano de Ações Emergenciais da Unidade de Conservação do Monumento Natural do Cajueiro de Pirangi”, elaborado por uma comissão composta por representantes do Idema, Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Parnamirim, Secretaria Estadual da Agricultura, Emater, Ibama, Ufersa, UFRN e Emparn.

O estudo conclui pela impossibilidade da poda imediata do cajueiro, pela transferência da feirinha de artesanato e pelo disciplinamento e sinalização do trânsito no entorno, através de um Relatório de Impacto de Trânsito Urbano (Ritur) e do estudo de rotas alternativas de acesso. O relatório sugere ainda a criação de um plano de manejo de toda a área.

A promotora de Meio Ambiente de Parnamirim, Luciana Maciel, confirmou que uma recomendação sobre o assunto será publicada, provavelmente antes mesmo da audiência pública, em conjunto com a promotora de Defesa do Patrimônio Público, Juliana Teixeira. O cajueiro recebeu no mês de janeiro um recorde de 60 mil visitas. Na baixa estação, porém, esse número cai para cerca de 10 mil por mês. A entrada é R$ 3, mas escolas públicas podem fazer excursões gratuitas ao local.

Atualmente, há 37 lojinhas na feira de artesanato ao lado do cajueiro e o presidente da Associação dos Moradores de Pirangi do Norte, Francisco Cardoso, admite a transferência dos quiosques, desde que para um terreno próximo. “Estamos aqui para acatar o que for definido. Nossa preocupação é com a saúde do cajueiro. Ele só quer espaço para crescer. Tudo que for para beneficiar o cajueiro nós somos a favor, inclusive que ele cresça para todos os lados”, diz Francisco Cardoso.

Já a Prefeitura de Parnamirim ainda não tem uma posição definida sobre o futuro da árvore. A secretária de Meio Ambiente do Município, Ana Michele de Cabral, informou que a administração vem acompanhando os debates e aguarda uma solução. “Não é a prefeitura quem vai definir a solução”.

Bate-papo / Francisco Cardoso » Pte Ass. Moradores de Pirangi

Qual é hoje a opção para o crescimento do Cajueiro de Pirangi?
Nós defendemos a tese da promotora do município de Parnamirim, a doutora Luciana (Maciel).

E qual é essa tese?
Pelo que sabemos, é desapropriar algumas partes em volta do cajueiro. Tirar a cerca de onde está para colocar mais para a frente. E a mudança das lojinhas para outro local, também vizinho ao cajueiro. Nós que somos da administração do cajueiro também defendemos que as lojinhas não fiquem tão distantes do cajueiro, mas sim vizinhas, já que algumas estão aí há décadas. Temos algumas opções próximas, mas vamos esperar os órgãos públicos tomarem uma decisão.

E nas pistas haveria poda?
Não, somos contra essa poda. Queremos que ele cresça, somos a favor disso.

E a rota de veículos terá de ser modificada?
O desvio feito para o verão, com o acesso (às demais praias) por uma rua 350 metros antes da cajueiro já deu um impacto muito bom, foi muito positivo. Mas há outras alternativas. Se o DER, o poder público municipal e estadual quiserem fazer, fazem, porque tem alternativa.

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Comentários

  • luanlima_14

    Deixe o cajueiro crescer, vamos ver aonde ele quer chegar deixe a natureza em pás.

  • zusi

    Estaão esperando os galhos entrarem nas residências de veraneio existentes na orla. Onde se viu uma cajueiro causando tantos transtornos em nome do TURISMO? VAI ACABAR OS VERANISTAS SE MUDANDO E ENTREGANDO A PRAIA PARA O CAJUEIRO.

  • lucianosena

    Por que não se criar uma cerca resistente ao redor do cajueiro para que ele cresça na vertical encostado a essa cerca, até uma altura que não atrapalhe o trânsito? Luciano.

  • ed340ms

    A questão vem sendo bem conduzida. Resta a criação da Unidade de Conservação Ambiental e do Plano de Manejo Ambiental, definindo-se as responsabilidades das pessoas físicas e jurídicas pela gerencia ambiental do espaço costeiro em questão. Não podemos perder de vista o tombamento do cajueiro e sua párea de influência.

  • elcangim

    Estive na maravilhosa cidade de Natal junto com minha esposa, no final do ano passado e além das lindas praias da cidade, visitamos e adoramos o cajueiro e até saboreamos suas doces frutas amarelas. Não há dúvida de que o \"cajueiro\" é um dos pontos turístico de maior relevo da cidade, já visitado e conhecido por milhões de pessoas de todos os lugares. Penso que êle deve ser preservado e a natureza deve expandí-lo naturalmente, ficando a cargo do poder público as providências necessárias para tal finalidade. Edison Santos -São Paulo-

  • oliveira093

    Como falaram alguns nestes comentarios,devemos nos preocupar-mos com muita gente passando fome aqui mesmo em parnamirim. este cajueiro já cresceu o suficiente para o turismo, vamos poda-lo, e liberar a rodovia para outros turista que querem se locomover para as outras diversoes do local......