Augusto Cunha Lima, empresário: "O empresário precisa reduzir custos"

Publicação: 2020-11-29 00:00:00
Ricardo Araújo
Editor de Economia

A pandemia do novo coronavírus colocou o mundo de cabeça para baixo. Cientistas correm contra o tempo para descobrir uma vacina que freie o avanço da covid-19, empresários duelam com a oscilação econômica para manter seus negócios de pé, trabalhadores buscam otimizar tempo e produtividade para garantirem seus empregos. Reduzir custos se tornou, no meio desse turbilhão de acontecimentos, um mantra.
Créditos: Magnus NascimentoAugusto Cunha LimaAugusto Cunha Lima


Uma das formas encontradas pelo empresariado, pelos empreendedores de primeira viagem e por aquelas pessoas que prestam serviços diversos, foi o compartilhamento de espaços e ambientes, o que ficou conhecido popularmente como 'Coworking'. No Rio Grande do Norte, empresas se especializaram nesse segmento e estão crescendo. Em Natal, há um exemplo delas. Conheça a partir da leitura da entrevista a seguir.

De que maneira surgiu a ideia de construir ambientes específicos para o coworking em Natal?

A ideia veio por um acaso, surgiu de uma necessidade comercial que tive e acabou virando uma oportunidade de inovar. Após a venda de uma participação em uma indústria de sorvetes, passei a fazer uma representação de móveis para escolas e escritórios e precisávamos colocar em Natal um showroom de uma das fábricas, da linha de móveis corporativos. Em uma viagem que fiz a Recife à época, conheci um escritório compartilhado, um Coworking, e percebi que em Natal existia uma demanda para esse tipo de atividade. Então, naquele primeiro momento, utilizei o showroom da fábrica de móveis que represento e transformei em um escritório que efetivamente funcionasse. Do showroom nasceu o primeiro Tirol Office, na Avenida Afonso Pena, entre o final de 2012 e início de 2013, quando esse tipo de negócio era uma inovação ainda pouco explorada.

Como se deu a receptividade do mercado local? Há crescimento da demanda, em quantos por cento?
Hoje, nós temos hoje uma oferta bem maior do que tínhamos em 2012 e 2013. Sabemos que cada empresa ou pessoa tem uma necessidade diferente. Então, essa demanda, essa oferta maior de escritórios, vai apontar para atender a necessidade que cada cliente tem. Temos uma demanda e também uma oferta muito grande, em crescimento. Nesse período de recuperação econômica, as pessoas voltaram a procurar o Coworking como espaço de trabalho, e em alguns casos, como forma de reduzir custos sem deixar de trabalhar em um ambiente bem estruturado e com um importante networking. Há uma procura muito grande, também, por endereço fiscal, pois muitas pessoas que tinham pequenos negócios estão percebendo a importância de terem um endereço que não seja em sua própria residência.

Qual o perfil daqueles que buscam ambientes compartilhados para trabalhar?
Uma amiga que tem um Coworking colocou em seu site o resumo de que “é um movimento de pessoas e empresas que buscam desenvolver seus negócios de forma acelerada e sem grandes custos". As pessoas que buscam os Coworkings e os escritórios compartilhados são aquelas pessoas que buscam viver uma experiência dentro de um ecossistema que envolve empresas de diferentes ramos de atividade. Existe uma troca de experiências nesse ambiente. A gente procura sempre fazer essa integração, que as pessoas possam interagir entre elas.

O que é oferecido a essas pessoas e qual o valor médio cobrado?
O Tirol Office tem uma estrutura hoje que oferece aos clientes sala de reunião, auditório, sala privada, endereço fiscal comercial e gestão de correspondência em dois endereços diferentes, ambos muito bem localizados. O Coworking inclui vários serviços, entre eles, oferecer às empresas uma alta qualidade no ambiente, nos móveis que as pessoas utilizam, na limpeza, na organização, no atendimento, na velocidade de internet, na telefonia e na estrutura física. O grande diferencial do Tirol Office é exatamente esse, realizar a gestão desses espaços com alta qualidade, oferecendo ao cliente conforto com valores muito acessíveis. O preço cobrado pelos Coworkings depende muito desses serviços. Já o preço médio para se ter o endereço fiscal está entre R$ 145 a R$ 160 por mês. É possível contratar pacotes, por exemplo, que incluam endereço fiscal e o uso mensal ou por hora de salas de reunião ou salas individuais. A possibilidade de pagar de acordo com o que precisa efetivamente utilizar é uma grande vantagem para o cliente.

A pandemia aumentou ou reduziu a procura pelos ambientes compartilhados? Essa é uma tendência que tende a se perpetuar?
A pandemia afetou as empresas dos mais diversos ramos, e com relação aos Coworkings houve também uma queda, um prejuízo, em especial no momento de mais forte distanciamento social. No entanto, com o retorno gradativo das atividades, temos perspectivas muito positivas para 2021. Estamos passando por um momento em que o empresário precisa reduzir seus custos, mas não quer perder o conforto de trabalhar em um ambiente bem estruturado e bem localizado. Não quer deixar de realizar suas reuniões ou receber seus clientes em ambientes adequados. O Coworking aparece para esse público como uma perspectiva nova, para a redução de custos e a manutenção da excelência. Muitas empresas já estão nos procurando com esse novo olhar, e creio que em 2021 teremos ainda mais procura. Estamos otimistas.

Em Natal, quais localidades são as mais propensas a terem locais de trabalho compartilhados e por quê?
Hoje o Tirol Office está na Avenida Afonso Pena, no Tirol, e também abrimos uma segunda unidade na Avenida Jaguarari. Ter duas unidades é um grande diferencial para os clientes do Tirol Office, que podem dispor de duas unidades muito bem localizadas, nos bairros – Lagoa Nova e Tirol – onde as coisas acontecem. Onde estão escritórios, empresas, clínicas, uma infinidade de negócios, de oportunidades. Acreditamos que a região de Petrópolis, Tirol e de Lagoa Nova são as melhores áreas para escritórios compartilhados exatamente por esse perfil comercial muito forte.

Quanto tempo, em média, é possível ter lucro a partir da locação desses espaços?
O empresário que aposta em um Coworking sabe que o negócio não tem o perfil de obter altos lucros, mas aposta nos outros benefícios que esse tipo de negócio atrai, como a interação entre as pessoas e o apoio às empresas para o seu desenvolvimento. O objetivo do Coworking está muito além do lucro específico porque é uma atividade de retorno lento, que requer muita paciência e perseverança. Hoje temos inúmeras empresas que, pela pandemia e outros percalços da vida, estão abrindo uma sala, chamando aquele ambiente de Coworking, botando três cadeiras e uma mesa e pensando que vão ter lucro. Acho que a filosofia do escritório compartilhado vai muito além desse pensamento. Fazer com que as empresas se desenvolvam dentro do seu espaço é o espírito que seguimos.

Os bancos públicos e privados possuem linhas de crédito específicas para a construção desses espaços? Como se dá o fomento à essa prática?
Não. Infelizmente, os bancos ainda não despertaram para a atividade.

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