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Aeroporto de Parnamirim será Centro Cultural Trampolim da Vitória
Publicado: 00:00:00 - 18/06/2019 Atualizado: 14:11:47 - 18/06/2019
Ramon Ribeiro
Repórter

Enquanto em Natal não se concretiza o Museu da Rampa, pensado para contar a história da aviação e da participação de  Natal na 2ª Guerra Mundial, em Parnamirim um projeto museológico sobre a mesma temática está prestes a ser executado no Aeroporto Augusto Severo – sem uso desde sua desativação em 2014. O projeto está sendo coordenado pela Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças, Turismo e Desenvolvimento Econômico (Seplaf). Segundo o secretário Giovani Rodrigues Júnior, a prefeitura está aguardando “o sinal verde” da Força Aérea Brasileira para iniciar as ações no local. O espaço vai se chamar Centro Cultural Trampolim da Vitória e, conforme intenção da prefeitura, o previsto é abrir a primeira etapa do museu (o pavilhão de exposições) em dezembro deste ano.

Magnus Nascimento
Terminal de Passageiros do antigo Aeroporto Augusto Severo será transformado em Centro Cultural Trampolim da Vitória, com um acervo sobre aviação. Documentos, imagens, maquetes, simuladores de vôo e 12 aeronaves já estão garantidos. O local vai receber também lanchonete, café e lojas

Terminal de Passageiros do antigo Aeroporto Augusto Severo será transformado em Centro Cultural Trampolim da Vitória, com um acervo sobre aviação. Documentos, imagens, maquetes, simuladores de vôo e 12 aeronaves já estão garantidos. O local vai receber também lanchonete, café e lojas

Terminal de Passageiros do antigo Aeroporto Augusto Severo será transformado em Centro Cultural Trampolim da Vitória, com um acervo sobre aviação. Documentos, imagens, maquetes, simuladores de vôo e 12 aeronaves já estão garantidos. O local vai receber também lanchonete, café e lojas

Nesta terça-feira (18), a partir das 17h, o projeto do Centro Cultural Trampolim da Vitória será exposto na sede da Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANRL), no Tirol, para conhecimento do público. Na ocasião as imagens do projeto serão projetadas num telão. Pesquisadores do tema 2ª Guerra Mundial, Augusto Maranhão e Rostand Medeiros, também falarão sobre o assunto. Haverá ainda a apresentação de um coral. A entrada é gratuita.

A exibição do projeto na ANRL não é por acaso. A instituição foi a grande instigadora do projeto de se fazer do aeroporto um centro cultural. “Com o fechamento do aeroporto vimos que Parnamirim perderia muito com seu fechamento. Então em 2014 pensamos numa forma de ocupação do espaço com algo relacionado ao nome de Augusto Severo”, diz o presidente da ANRL, Diógenes da Cunha Lima. “Por meio do Brigadeiro Willian Barros conseguimos uma conversa em Brasília com Comandante da Aeronáutica. Ele se mostrou interessado na sugestão. Enviou à Parnamirim uma equipe de pesquisadores. Depois falamos com o prefeito Rosano Taveira para desenvolver um projeto. O projeto foi muito bem aceito na Aeronáutica e agora está andando rápido”.

História da Aviação e 2ª Guerra Mundial
O objetivo com o Centro Cultural Trampolim da Vitória é tornar Parnamirim a maior referência no Brasil sobre a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Mas não só isso. Aproveitando que um dos pioneiros da aviação mundial é potiguar, no caso Augusto Severo, a ideia também é contar um pouco da história da aviação, além, claro, de contar a história das diferentes operações na Base de Parnamirim ao longo dos anos. Com o equipamento em pleno funcionamento, a prefeitura espera recuperar o que perdeu com a desativação do Aeroporto – fechamento de 2 mil vagas de empregos e perda de R$ 2 milhões em arrecadação de tributos.

O projeto do Centro Cultural Trampolim da Vitória abrange quatro estruturas que serão implementadas de forma independente. A primeira será no terminal de passageiros do aeroporto, aproveitando a praça de alimentação, as lojas, antigos guichês de embarque. No espaço funcionará o Pavilhão de Exposições Augusto Severo, com mostras temáticas e exposições de aviões utilizados na época da 2ª Guerra Mundial. Segundo o secretário Giovani, já foram disponibilizados para exposição 12 aeronaves, sendo duas utilizadas na Segunda Guerra.

Rostand Medeiros
Parnamirim sempre foi rota de pesquisadores sobre a Segunda Guerra. Na foto, o escritor americano Frank Mccan, em 2013, numa visita à antiga Base Aérea.Projeto, que contará com parcerias, aguarda sinal verde da Força Aérea Brasileira

Parnamirim sempre foi rota de pesquisadores sobre a Segunda Guerra. Na foto, o escritor americano Frank Mccan, em 2013, numa visita à antiga Base Aérea.Projeto, que contará com parcerias, aguarda sinal verde da Força Aérea Brasileira

Parnamirim sempre foi rota de pesquisadores sobre a Segunda Guerra. Na foto, o escritor americano Frank Mccan, em 2013, numa visita à antiga Base Aérea. Projeto, que contará com parcerias, aguarda sinal verde da Força Aérea Brasileira

Espaço cultural
Esta primeira estrutura está orçada em R$ 8 milhões. Parte dos recursos é do município – a outra parte será captada através de parcerias. Dessa forma, não apenas os custos, mas o modelo de gestão também deverá ser compartilhado. Nesse sentido, a ideia é criar uma associação com a Prefeitura, Governo do Estado, Sebrae, Fecomércio, dentre outros parceiros. A prefeitura prevê entregar o Pavilhão de Exposições Augusto Severo até dezembro.

“Vamos ter lanchonete, lojas de artesanato, aviões em exposição, maquetes, simuladores de vôo”, diz o secretário Giovani. “Já adquirimos os equipamentos. Temos pesquisa feita, vários materiais, documentos, fotos, páginas de revista”.

Das as outras estruturas que formarão o Centro Cultural Trampolim da Vitória, será utilizado o Campo da Aeropostale/Air France, que teve suas origens no ano de 1927, quando aqui chegou Paul Vachet, a fim de instalar um aeródromo para a empresa francesa de aviação, dando início assim a história de Parnamirim.

Além deste espaço, será utilizado também a Estação da Lati, fundada em 1939 quando a Linee Aeree Transcontinentali Italiani (Linhas Aéreas Transcontinentais Italianas) construiu seu primeiro Hangar para ligação aérea das Américas com a Europa, em substituição aos alemães, envolvidos na 2ª Guerra Mundial. A Base Oeste da Ala 10, construídas originalmente pela aeronáutica em 1942, também será utilizada em parte.

Acervo da Fundação Rampa
Três grandes colecionadores do RN quando o assunto é Segunda Guerra Mundial – o major da PM Marcelo Borges, e os pesquisadores Fred Nicolau e Augusto Maranhão – fecharam parceria com a Prefeitura para exporem seus acervos no novo museu. Fred e Augusto integravam a Fundação Rampa, que, segundo o Fred, encerrou as atividades. Mas ele diz que os integrantes continuam atuando, promovendo palestras e disponibilizando o acervo para pesquisa. Agora ele informa que o acervo estará em exposição no novo museu em Parnamirim.

Alex Regis
Augusto Severo terá espaço expográfico no museu que contará a história de pioneiros da aviação

Augusto Severo terá espaço expográfico no museu que contará a história de pioneiros da aviação

Augusto Severo terá espaço expográfico no museu que contará a história de pioneiros da aviação

Dentre as peças estão livros, revistas, fotografias, mapas, maquetes, cartas, relatórios oficiais, uniformes, filmes do período, depoimentos de veteranos gravados em vídeo. Augusto, inclusive, possui um caminhão da época e peças de motores de avião utilizados na guerra.

Com os principais colecionadores potiguares da Segunda Guerra envolvidos com o projeto de Parnamirim, o Museu da Rampa em Natal vai acabar ficando numa situação difícil quanto a reunir material expográfico. “Desde 2012 a gente conversa com o Governo do Estado para firmar um acordo sobre o museu da rampa. Sete anos se passaram e nada. Não dá pra esperar a vida toda. Em Parnamirim a estrutura do aeroporto já está funcionando. É um projeto bem realista. A base é um lugar ótimo, com aviões levantando voo o tempo todo”, diz Fred. “O Museu da Rampa estava previsto para ser entregue em 2014 e até hoje não ficou pronto. Na época da guerra a Rampa foi construída em seis meses. E do zero! Mas pra fazer esse museu chegamos no terceiro governante no estado e o espaço não fica pronto”.

Colaborou: Cinthia Lopes
Editora








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