Aula de inspiração

Publicação: 2020-12-30 00:00:00
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Com respeito e vênia ao Floresta do Ceará , grande é o América de Natal. Expostas, lado a lado, tradição e campanha geral de cada um, é cesariana, de Júlio César, Imperador de Roma,  a superioridade do América. 

Créditos: Divulgação

Faltam dois jogos ou 180 minutos para o América andar um passo a mais na sua redenção, voltando à Série C para depois programar a chegada na Segunda Divisão. 

Nas decisões, danem-se as teorias, as frescuras táticas, os medos patológicos que dominam o futebol anêmico nacional. Joga-se pelo 0x0 como se pela vida fosse. 

Técnico nunca teve a importância que lhe dão no miserê de agora. Sempre entregou camisa para craque jogar. Acabaram os craques, cismaram  de dar poder de imperador a treinador. 

O América enfiou 5x1 no adversário do Acre. O Acre sempre foi bom  na exploração e venda de borracha. A bola nem sei se é mais de couro, porém se de tecido de mortalha a fizessem, ainda assim seria domada pelo América no confronto do  mata-mata da funesta Série D. 

Existem os times tradicionais, de camisa(e tem time sem camisa?) e os sazonais, efêmeros, temporários, por onde escorre o vinho estragado do jogo sujo de bastidores da bola. O América haverá de escalar alguém ou um meio-time para prestar atenção nos escaninhos dessa batalha. 

O América é de Natal e Floresta tem um estado potente  por trás. Floresta foi melhor saída que o Mirassol de São Paulo. América e Floresta se conhecem e o América venceu uma e empatou outra na primeira fase. Nenhum terror à vista. Floresta é o desconhecido no Ceará de primeira divisão. Há um porém: se chegou até onde está, deve ser respeitado. 

Os interesses de São Paulo, de onde é o Mirassol,  nem sempre frutificam na horta da normalidade, vide os vergonhosos 6x0 que o ABC tomou do Guarani pela Série C no Brinco de Ouro da Princesa em outubro de 2016. 

Perdeu de seis e se deu por satisfeito, parecia uma alegre jovem quando ganha, dos pais ricos, um carro motor 1.0 para exibir  às amiguinhas. O ABC começou a definhar naquela noite. 

Então é preciso que o América tenha cuidado. E prepare seus jogadores. Jogadores em geral vivem  conectados a smartphones, Ihones, Ipads, Ifedes e marias-chuteiras  by academias de ginástica. Eles precisam – os do América – saber que o jogo é de carne e retrospecto. Talvez mais retrospecto do que carne. 

Uma boa saída seria mostrar aos atuais componentes do time do América, a marcha vitoriosa do clube ao longo de 105 anos. Sua supremacia em competições nacionais se comparado com os adversários daqui e de estados semelhantes ao Rio Grande do Norte, atualmente pouca coisa pior do que o Amapá em representatividade administrativa e política nacional. 

Mostrar aos boleiros que o América de hoje é pobre diante do que foram seus precursores.  Os homens de 1973, os liderados de Hélcio Jacaré, maior jogador do clube,  goleariam qualquer amontoado de Série B, que dirá do calabouço da D. 

Enfim, o passado não é o utensílio inútil que os tecnológicos modernos teimam em zombar. O passado ensina. 

O América está com a faca, o queijo e a alma pulsando em tons vermelhos para mandar às favas os cafundós da Série D. Com os jogadores resolvendo  – sem necessitar de dinheiro extra -, incorporar o espírito de Moura, o herói do acesso de 1996(para a Série A) ou de Max(autor do gol da ascensão à elite dez anos depois), será um senhor reforço. Transpirar o suor das glórias do América. Cantar seu hino. Ver no Youtube seus maiores feitos. É aprendizado. Não é defeito.  

Arrogância 
Um ex-presidente do América foi barrado no vestiário do clube após a vitória contra o Coruripe.  Ordem teria partido do técnico. 

Dois errados 
Errados os dois: ex-presidente não tinha nada que se meter no que deixou. E o técnico despejou  arrogância.  Técnico, repito, é empregado. E empregado dá ordem na casa dele. Atento, presidente Ricardo Valério. Comando  é seu. 

Pobreza 
A entrevista com o diretor de futebol do ABC, domingo,  aqui na Tribuna foi  de indigência tribal. Parece que o ABC é time raquítico  de campeonato de bairro. O rapaz não tem culpa. Cumpre ordem. 

Saudade 
De Bira Rocha, Severo Câmara, Sebastião Medeiros, Aluízio Bezerra, Prudêncio. Leonardo Arruda, Flávio Anselmo. Para gerir o ABC era requisito autoridade. Entender  de futebol também. Com malandragem.

Mistério 
Quem casa e batiza no ABC é o importado Rafael Fernandes. Fracassou  em sua missão mercantilista no  Vila Nova(GO). 

Soba 
Herdeiro das Casas Bahia, Saul Klein, é dissecado em suas deformações morais. Mantinha  harém de prostituição e estupros segundo o Fantástico. Cotado a investir no ABC. 

Exemplo 
Klein é citado  como exemplo em vídeo do  popularíssimo responsável pela transformação do ABC em SA. A performance é divertida. Queria saber a opinião de Deuzinha, torcedora-símbolo. Sobre SA. 

Vasco 
Presidente Jorge Salgado prioriza campeonatos de favela e femininos. Acabou o Almirante. 








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