Chikungunya cresce 36,5% no Rio Grande do Norte este ano

Publicação: 2019-06-25 00:00:00 | Comentários: 0
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Os casos de Chikungunya no Rio Grande do Norte tiveram um crescimento de 36,5% em relação ao ano de 2018. Enquanto em 2019 foram confirmados 604 casos da doença no Estado, em 2018, no mesmo período de tempo analisado, 383 haviam sido confirmados. A doença foi a única das três arboviroses analisadas no Boletim Epidemiológico que teve um crescimento registrado na quantidade de casos em relação ao ano passado, diferente da zika e da dengue, que tiveram uma queda no número de casos.

O que ocorre no Estado, segundo CCZ, são novas pessoas sendo infectadas com o mesmo vírus em circulação desde 2016
O que ocorre no Estado, segundo CCZ, são novas pessoas sendo infectadas com o mesmo vírus em circulação desde 2016

De acordo com o coordenador do Centro de Controle de Zoonoses de Natal (CCZ), Alessandre Medeiros, o que existe atualmente não se trata de uma epidemia de Chikungunya ou um novo vírus, mas sim de novas pessoas contraindo o mesmo vírus que circula desde 2016. “O que nós temos é que, agora, pessoas que não contraíram a doença naquela época estão pegando”, explica Alessandre.

A capital potiguar foi, sozinha, responsável por 1.378 notificações de casos suspeitos de Chikungunya, 5.577 de dengue e 77 de zika vírus.

Dentre as arboviroses, a dengue foi a doença que apresentou queda mais acentuada. De 2018 para 2019, a queda foi de 68,7%. Enquanto no ano passado foram 7.058 casos confirmados, este ano foram 2.207.

Para Alessandre, a queda no número de casos pode também estar associada ao fato de que nem todas as pessoas que apresentam os sintomas fazem os exames para comprovar a doença. “A Chikungunya tem um diferencial, que são as dores intensas nas articulações, o que faz com que as pessoas procurem o sistema de saúde e façam os exames para comprovar se estão de fato com a doença. Com a dengue, já não acontece tanto isso, porque muitos optam por se tratar em casa", afirma.

O número de casos graves da doença também diminuiu: enquanto em 2018 foram registrados 233 casos de "dengue com sinais de alarme", e 26 como "dengue grave", em 2019 a quantidade de casos com sinais de alarme caiu para 106, e a de casos graves, para 10. De acordo com as amostras analisadas, há dois subtipos do vírus da dengue circulando no Rio Grande do Norte: o tipo 1 e o tipo 2.

O Zika vírus é outro cujo número de notificações segue em queda. Esse ano, foram registrados 150 casos prováveis de Zika. No mesmo período de 2018, foram 269 casos prováveis. Enquanto no ano passado 33 casos já estavam confirmados até a semana epidemiológica número 22, período analisado pelo Boletim, este ano nenhum caso foi confirmado no Estado até o momento.

O boletim também chama atenção para um fenômeno: municípios que aparecem com baixa infestação de mosquitos que transmitem a doença, mas com alta incidência de casos de dengue. Essa situação, de acordo com o Boletim Epidemiológico, pode estar associada à "baixa qualidade na pesquisa da infestação do vetor".

O caso mais grave é o do município de Vera Cruz, localizado na região metropolitana de Natal. A cidade de pouco mais de 12 mil habitantes, distante 37 km da capital teve o índice de infestação vetorial igual a zero no mês de março. Paralelamente, a incidência de casos de dengue a cada 100 mil habitantes chegou a 113,60.

O inverso também acontece: em alguns municípios, as taxas de incidência do vetor são altas, mostrando que há infestações de mosquitos Aedes aegypti, mas a quantidade de casos da doença é baixa. Essa situação, afirma o relatório, "pode estar associada à subnotificação dos casos de dengue que dão entrada no serviço de saúde desses municípios".

O exemplo mais visível é é o da cidade de João Dias, município da região Oeste. Na cidade, os índices de infestação do Aedes aegypti foram de 11,1, mas a taxa de incidência de dengue foi zero. O mesmo aconteceu com outros 15 municípios, como Felipe Guerra, Santana do Seridó, São João do Sabugi e Rafael Godeiro.

Estoque de inseticida é baixo no estado
Uma das formas utilizadas para combater o mosquito Aedes aegypti, responsável por transmitir a dengue, zika e chikungunya, é por meio dos "carros fumacê", que pulveriza inseticida pelas ruas para matar os mosquitos. No Rio Grande do Norte, no entanto, o Estado ainda aguarda o envio de uma nova leva por parte do Governo Federal, e os estoques estão baixos.

De acordo com o coordenador do Centro de Controle de Zoonoses de Natal, Alessandre Medeiros, na capital, a pulverização ainda está acontecendo com o restante do inseticida distribuído ainda no ano passado, e os agentes estão precisando selecionar de forma criteriosa as áreas onde serão borrifados.

“Estamos tendo que filtrar melhor o uso dos inseticidas. Teoricamente, deveria ter chegado mais desde o início do ano, mas ainda não recebemos”, afirma Alessandre. Para o coordenador do Centro de Controle de Zoonoses, o racionamento do produto durante o período chuvoso deve deixar as autoridades em alerta. “Os nossos estoques estão muito reduzidos, o que preocupante nesse período do ano, por causa das chuvas. O ideal seria que essa distribuição fosse feita nos meses em que há uma redução no número de casos, para que as ações pudessem ser planejadas”, completa.

O inseticida que abastece os carros fumacê é comprado de forma centralizada pelo Governo Federal, em parte, por causa do preço, em parte, porque sua ação nos mosquitos precisa ser controlada para ver se ele desenvolve alguma resistência ao veneno - o que já ocorreu com dois dos três tipos de inseticida utilizados no país, de acordo com Alessandre. Só depois de ser adquirido pela União o inseticida é repassado para o Estado e, posteriormente, para os municípios.

Números

Dengue
2.207 casos confirmados no Estado em 2019

7.058 casos confirmados no Estado em 2018

68,7% foi a queda de casos confirmados de dengue em relação ao mesmo período no ano de 2018

Chikungunya
604 casos confirmados no Estado em 2019

383 casos confirmados no Estado em 2018

36,5% foi o crescimento de casos confirmados de Chikungunya em relação a 2018

Zika
269 casos suspeitos no Estado em 2018, dos quais 33 foram confirmados

150 suspeitos no Estado em 2019, zero confirmados

44,2% foi a queda no número de casos suspeitos em relação ao ano passado





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