Aumento de assaltos e roubos a bancos agravou apagão bancário no RN

Publicação: 2020-02-16 00:00:00
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O aumento de assaltos e roubos a agências bancárias e caixas eletrônicos também contribuiu para diminuir o serviço de saque nas cidades menores do Rio Grande do Norte e do Brasil. Em 2017, 57 cidades do Estado – ou seja, uma a cada três – tiveram agências bancárias, dos Correios ou carro-forte como alvo de criminosos. No ano seguinte, 22 cidades foram alvos e em algumas delas o crime ocorreu mais de uma vez.

Créditos: Magnus NascimentoEm Lagoa D’Anta, nos últimos anos, assaltos e roubos aconteceram contra a agência do Correios, que terminou por encerrar a prestação do serviço de saqueEm Lagoa D’Anta, nos últimos anos, assaltos e roubos aconteceram contra a agência do Correios, que terminou por encerrar a prestação do serviço de saque

Um fator que favorece o crime é o baixo efetivo policial dessas cidades. Em Lagoa D'Anta, apenas uma viatura circula pela cidade. Assaltos e roubos já aconteceram no local contra a agência do Correios (que hoje não presta mais serviço de saque) e caixas eletrônicos (também inexistentes). "Não tem agência porque não tem segurança necessária", relata Eduardo Guedes, proprietário de uma farmácia no local.

Guedes é correspondente bancário há cerca de oito anos, mas por temer assaltos não faz a divulgação ampla do serviço. É tudo no boca a boca, sem anúncios em carros de som e adesivos de bancos. "E a gente tenta nunca ficar com dinheiro no caixa. Nunca tem muito para o saque", diz.

Os registros policiais dos últimos anos mostram que, com exceção de Nova Cruz, todas as cidades próximas a Lagoa D'anta foram alvos de crimes contra agências bancárias ou caixas eletrônicos. Em Santo Antônio do Salto da Onça, criminosos tentaram explodir a única agência bancária existente na cidade em dezembro do ano passado, do Banco do Nordeste. O crime foi evitado pela presença da Polícia Militar.

A reabertura das agências acontece, mas com redução de serviços. Em 2017, o Banco do Brasil chegou a afirmar à TRIBUNA DO NORTE que a prioridade para reabertura de agências era centrada em serviços que não envolvam dinheiro.

Segundo a Polícia Civil, 10 tentativas de crimes a caixas eletrônicos ou agências bancárias frustrados aconteceram no ano passado. A diminuição dos crimes mostra a precaução dos bancos ou da própria população em oferecer os serviços que envolvem dinheiro. Em 2016, por exemplo, São Miguel do Gostoso, no litoral norte, fechou todas as instituições financeiras a pedido dos próprios empresários após um caixa ser explodido. O pedido foi motivado pelo temor das ações se tornarem constantes e manchar a imagem da cidade, que sobrevive do turismo.

Rede nacional
Os grandes bancos privados do Brasil fecharam 430 agências em todo território nacional no ano passado. Segundo reportagem da Agência Estado, são menos dez mil pontos físicos na rede de atendimento. Com o avanço dos serviços digitais, o número de trabalhadores também se tornou menor. Itaú Unibanco, Bradesco e Santander diminuíram as equipes em 6,9 mil pessoas. As saídas foram motivadas, principalmente, por programas de demissão voluntária (PDVs).

A expectativa dessas instituições é de que os cortes de despesas ajude a compensar, em 2020, menores margens financeiras e crescimento contido nas receitas de serviços e tarifas. O lucro dos grandes bancos tem sido impactados pelo aumento do número de atuantes no setor com a multiplicação das empresas de tecnologia que atuam com serviços bancários (chamadas “Fintechs”). Outro fator que afeta o modelo tradicional são as mudanças regulatórias, como a do cheque especial, que limitou os juros mensais em 8% desde janeiro.

O Itaú fechou 200 agências no quarto trimestre de 2019. Apenas no Brasil, a rede encolheu em 172 pontos. No ano, foram encerradas 436 unidades, empurrando a rede física para 4,504 mil pontos, considerando Brasil e América Latina. Para 2020, a sinalização do banco, ao menos até aqui, é de que o ritmo de fechamento de agências vai diminuir.

O rival Bradesco seguiu a mesma direção, com o adendo de que não conseguiu cumprir sua meta do lado das despesas, que cresceram 7,2% no ano passado, acima da projeção de no máximo 4%. Com uma rede de 4,4 mil agências, o banco enxugou sua rede em mais de 100 pontos no ano passado. A maioria fechou as portas no último trimestre. Na outra ponta, o Santander Brasil abriu 45 agências no mesmo período.

A meta do Bradesco para 2020 é fechar outras 300 agências. Para compensar o estouro da projeção de custos no ano passado, o banco estabeleceu orçamento base zero de gastos para 2020, com áreas como tecnologia de informação, marketing e patrimônio tendo de gastar menos que no ano passado.