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Aumento de casos de Covid-19 coloca o RN em estado de atenção
Publicado: 00:00:00 - 07/04/2020 Atualizado: 23:03:51 - 06/04/2020
Ícaro Carvalho
Repórter

A elevação do número de casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus colocaram o Rio Grande do Norte, conforme estudo do Ministério da Saúde, em estado de atenção. Com taxa de incidência de 7 casos diagnosticados por cada grupo de 100 mil habitantes, o Estado ocupa a sexta posição nacional no ranking de Coeficiente de Incidência de Covid-19 no país. A taxa local está acima da nacional, que é de 5,7 por cada grupo de 100 mil habitantes.  

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O Ministério da Saúde dividiu os Estados em três grupos, com base na média nacional de incidência de casos que é de 5,7 por 100 mil habitantes. No grupo dos Estados em situação de emergência estão aqueles com 50% acima da incidência nacional (Distrito Federal, 15,5; Amazonas, 12,6; Ceará, 11,0; São Paulo, 10,5; e Rio de Janeiro, 8,4. Em estado de atenção, além do Rio Grande do Norte (7,0) está Roraima, com 6,7 por 100 mil habitantes. Os demais Estados se colocam em situação de alerta, com incidência que variam de 5,6 a 0,7 por 100 mil habitantes. 

O coeficiente de incidência por 100.000 habitantes foi calculado considerando a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2020. 

De acordo com o último boletim da Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap), o Estado possui 246 casos confirmados em 22 municípios do Estado e sete óbitos por coronavírus. São 2.363 suspeitos e outros 774 descartados. 

Óbitos confirmados
Até o dia 6 de abril de  2020, foram registrados 553 óbitos no país, o que representou uma letalidade de 4,6%. Nas últimas 24 horas foram informados 67 óbitos confirmados, o que representou um incremento de 14% (67/486) em relação ao total acumulado até o dia anterior. 

As maiores taxas de letalidade foram registradas no Sudeste (5,5%; 390/7.046), seguido de Nordeste (4,2%; 92/2.167) e Norte (3,3%; 26/791). As Unidades Federativas com o maior número de óbitos confirmados por Covid-19 foram São Paulo (304), Rio de Janeiro (71), Pernambuco (30), Ceará (29) e Amazonas (19). Até o momento, conforme dados do Ministério da Saúde divulgados nesta segunda-feira, 6, apenas dois Estados da região Norte (Acre e Tocantins) não apresentaram óbitos confirmados de Covid-19.

Projeção
A curva de crescimento de casos de Covid-19 no Rio Grande do Norte pode chegar a 1.113 nos próximos sete dias, de acordo com um estudo divulgado pela Fiocruz Bahia semana passada. Se essa projeção se concretizar, o crescimento dos casos da doença no Estado pode chegar a 352%.

O painel da Fiocruz Bahia  permite que o usuário visualize os dados atuais e a evolução dos casos de coronavírus em todos os estados no Brasil.

Ele integra a primeira ação lançada pela Rede CoVida, uma iniciativa conjunta do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que reúne colaboradores de diversas instituições científicas de forma solidária. Toda a plataforma de monitoramento foi desenvolvida por quatro profissionais, em colaboração com dezenas de pesquisadores, que atuaram remotamente ao longo de 10 dias, seguindo recomendações do Ministério da Saúde.

De acordo com Gabriela Borges, estatística do Cidacs/Fiocruz Bahia e uma das responsáveis pelo painel de monitoramento, uma das preocupações era oferecer uma visualização de dados compreensível para todos os públicos. “Utilizamos bibliotecas de web para desenvolver um painel que apresentasse os dados e predições de forma fácil de ser interpretada”, relata. 

Segundo Juliane Oliveira, doutora em matemática pela Universidade do Porto e uma das responsáveis pela modelagem, os números indicam que estamos ainda no início da pandemia. “O modelo usado por nós já mostra um aumento crescente do número de casos no Brasil”, afirma.

O modelo matemático implantado pelo grupo traz dados que podem ajudar os gestores públicos a tomarem decisões baseadas em evidências científicas. “O gestor que observa um modelo pode se antecipar na quantidade de leitos, nos tipos de leitos, nos materiais necessários e recursos humanos a serem recrutados no preparo dos sistemas e assistência à saúde”, explica Juliane Oliveira. 

A equipe de modelagem da Rede CoVida é formada por cerca de 50 pesquisadores, entre eles matemáticos, epidemiologistas, estatísticos, físicos, cientistas da computação e bioinformatas. Todo o grupo está empenhado na execução de cálculos que projetam cenários futuros sobre a pandemia no Brasil e em pesquisas de evidências científicas em várias áreas envolvendo o novo coronavírus.

Veja abaixo o ranking nacional elaborado pelo Ministério da Saúde
Divulgação















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