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Natal
Aumento de crianças obesas está relacionado à renda familiar
Publicado: 00:00:00 - 07/08/2022 Atualizado: 16:32:03 - 06/08/2022
O crescimento do número de crianças obesas no Rio Grande do Norte, especialmente de dois anos para cá, tem relação direta com a renda das famílias que, segundo Rossana Mello, chefe do setor de Nutrição do Hospital Varela Santiago, é consequência de outro importante fator para as estatísticas: a pandemia de covid-19. “Sem dúvida, o maior impacto é o da crise sanitária, porque as crianças ficaram isoladas em casa, deixaram de frequentar a escola e de praticar atividades físicas”, explicou.

A qualidade nutricional é outro ponto que merece atenção, resultado, segundo a nutricionista, do declínio na renda familiar, decorrente do aumento do número de desempregados durante o recrudescimento da crise sanitária. “Com isso, a prioridade foi dada a alguns alimentos que não são tão saudáveis e as crianças passaram a adotar hábitos incorretos na pandemia, em função da grande safra de desemprego”, pontua a nutricionista.

Rossana Mello alerta que as causas da obesidade são variadas e têm relação com a questão genética, qualidade e quantidade nutricional, sedentarismo, dentre outros fatores. “Estudos recentes apontam que bebês amamentados durante seis meses, pelo menos,  têm melhor pré-disposição a ser um adulto mais saudável. Já crianças que consomem muita comida industrializada têm mais chances de desenvolver a doença”, detalha.  

O tratamento é feito por uma  equipe multidisciplinar, que envolve o acompanhamento de  médicos, nutricionista e até psicólogo.  “Inicialmente, é preciso controlar as taxas metabólicas básicas (colesterol, glicose, triglicerídios) e, em paralelo é necessário um plano alimentar com um nutricionista para uma alimentação balanceada. Além disso, a criança deverá praticar atividades físicas e, em alguns casos,  que envolvem ansiedade e depressão, fatores que potencializam a obesidade, é preciso um psicólogo”, esclarece Rossa Mello. O tempo de tratamento, aponta, varia de paciente para paciente.

A professora do Departamento de Pediatria da UFRN, Iluska Medeiros, orienta que as crianças devem ir rotineiramente ao pediatra. “Deve-se avaliar o crescimento e o ganho de peso, bem como é preciso uma conversa sobre alimentação e hábitos, além de atividade física e excesso do uso de telas”, afirma. 

“A ida da criança regularmente ao pediatra permite identificar mudanças no ganho de peso e intervenções, até mesmo antes de se instalar a obesidade. Os sinais de alerta são: mudanças rápidas de peso, aumento do apetite, aumento do consumo de alimentos industrializados e ultraprocessados, redução da atividade física e outros”, explica Iluska, que é coordenadora do Núcleo de Tratamento da Obesidade Infantil do Varela Santiago, em Natal.

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