Ausência de Fátima Bezerra em leitura de mensagem anual provoca críticas; base minimiza

Publicação: 2020-02-04 00:00:00
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A governadora Fátima Bezerra quebrou uma tradição de chefes do  Poder Executivo comparecerem à Assembleia Legislativa para fazer a leitura da mensagem anual na sessão de abertura do não legislativo. A ausência da governadora na Casa, ontem de manhã, foi criticada, principalmente, por deputados de oposição, enquanto parte da situação citou o fato de que o Regimento Interno da Assembleia faculta à chefe do Executivo fazer a leitura da mensagem anual diante dos deputados.

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Deputados estaduais abrem oficialmente as atividades do novo período da Assembleia

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Parlamentar com maior número  de mandatos – dez — atualmente na Assembleia, o deputado estadual Getúlio Rego (DEM) disse que em 38 anos de Legislativo, “foi a primeira vez que um governador não participou da tradicional seção de abertura dos trabalhos com a leitura da mensagem governamental”. Para o deputado Getúlio Rego, isso  foi “profundamente lamentável” que a governadora do Estado tenha, “depois de uma longa trajetória de participação nas lutas populares no Estado e acessar o cargo mais importante da política estadual, tenha fugido dessa responsabilidade institucional de abrir os trabalhos do novo período legislativo”.

Getúlio Rego opinou que a governadora Fátima Bezerra “perdeu uma grande oportunidade  de, com humildade, reconhecer que as lutas que a levaram ao topo da gestão do Rio Grande do Norte, não poderiam ser apagadas com um gesto de fuga”.

O  líder da maioria na Assembleia, deputado Kelps Lima (SD), não compareceu à sessão solene de abertura do ano legislativo, mas já no domigo (02), ele usou as redes sociais para criticar a postura da governadora de se ausentar da Assembleia: “Fátima dá um tiro nas costas do servidor, que ela sempre iludiu.  O PT sempre pregou que a máquina pública podia tudo, que a reforma da previdência era um demônio e agora, quando ela senta na cadeira, colocou a PEC do teto dos gastos, colocou a reforma da previdência e já já vai fazer privatizações”.

Kelps Lima lembrou, inclusive, que o candidato do seu partido a governador em 2018, “perdeu as eleições porque não mentiu. E Fátima mentiu e agora cospe no prato que comeu. Seu governo alem de incompetente é covarde e mentiroso”. Para Lima, a governadora “ajudou a construir essa máquina inchada e agora não tem outra alternativa além de fazer as reformas”. Segundo Kelps Lima, a governadora do Estado precisa “encarar de frente seus erros e suas mentiras e está envergonhando o servidor” o servidor que votou no PT.

O líder do governo, deputado George Soares (PL), ponderou que “naturalmente que o Poder Legislativo gostaria muito de receber a governadora, como era de praxe, mas entendemos a posição dela e respeitamos, que era de realmente não inflamar mais a relação com os servidores, que protestavam legitimamente em frente a casa de forma respeitosa”.

George Soares disse que houve da parte da governadora “apenas uma quebra de protocolo, mas que não retira o que foi feito pelo chefe do Gabinete Civil, Raimundo Alves”, o qual entregou a mensagem anual do governo ao presidente da Assembleia, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB).

O próprio Ezequiel Ferreira disse que a governadora cumpriu o Regimento Interno da Casa, “pode ler ou encaminhar” a mensagem anual para  a Assembleia. Ele disse que “não podia responder de cabeça”, mas afirmou que isso “já aconteceu outras vezes, isso é uma questão pró forma”.

Já o chefe  do Gabinete Civil do governo, Raimundo Alves Júnior, que esteve na Assembleia para entregar a mensagem impressa, disse que não houve uma quebra de tradição politica “tão grande”. “Se procurar nos últimos anos, todos os governos praticamente só vieram (fazer a uma leitura da mensagem anual) no primeiro ano”, afirmou.

Raimundo Alves Júnior declarou, ainda, que a governadora só não veio à Assembleia “por  uma situação respeito aos servidores” à  manifestação que estavam fazendo na praça 7 de Setembro, “até porque diz respeito a um objeto que nem está ainda na Assembleia”. Sem o comparecimento da governadora à Casa, o deputado Ezequiel Ferreira apenas abriu a sessão solene, chamou autoridades à mesa e concedeu à palavra ao secretário, deputado Vivaldo Costa (PSD), que deu como recebida a mensagem de Fátima Bezerra.

As galerias estavam quase vazias, inclusive sem a presença de servidores exibindo faixas de protestos no interior da Assembleia, que contou com a presença de 111 dos 24 deputados estaduais, dos quais dois eram da oposição,  Getúlio Rego (DEM) e Coronel Azevedo (PSC).

Da situação, compareceram os deputados Francisco do PT,  Isolda Dantas (PT), Kleber Rodrigues, Ubaldo Fernandes e George Soares  (PL) , Vivaldo Costa (PSD), Raimundo Fernandes e Ezequiel Ferreira (PSDB) e o independente deputado Sandro Pimentel (PSOL).

Justificativa
A governadora Fátima Bezerra (PT) havia antecipado em nota, já  no domingo (02), que não iria comparecer à Assembleia Legislativa para a leitura de sua segunda mensagem anual. Ela dizia que sua presença na Assembleia "acirraria" os ânimos dos servidores, que tinham manifestação programada para a manhã de ontem e deflagrado greve de 48 horas em protesto contra a reforma da previdência estadual.

"Não irei ao Legislativo acirrar uma discussão que está em plena negociação, que é o caso do projeto de reforma da previdência. A minha luta com estes, que são companheiros de uma vida inteira, é e sempre será no campo do diálogo", dizia Fátima Bezerra.

A governadora ainda afirmava: "Nós lutamos no plano nacional contra a reforma da previdência da maneira como foi concebida e aprovada. Mas perdemos no Congresso, fomos derrotados. A função que ocupo hoje com muito orgulho, de governadora de todos os potiguares, não me permite escolhas . Eu sou obrigada a cumprir a lei.  A reforma é obrigatória".