Autônomos usam aplicativos para driblar crise financeira no RN

Publicação: 2019-05-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

Nem só de grupos, influenciadores e jogos vivem os aplicativos. Com a queda do número de vagas formais no mercado de trabalho, as pessoas vem buscando novas fontes de renda, alternativas fora do mercado formal para vender seus produtos e serviços, e os aplicativos vem sendo uma delas. Pelas plataformas, muitos conseguem divulgar seu trabalho e, pelos próprios aplicativos, gerenciam as relações com clientes, inventário de produtos, vendas e entregas.
Aos 21 anos de idade, Ronaldo Lima, que estava desempregado, decidiu se cadastrar para fazer entregas de bicicleta pelo Uber Eats
Aos 21 anos de idade, Ronaldo Lima, que estava desempregado, decidiu se cadastrar para fazer entregas de bicicleta pelo Uber Eats (Magnus Nascimento)

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, relativa ao 4º trimestre de 2017, 50,7% dos potiguares utilizavam a internet somente por telefone celular, superando o número de acessos por meio de computadores e tablets (47,9%), o que revela o potencial de crescimento dos aplicativos no Estado para geração de trabalho e serviços.

Se, por um lado, as novas plataformas propiciam um espaço para que as pessoas possam obter uma nova fonte de renda, além de fomentar o mercado da tecnologia da informação criando novas oportunidades, por outro, geram também questões inerentes ao século XXI, sobre transformação das relações de trabalho, qualidade de vida e saúde.

No novo modelo, o cliente passa a ter um papel mais ativo, no qual a sua avaliação pode interferir diretamente na continuidade do serviço oferecido. Reduzem-se, também, a necessidade de espaços físicos, e o trabalhador tem mais autonomia sobre seu processo produtivo e horários de trabalho, além da forma como são administrados os lucros e rendimentos obtidos pelo serviço prestado.

Para isso, no entanto, muitos abrem mão de direitos garantidos pela CLT: 13º, férias e, em muitos casos, para manter uma renda mínima, até mesmo fins de semana. Contribuições para  aposentadoria também ficam de fora para muitos. O fenômeno já tem nome, e está sendo estudado por áreas que vão do direito às ciências sociais: “uberização do trabalho”.

No Brasil, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva, 5,5 milhões de profissionais estão cadastrados nas plataformas do Uber, 99, Cabify e IFood, todos aplicativos relacionados ao transporte de passageiros ou entregas.  Na Região Metropolitana de Natal, somente a plataforma Uber,  há dois anos e meio no Estado, tem cerca de 11 mil motoristas cadastrados. O dado é da Cooperativa de Motoristas de Aplicativo de Mobilidade Urbana (Compar/RN).

Aos 21 anos de idade, Ronaldo Lima é um dos que acaba de integrar o contingente. O jovem, que estava desempregado e não cursa ensino superior, conta que se inscreveu para fazer entregas de bicicleta pelo Uber Eats, aplicativo de entrega de comidas e bebidas da Uber. “Na verdade, nem a bicicleta eu tinha. Peguei emprestada de um amigo”, relata Ronaldo, que em sua primeira semana como entregador, atendeu em média 4 pedidos por dia. “Pego por volta das 10h aqui [a equipe encontrou-o na rua Princesa Isabel, na Cidade Alta, onde entregadores costumam ficar aguardando os chamados dos restaurantes para realizar as entregas], e fico até às 15h. Vou pra casa e almoço. De lá, já sigo para a praça do McDonald's, e onde fico até umas 20h30”, relata.

Os pedidos para entregadores de bicicleta são mais escassos pois, de acordo com as regras do aplicativo, eles só podem fazer entregas a pedidos distantes no máximo 3 km do restaurante. O valor da remuneração também não é alto: não costuma ultrapassar os R$ 25 diários. “É melhor do que estar parado. Mas a gente fica sempre procurando outra coisa também, porque realmente não dá pra se manter”, diz o jovem.













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