Autores de mortes ainda não foram identificados

Publicação: 2018-01-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Após um ano do massacre que vitimou 26 detentos em Alcaçuz, a Polícia Civil ainda não conseguiu concluir o inquérito que identificaria os autores da chacina. Na edição do último dia 31 de dezembro da TRIBUNA DO NORTE, o diretor da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Marcos Vinícius, disse que as investigações só devem ser concluídas em em junho.

A Polícia Civil já ouviu centenas de pessoas, entre policiais militares, agentes penitenciários e presos, para tentar identificar os autores específicos da chacina. Sem resultados conclusivos até então. Assim, o Ministério Público do Rio Grande do Norte ainda não denunciou nenhum preso pela autoria das mortes da rebelião.
Rebelião começou no dia 14 de janeiro de 2017
Rebelião começou no dia 14 de janeiro de 2017

Procurado pela reportagem, o órgão ministerial se manifestou por nota e informou estar esperando a DHPP concluir as investigações. Por isso, até o momento, só denunciou quatro presos acusados de terem liderado o motim. “O MPRN denunciou, em fevereiro de 2017, quatro dos seis presos identificados como sendo os chefes da rebelião por participação em organização criminosa. Atualmente, eles estão sob custódia do Sistema Penitenciário Federal. A investigação sobre esses quatro denunciados segue sob sigilo. Os outros dois identificados seguem presos pela prática de outros crimes”, comentou o órgão.

Memória


“Após a rebelião, o Complexo de Alcaçuz passou por reformas na estrutura física e nos procedimentos seguidos pela equipe responsável pela custódia dos detentos”, complementou a nota do MPRN.

*Tarde de 14 de janeiro de 2017. Sábado. Os últimos familiares de presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz saem da maior unidade prisional do Rio Grande do Norte, localizada no município de Nísia Floresta, Grande Natal. Tudo parece como qualquer outro dia de visitas. Mas algo dá errado.

*A gritaria cresce aos poucos na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, um anexo de Alcaçuz conhecido, inclusive, como Pavilhão 5.

*Os agentes penitenciários que guardam o lugar veem uma massa de homens com armas cortantes improvisadas avançar. Eles carregam barras de ferro, paus, facões artesanais. A onda de fúria em forma de gente afugenta os servidores, que não conseguem conter o avanço. O acesso para o Pavilhão 4 de Alcaçuz, onde estavam abrigados rivais da facção inimiga, está livre.

*Começa o caos, uma batalha campal. Aquele é o início de um verdadeiro massacre.

*Até hoje o Estado ainda apura como tudo aconteceu, mas relatos de presos e agentes penitenciários à imprensa um ano atrás narram o início do chamado “Massacre de Alcaçuz" basicamente dessa maneira.

*O Rio Grande do Norte virou o centro das atenções do mundo, durante as cerca de duas semanas após o dia 14 de janeiro de 2017. Uma guerra entre facções criminosas resultou na morte de, ao menos, 26 detentos (conforme informações do Governo) da penitenciária mais importante do estado. A maioria morreu decapitado ou por hemorragia.

*Durante a rebelião, familiares de presos se concentravam na porta da penitenciária. Todos queriam saber se seus entes queridos estavam bem. Também era comum ver mães, esposas, outros parentes e amigos falando ao celular. Do outro lado da linha estavam os presos sobreviventes.

*Não era raro jornalistas conversarem com os detentos exatamente via telefone. Homens tomavam os telhados dos pavilhões e hasteavam bandeiras com apologia a facções criminosas. A gritaria e a quebradeira da estrutura física do presídio podiam ser ouvidas de longe em praticamente todos os dias de rebelião.

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