AVC: equilíbrio contra o mal silencioso

Publicação: 2017-10-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Tadzio França
Repórter

Um mal súbito que pode ser previamente evitado com informação e hábitos saudáveis. Em outubro, mês do Dia Mundial do AVC (29/10), são intensificadas as campanhas em prol de um alerta maior sobre as especificidades dessa doença, cujo número de vítimas é alto. Prevenção é a palavra chave para 2017.
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Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 100 mil pessoas morrem todos os anos de AVC no Brasil, um número superior ao total de mortes por malária, tuberculose e Aids juntas. No mundo, são 17 milhões de AVCs por ano.

O Acidente Vascular Cerebral, também conhecido popularmente como “derrame”, é causado pela interrupção da circulação sanguínea  no cérebro, devido ao rompimento de um vaso sanguíneo ou bloqueio por um coágulo. Sem o fornecimento de oxigênio e nutrientes, o tecido cerebral sofre os danos que acarretam o AVC. É uma “evolução” silenciosa, daí a ocorrência súbita – que pode durar mais de 24 horas e deixar sequelas, ou causar a morte.

Prevenção e fatores de risco

“A prevenção tem como base o tratamento dos chamados fatores de risco vasculares”, afirma o neurologista Marcos Lima de Freitas. Os fatores mais comuns são hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia (elevação de colesterol e/ou triglicerídeos), tabagismo, alcoolismo, obesidade e sedentarismo. Portanto, manter hábitos de vida saudáveis é a melhor forma de se prevenir contra a doença cerebral.

Marcos Lima enfatiza que os fatores de risco já citados estão relacionados com o maior comprometimento das artérias, “aumentando a possibilidade de desenvolver doença ateromatosa, que é a formação de 'placas' nas paredes dos vasos, com consequente obstrução e isquemia”.
A fisioterapeuta neurofuncional Luciana Protásio ressalta que, além dos fatores de risco mais comuns, são acrescidos outros mais gerais como idade, sexo e raça, hereditariedade (histórico familiar), AVCs anteriores que a pessoa tenha sofrido, e até mesmo alguns determinantes sociais do país.

“Essa doença mata duas vezes mais as pessoas com baixos indicadores socioeconômicos”, afirma. “As pessoas que não conseguem controlar esses fatores fazem parte de um certo grupo de risco do AVC”, completa.

Dados locais

Luciana Protásio tem um dado local. Segundo ela, uma pesquisa realizada recentemente durante um ano no Hospital Walfredo Gurgel revelou que o principal fator de risco presente na população potiguar é a de hipertensão arterial sistêmica, presente em 85,4% dos casos. Seguido por tabagismo, com 50,5% dos casos. A fisioterapeuta acompanhou 433 pacientes que deram entrada com diagnóstico de AVC no HWG. “Pacientes que  apresentam mais de um fator de risco não controlado também se tornam mais vulneráveis à doença”, ressalta.

A procura de um tratamento médico especializado deve ser urgente após o AVC, segundo Marcos Lima. “Quanto mais rápido o serviço, maiores as chances de ser incluído no protocolo que visa reverter o quadro através de medicamentos e técnicas de desobstrução da neuroradiologia intervencionista”, explica.

Luciana Protásio ressalta que, além da abordagem hospitalar (urgência, internação e controle inicial do AVC), a reabilitação posterior à alta é um processo altamente importante. “Esse paciente pode ser assistido por vários profissionais de saúde focados na recuperação de seus movimentos, fala, cognição e independência funcional”, diz. O tratamento varia de acordo com o quadro clínico apresentado posteriormente, podendo envolver fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, e neurologista.

Aumento de casos e anticoncepcionais

Um fato recente que tem chamado atenção dos estudiosos é o aumento de casos de AVC acarretados pelo uso de anticoncepcionais. Apesar da incidência ainda baixa, desperta o cuidado entre mulheres. Foram criados anticoncepcionais de baixas dosagens hormonais para diminuir o risco, que mesmo assim ainda existe.  “Algumas mulheres são mais vulneráveis a problemas vasculares, tendo que ser mais bem assistidas e acompanhadas no uso desses medicamentos. O ideal é a mulher conversar sobre isso com o ginecologista, e caso já tenha sofrido AVC, comunicar o uso ao neurologista”, aconselha.

Vida quase normal

A jornalista Célia Freire estava dirigindo quando sentiu os primeiros sinais do AVC. “Na hora achei que estava tendo um infarto. O lado esquerdo do meu corpo estava 'pesado'. Parei o carro e ainda lúcida liguei para parentes e amigos informando que estava mal e precisando de ajuda. Fui levada para o Hospital do Coração, e só quando acordei mais tarde vi que passei por um AVC”, conta. Isso foi em agosto de 2011. Hoje, apesar das sequelas, Célia leva uma vida quase normal, trabalhando, dirigindo, tendo uma vida social. Ela se considera privilegiada. 
Ao sair do hospital, foram três meses de cadeira de rodas. E mesmo assim ela fez questão de ir trabalhar. Além dos medicamentos, Célia faz sessões de fisioterapia três vezes por semana, em casa, quando chega do trabalho à noite. O carro foi adaptado para que ela pudesse dirigir. “É como nascer e aprender tudo de novo: reaprender a andar,  falar, dirigir. É preciso ter paciência. É normal bater uma depressão, mas eu não quis me abater. O apoio que eu tive dos médicos, família e amigos foi fundamental nesse processo”, afirma.

Angiologia debate tema

O 2º Congresso Brasileiro de Angiologia e Cirurgia Vascular, que será realizado em Natal de 09 a 13 de outubro, no Centro de Convenções, vai reunir mais de dois mil especialistas para debater, entre vários temas, o AVC. O evento foi antecedido no sábado passado (07) por uma ação que trouxe cirurgiões vasculares, residentes da especialidade, acadêmicos e alunos ligados à Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular/RN para um grande “check-up” vascular gratuito no shopping Via Direta. O atendimento contou com informações a respeito das doenças vasculares, formas de prevenção e tratamento.

AÇÕES QUE PODEM EVITAR FATORES DE RISCO PARA AVC:
Controle a pressão alta;
Fazer exercícios físicos moderados cinco vezes por semana;
Manter uma dieta saudável e balanceada (mais frutas e verduras, menos sódio):
Reduzir o colesterol:
Manter o peso adequado:
Parar de fumar e evitar  a exposição passiva ao cigarro;
Reduzir a ingestão de álcool;
Identificar e tratar a fibrilação atrial (arritmia cardíaca);
Reduzir o risco de diabetes;
Se informar mais sobre AVC e seus riscos.

SINAIS DE ALERTA:
Fraqueza ou falta de coordenação em uma parte do corpo;
Perda de visão parcial ou completa;
Dormência numa metade do corpo;
Incapacidade de falar ou entender a fala;
Perda de equilíbrio e tontura;
Dor de cabeça muito forte.


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