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Baú reaberto: livro de personagem marcante da imprensa potiguar ganha 2ª edição
Publicado: 00:00:00 - 14/05/2022 Atualizado: 20:50:49 - 13/05/2022
Senso de humor afiado, tiradas satíricas e algumas polêmicas marcaram a breve mas intensa trajetória do jornalista e escritor Pedro Lopes Cardoso Júnior (1897-1934), um personagem marcante da imprensa potiguar do início do século passado. Ele terá parte de sua memória resgatada  com a reedição de “Bahú de turco”, obra de 1932 que a editora Sebo Vermelho lança neste sábado, a partir das 9h, na Cidade Alta. O livro é creditado a Sá-Poty, um dos vários pseudônimos que Pedro Lopes usou ao longo da vida. 

Alex Régis
O livro Bahú de turco, obra de 1932, do jornalista e escritor Pedro Lopes Cardoso Júnior (1897-1934), tem sua 2ª edição lançada neste sábado, a partir das 9h, no Sebo Vermelho, na Cidade Alta

O livro Bahú de turco, obra de 1932, do jornalista e escritor Pedro Lopes Cardoso Júnior (1897-1934), tem sua 2ª edição lançada neste sábado, a partir das 9h, no Sebo Vermelho, na Cidade Alta


“Bahú de turco” é o único livro impresso deixado por Pedro Lopes. Permaneceu durante décadas como uma raridade obscurecida pelo tempo. Uma das pessoas a ter um exemplar guardado em sua coleção é o jornalista Vicente Serejo, que o forneceu para a reedição do Sebo Vermelho. Segundo ele diz no prefácio, esta segunda edição “ilumina sua longa noite de silêncio”. “Bem humorado em tudo, Sá-Poty justifica o 'H' na grafia de Bahú como uma inutilidade que ninguém vai notar”, escreveu Serejo. 

O “bahú” que permaneceu 90 anos trancado, ao ser aberto revela a alma picaresca do jornalista que “causou” bastante durante a Natal da década de 20. O livro traz uma seleção de versos livres, poesia em prosa, causos, sátiras, tiradas cheias de críticas a variados personagens e comportamentos de sua época, desde o cotidiano do povão até pessoas da elite intelectual, social, e política. O texto “As calças da professora”, por exemplo, era muito popular nas rodas boêmias natalenses do começo do século XX. 

Pedro “Sá-Poty” Lopes nasceu na Cidade Alta, na rua que viria a ser a Avenida Princesa Isabel. Era um jovem inquieto por natureza: trabalhou como fiscal de tráfego (sem saber dirigir) mas não abria mão de participar das sociedades literárias, e escrever em jornais variados, desde o A Imprensa (do pai de Cascudo) até outros de curta duração. Entrou em várias polêmicas locais, mas sempre usando o humor como arma de ataque ou defesa. 

Após alguns anos de atuação nos jornalista natalenses, Pedro se mudou para Recife, onde prosseguiu sua carreira como jornalista. Foi lá que Sá-Poty nasceu, como um dos seus pseudônimos mais atuantes. Manteve por lá duas colunas diárias, uma de versos (“Um por dia) e outra de prosa (“Salpicos”).  Sua contribuição como jornalista, literato e, sobretudo, humorista, está descrita em textos, artigos, reportagens e crônicas em jornais e revistas da época. 

A trajetória de Pedro Lopes foi relatada por autores como  Câmara Cascudo (Acta Diurna), em cartas de Oswaldo Lamartine, na antologia 'Poetas do Rio Grande do Norte', de Ezequiel Wanderley, lançado em 1922; no livro de Manoel Rodrigues de Melo, “Dicionário da Imprensa no Rio Grande do Norte 1909-1987”, e na coleção "Natal 400 Nomes” (1999, Prefeitura de Natal), editado por Rejane Cardoso. Mais recentemente pela escritora-pesquisadora Cellina Muniz, em seu livro “Notícias da Jerimunlândia” (Sebo Vermelho).

A edição fac-similar do “Bahú” vem acrescida de textos do jornalista Vicente Serejo e das jornalistas Cinthia Lopes e Rejane Cardoso Serejo, respectivamente neta e sobrinha do autor. Para Cinthia, seu avô foi um operário da palavra. “A vida breve e inquieta não lhe conferiu um papel celebrado no jornalismo literário, mas sua passagem por tantas redações reforçam uma característica peculiar de alguns bons jornalistas”. 

Serviço:
“Bahú de Turco”, de Sá-Poty. Lançamento sábado, das 9 às 12h, no Sebo Vermelho, Cidade Alta. Preço: R$ 60.

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