Bailão de rua com tempero olindense

Publicação: 2018-02-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Olinda vai invadir Natal no domingo (11) de carnaval na cidade. Academia da Berlinda e Orquestra Contemporânea de Olinda, duas importantes bandas do cenário alternativo pernambucano, chegam para somar ritmos no palco Circuito dos Artistas, no Largo do Atheneu, em Petrópolis. A festa é comandada pela potiguar Orquestra Greiosa, que também convidou para o baile as conterrâneas Nação Zamberacatu e Skarimbó. A programação é gratuita e começa às 14h, puxada pela Charanga da Greiosa (braço percussivo da Orquestra Greiosa) e seguindo com shows até a meia noite.

Com 14 anos de estrada, Academia da Berlinda estreia no carnaval fazendo mistura de ritmos entre frevo, coco, maracatu e cumbia
Com 14 anos de estrada, Academia da Berlinda estreia no carnaval fazendo mistura de ritmos entre frevo, coco, maracatu e cumbia

Banda que nos últimos anos se tornou a queridinha dos natalenses, a Academia da Berlinda nasceu como uma  brincadeira entre músicos de importantes bandas pernambucanas para o carnaval de Olinda. A brincadeira deu tão certo que passado fevereiro os foliões clamaram por mais shows. O grupo então montou uma agenda de apresentações e partiu para um repertório autoral dançante. A sonoridade da Academia é um verdadeiro bailão de inspiração afrocaribenha com elementos nordestinos. Dentre os ritmos estão frevo, coco, maracatu, cavalo marinho, ciranda, forró, cumbia, afrobeat e carimbó.

Com 14 anos de estrada, a Academia se apresenta no Carnaval de Natal pela primeira vez. “Estamos muito felizes de tocar em Natal novamente! E agora pela primeira vez no carnaval da cidade! Esperamos que o público se divirta e dance bastante, que mais pessoas conheçam nosso trabalho e fortaleçam o circuito independente do Nordeste. O carnaval é uma ótima oportunidade para fazer isso acontecer”, diz o cantor e baixista Yuri Rabid em entrevista ao VIVER. Ele completa a formação da banda junto com Alexandre Urêa (voz e timbales), Tiné (voz, pandeiro e maraca), Gabriel Melo (guitarra), Hugo Gila (sintetizador), Irandê César (bateria e percussão) e Tom Rocha (percussão e bateria).

Bate papo com Yuri Rabid (Academia da Berlinda)
O palco Circuito dos Artistas vai promover um encontro da música olindense com a potiguar. Você vê muitas semelhanças entre Olinda e Natal?
Muitas! São cidades culturalmente vivas, com a música e o mercado independente em plena atividade. Cidades litorâneas, quentes e que passam isso em forma de música. Com certeza será um ótimo carnaval e ficamos felizes de poder participar e levar um pouco de Olinda pra Natal e trazer um pouco de Natal conosco. Cada ida a cidade tem sido desta forma e desta vez não será diferente.

Nos últimos dois anos a Academia da Berlinda fez várias apresentações em Natal. Foi uma surpresa para vocês ter essa aceitação tão grande com o público potiguar?
Foi uma surpresa muito boa e uma relação construída ao longo dos anos. Percebemos a cada show o público crescer e achamos que o fato de tocar com certa frequência na cidade contribui para a consolidação dessa relação que foi criada com Natal. Quando recebemos o convite para tocar no carnaval nem pensamos duas vezes.

Nessas indas e vindas a Natal deu para conhecer a produção musical da cidade?
Deu pra perceber que a produção musical da cidade está em um bom movimento, fazendo acontecer na instiga e na gana que um mercado precisa para se manter vivo, com shows, festas e festivais expressivos. Talvez uma semelhança com Recife/Olinda é que o circuito independente não é muito grande, mas mesmo com as dificuldades, muitas vezes com a falta de incentivo do poder público ou políticas que fortaleçam e fomentem a cultura (sobretudo a cultura popular), a galera toca o barco e faz funcionar. Grande parte dos shows que fizemos em Natal, foi com a parceria de produtores locais e de espaços que vestiram a camisa.

Dos discos da Academia da Berlinda, o “Olindance” (2011) parece ser o mais querido pelos natalenses. É um trabalho que tanto remete ao carnaval como ao cotidiano de Olinda – a capa já revela muito sobre isso. Como é o processo criativo da banda?
Nosso processo criativo é quase todo coletivo. As vezes um dos músicos chega com uma ideia de letra e a partir daí vamos desenvolvendo. Outras vezes começamos a tocar sem ideia alguma. Com relação ao “Olindance”, a ideia inicial foi de tentar retratar a forma de se viver em Olinda, o movimento da cidade. Colocamos a tapioca da Sé, a bodega do véio, o carnaval, a cidade inteira dentro de um disco. A capa também foi criada a partir desta ideia.

Como está o planejamento de vocês para 2018?
Estamos em processo de composição para um próximo álbum, ainda sem data para lançamento. Queremos aproveitar bastante o processo criativo até ter uma boa quantidade de músicas, para então parar e pensar no contexto do disco. Queremos um trabalho em torno de dez faixas. Ainda está tudo no campo das ideias, muito solto, mas o caminho para o próximo disco é por aí. De shows, temos algumas datas no Sudeste já para depois do carnaval.


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