Balança alcança superávit de US$ 1,152 bilhões, menor saldo para fevereiro desde 2015

Publicação: 2021-03-02 00:00:00
Lorenna Rodrigues
Agência Estado

Brasília - Depois de iniciar o ano com déficit, a balança comercial brasileira fechou o mês de fevereiro com superávit de US$ 1,152 bilhão. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (1º), pela Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia. O valor é 50,4% inferior ao registrado em fevereiro de 2020, quando o resultado havia sido positivo em US$ 2,325 bilhões. Trata-se, ainda, do menor saldo para o mês desde 2015, quando foi registrado um déficit de US$ 2,8 bilhões. O saldo de fevereiro ficou pouco acima da mediana das estimativas, que indicavam superávit de US$ 1,0 bilhão, com intervalo entre US$ 242 milhões a US$ 2,6 bilhões.

Créditos: Magnus NascimentoNo mês passado, as exportações somaram US$ 16,183 bilhões, uma alta de 3,9% ante fevereiro/ 2020No mês passado, as exportações somaram US$ 16,183 bilhões, uma alta de 3,9% ante fevereiro/ 2020

No mês passado, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) avançou 8,2%. As exportações somaram US$ 16,183 bilhões, uma alta de 3,9% ante fevereiro de 2020. Já as importações chegaram a US$ 15,030 bilhões, um avanço de 13,4% na mesma comparação. Na quarta semana de fevereiro (22 a 28), o saldo comercial foi de superávit de US$ 1,005 bilhão.

Depois de segurar as exportações brasileiras em 2020, o setor agropecuário teve queda de US$ 15,38 milhões (-10,8%) em fevereiro. Houve crescimento de US$ 31,77 milhões (13,8%) nas vendas da indústria extrativa e de US$ 17,31 milhões (3,5%) em produtos da indústria de transformação.

Já nas importações, houve aumento de US$ 2,76 milhões (14,9%) em Agropecuária e de US$ 83,7 milhões ( 12,4%) em produtos da indústria de transformação e queda de US$ 570 milhões (-1,4%) em Indústria Extrativa.

Efeitos
O superávit comercial registrado pelo Brasil em fevereiro foi impactado por um aumento de importações desencadeado pela compra de insumos para a produção nacional e a nacionalização de plataformas de petróleo. Houve aumento na compra de insumos para a indústria de eletroeletrônicos e de adubos e fertilizantes. Além disso, houve a nacionalização de plataformas de petróleo em fevereiro, que somaram US$ 1,4 bilhão. A nacionalização se dá por questões tributárias, para aproveitar benefícios da legislação brasileira.

"O aumento de importações vem em um contexto de melhora da atividade econômica observado desde o segundo semestre do ano passado. Há incertezas em relação à economia, mas o comércio mundial está em nível superior ao que estava no pré-covid. Mas ainda é difícil saber se esse aumento de importações vai se manter", explicou o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão.

Segundo Brandão, a expectativa é de crescimento em 2021 tanto em exportações, quanto em importações, e de um saldo comercial "robusto". "A exportação depende da demanda mundial e, a importação, da economia interna. Esperamos crescimento nas duas" completou.

Agropecuária
A queda de 10,8% registrada nas exportações agrícolas em fevereiro se deu, principalmente, pela safra tardia de soja registrada em 2021, explicou o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão. "Veremos maiores embarques de soja a partir de março", completou. Já o aumento de 13,8% na venda de produtos da indústria extrativa foi puxado principalmente pelo aumento do preço do minério de ferro de mais de 75% no mês.

No primeiro bimestre, houve queda de 8,6% nas exportações para a União Europeia, principalmente por conta da entressafra agrícola e na redução e embarques de óleo bruto. Houve aumento de 11,2% para a Ásia, 16,5% para a América do Sul e 4,8% para a América do Norte. Já pelo lado das importações, houve redução de 22,6% dos produtos vindos dos Estados Unidos.

Segundo Brandão, isso se deve, principalmente, porque a base de 2020 estava inflada pela nacionalização de plataformas de petróleos. Houve crescimento de 25,4% da América do Sul, com aumento de cereais, farinhas, trigo e partes de veículos automotivos.