Economia
Banco Central afirma que 8,5 mil pedidos de devolução de recursos foram feitas, somando R$ 900 mil
Publicado: 00:00:00 - 26/01/2022 Atualizado: 00:59:12 - 26/01/2022
Eduardo Rodrigues
Agência Estado

Brasília - Apesar do "apagão" no site do Banco Central, a autoridade monetária informou que 79 mil cidadãos conseguiram acessar o Sistema Valores a Receber (SVR) desde a segunda-feira (24). Foram feitas 8,5 mil solicitações de devolução de recursos, totalizando R$ 900 mil. Para que o site do BC voltasse a funcionar normalmente, a instituição foi obrigada a pausar o SVR no começo da tarde dessa terça-feira (25).

Alex Régis
BC informou que foi obrigado a pausar o SVR devido à alta demanda e para ajustar o sistema que volte a funcionar normalmente

BC informou que foi obrigado a pausar o SVR devido à alta demanda e para ajustar o sistema que volte a funcionar normalmente


"O Sistema Valores a Receber (SVR) teve grande aceitação entre os cidadãos, gerando demanda muito superior à esperada. Essas demandas representam um pequeno primeiro passo frente ao potencial de R$ 3,9 bilhões e 28 milhões de CPF e CNPJ nessa primeira fase. O BC está trabalhando para retomar o SVR o mais rapidamente possível para que esse valor possa ser transferido para os cidadãos", reafirmou a instituição.

O sistema permite que cidadãos e empresas consultem se têm algum dinheiro "esquecido" a receber em bancos e demais entidades do sistema financeiro. Os valores recuperados são transferidos pelas instituições financeiras via Pix em até 12 dias úteis.

A consulta é feita na página Minha Vida Financeira, dentro do site do BC, apenas usando o CPF ou CNPJ da empresa. Segundo o BC, as informações disponibilizadas no novo serviço são de responsabilidade das próprias instituições, mas o órgão estima que há cerca de R$ 8 bilhões de recursos nesta condição.

Fora do ar

O site do Banco Central ficou indisponível desde o início da manhã dessa terça-feira. O BC afirmou que a indisponibilidade do site no período da manhã se deve ao excesso de consultas no sistema Valores a Receber (SVR), lançado na segunda-feira pela autoridade monetária. 

Com a indisponibilidade do site, a divulgação de resultados de leilões hospedados no portal da instituição ficou comprometida. Entre os dados indisponíveis estão resultados de operações compromissadas, resultados de leilões de swap e de títulos do Tesouro Nacional. 

Na época do anúncio do sistema, em junho de 2021, a autarquia disse que é comum que as pessoas não saibam ou não se lembrem da existência dos saldos. "Em algumas situações, os saldos a receber podem ser de pequeno valor, mas pertencem aos cidadãos que agora possuem uma forma simples e ágil para receber esses valores", afirmou o BC nesta terça, em nota.

As pessoas físicas e jurídicas que têm valores a receber poderão solicitar o resgate via Pix no Registrato (https://www3 bcb.gov.br/registrato/login/), sistema do BC em que a população pode consultar informações financeiras como empréstimos em seu nome, dívidas com órgãos públicos, entre outras.

Para essa opção, é necessário, contudo, que os bancos ou instituições financeiras tenham aderido a um termo específico junto ao BC. A outra alternativa é informar os dados de contato no Registrato e, em seguida, a instituição financeira deve informar o meio de pagamento ou transferência.

Segundo o órgão, a partir desta terça, as instituições autorizadas que tenham valores a devolver receberão documento com os dados dos usuários que já solicitaram a devolução com indicação de chave Pix, e terão 10 dias úteis para fazer a transferência. "No caso das instituições que não aderiram ao Termo de Adesão, a devolução deverá ser feita na forma acordada entre as partes após o contato do usuário pelos canais da instituição informados no sistema", disse o BC.

A consulta e devolução de valores estão divididas em duas fases. Na primeira etapa, já disponível, são cerca de R$ 3,9 bilhões de valores a serem devolvidos, com recursos de conta-corrente ou poupança encerradas com saldo disponível, além de tarifas, parcelas ou obrigações relativas a operações de crédito cobradas indevidamente (com devolução prevista em Termo de Compromisso do banco com o BC). Também estão incluídos nessa fase cotas de capital e rateio de sobras líquidas de beneficiários e participantes de cooperativas de crédito, assim como recursos não procurados relativos a grupos de consórcio encerrados.

O BC prevê que a segunda fase deve ser iniciada ainda no primeiro semestre de 2022. Nessa etapa, estarão disponíveis recursos de: tarifas e parcelas ou obrigações relativas a operações de crédito cobradas indevidamente, previstas ou não em Termo de Compromisso com o BC; contas de pagamento pré-paga e pós-paga encerradas com saldo disponível; contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários encerradas com saldo disponível; entre outros.

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