Banco de Leite Humano do RN está com estoque zerado

Publicação: 2020-05-23 00:00:00
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Mariana Ceci
Repórter

A situação do Banco de Leite Humano do Rio Grande do Norte atingiu um ponto crítico com a chegada da pandemia do Covid-19. Com estoques baixos desde o mês de dezembro, o banco chegou ao quinto mês de 2020 sem reposição, distribuindo integralmente todas as doações anteriormente recebidas. De acordo com a Coordenação do Banco de Leite Humano da Maternidade Escola Januário Cicco, a principal dificuldade enfrentada atualmente é a falta de profissionais para operacionalizar as atividades. Desde o começo da pandemia, muitos profissionais com comorbidades ou com 60 anos ou mais, que se enquadravam no grupo de risco para desenvolver um quadro grave de Covid-19, tiveram que se afastar das atividades e, atualmente, apenas 33% permanece trabalhando.

Créditos: Magnus NascimentoEstoque do Banco de Leite Humano da MEJC está quase zerado por cauda da pandemia de CovidEstoque do Banco de Leite Humano da MEJC está quase zerado por cauda da pandemia de Covid


De acordo com Ana Zélia Pristo, que coordena o Banco de Leite Humano do Estado na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), ainda há doadoras, porém o número teve uma queda desde o começo da pandemia. “Não estamos estocando nada, o que estamos pegando, estamos distribuindo. Estamos tendo que priorizar os bebês que estão na Mãe Canguru e nas UTIs, há uma grande demanda", declarou.

A queda no número de doadoras, de acordo com a coordenadora, está entre 30% e 40%. O ideal para conseguir suprir a demanda do Estado, inclusive dos hospitais privados que também demandam os serviços, é de uma captação de 15 litros de leite por dia. Em uma reportagem veiculada em março pela TRIBUNA DO NORTE, o Banco já havia informado que, naquela época, as doações não ultrapassavam os 180 litros mensais, equivalente a 6 litros por dia, menos da metade da litragem considerada ideal. Na época, ainda não havia sido registrada uma queda tão acentuada no número de doadoras. A Maternidade Divino Amor, em Parnamirim, por exemplo, já se encontrava em situação crítica desde o começo do isolamento social, com captação de apenas 1 ou 2 litros de leite humano por dia.

A queda nas doações de leite materno não é exclusividade do Rio Grande do Norte. Bancos de leite em diversos Estados brasileiros têm registrado quedas no número de doadoras, e os estoques estão baixos ou inexistentes, como é o caso local. O medo do novo Coronavírus e a necessidade de isolamento social são alguns dos outros obstáculos enfrentados para garantir as doações, além do afastamento de profissionais especializados na coleta, processamento e distribuição do leite humano.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano orienta a população que as doações podem e devem continuar durante a pandemia, para evitar zerar os estoques. Não há indícios de que o Coronavírus possa ser transmitido através do leite materno, e a coleta em casa teve os cuidados de higienização redobrados para garantir a segurança da mãe, de seu filho, e do bebê que vai receber a doação.

Fluxo de atendimento aumenta 
Unidade de referência para atendimento de gestação de alto risco e recém-nascidos prematuros no Rio Grande do Norte, a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), onde é feito o processamento das doações ao Banco de Leite Humano, passou a adotar medidas que visam a proteção de gestantes, acompanhantes e profissionais de saúde. Durante a pandemia, os índices de atendimento aumentaram em mais de 30% na unidade, com uma média de 12,3 procedimentos diários. 

Créditos: Magnus NascimentoMaternidade Escola Januário Cicco apela para que mães doem o excesso de leite que produzem para aumentar o estoque do bancoMaternidade Escola Januário Cicco apela para que mães doem o excesso de leite que produzem para aumentar o estoque do banco


A Maternidade não é um dos centros designados para atender casos de Covid-19, mas tem recebido um fluxo maior de pacientes encaminhados de outras maternidades estaduais, como o Hospital Santa Catarina, na zona Norte, para desafogar as demais unidades de referência estaduais, parte da pactuação feita com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). 

Dessa forma, a Maternidade acaba funcionando como unidade de retarguarda para pacientes da 3ª Região de Saúde. Desde a pactuação, que data de 45 dias atrás, 814 internações e 517 partos foram feitos na unidade. 

De acordo com a assessoria de comunicação da Maternidade, não há casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 em pacientes internadas na MECJ. Uma das medidas adotadas para garantir o encaminhamento rápido de qualquer pessoa que possa chegar à unidade apresentando sintomas foi um implantar uma estrutura móvel de triagem, na área externa da Maternidade. 

Obtida em parceria com a Fecomércio RN, a Maternidade está utilizando o caminhão do Sesc Saúde da Mulher, onde está sendo feita a triagem das pacientes. Caso alguma apresente, durante esse procedimento, qualquer sintoma de Covid-19, é encaminhada para outras unidades especializadas que possam oferecer o atendimento. No Rio Grande do Norte, o Hospital Santa Catarina, na zona Norte de Natal, é referência para atendimento de mulheres grávidas com sintomas ou diagnosticadas com a Covid-19.

“Uma medida protetiva para que os atendimentos às diversas patologias possam continuar em curso e as demais unidades de saúde se organizassem para receber pacientes da Covid-19”, disse a gerente de Atenção à Saúde da MEJC, Maria da Guia de Medeiros Garcia. 

Quem pode doar leite materno?
Mulheres que estejam amamentando e produzem um volume de leite além da necessidade do bebê. De acordo com a legislação, a doadora deve estar saudável, não usar medicamentos que impeçam a doação e se dispor a doar o excedente a um banco de leite humano. O número para contato na Maternidade Divino Amor, em Parnamirim, é: (84) 3272-4367. Interessados também podem entrar em contato com o do Banco de Leite Humano da Maternidade Escola Januário Cicco, através do número (84) 3342-5800






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