Banquete no ano inacabado

Publicação: 2019-12-07 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

No início, um som de atabaque ou tumbadora, outro de afoxé com as contas roçando em cabaças, dando a crer uma canção de ritmo latino. Um berro anuncia outra coisa e entra a voz de Mick Jagger seguida de um teclado eletrônico. É “Sympathy for the devil” na faixa um pedindo passagem, se apresentando na ilustração musical como alguém de bom gosto que rouba almas e esteve presenciando Cristo diante da bacia do governador Pilatos.

A letra brinca no diálogo entre seres, mortais ou não, um deles avisando que o mistério do seu nome intriga o outro, que também não compreende a natureza do seu jogo. Há referências escondidas ao assassinato do czar russo, aos bombardeios em campos e corpos vietnamitas. Tudo como um diabo solto na curva do destino daquele ano conturbado, que dizem que Jagger quis até alterar o título da música para Kennedy, assassinado antes do disco aprontar.

Muito já se escreveu sobre 1968, sua conjuntura maluca e renovadora, seus pontos de mutações na política, na economia e na cultura. E muito já se repetiu que foi o ano que começou e jamais terminou. E os Rolling Stones no meio.

Antes que fechasse o ano, num dia como o de ontem, 6 de dezembro, o LP “Beggars Banquet” (Banquete de Mendigos) chegou nas lojas, coroando o ano de grandes discos que mexeram com o mundo lá fora e aqui dentro do Brasil.

Duas semanas antes saiu o emblemático “Álbum Branco” dos Beatles; em outubro Jimi Hendrix consolidava seu gênio com Electric Ladyland; e em julho o The Doors tinha escalado com “Waiting for the Sun” o mais alto da Bilboard.

Por aqui, nos trópicos, a revolução sonora estourou com o LP “Tropicália ou Panis et Circencis”, num banquete de cérebros com Caetano, Tom Zé, Os Mutantes, Gil, Nara Leão e Gal, além de uma penca de poetas endiabrados.

O disco dos Rolling Stones fechando o ano cantando simpatia pelo demônio coroava o ano icônico. E deixava para a história o legado de Brian Jones, que morreria no ano seguinte, sem antes cravar um conceito no LP de despedida.

Gravado entre fevereiro e junho de 1968, o disco tinha o conceito de Brian num afastamento do rock lisérgico e um retorno ao blues e ao velho rock ‘n’ roll, mesmo que seu corpo e mente já estivessem em visível fadiga de lucidez.

Foi uma farra a produção nos estúdios Olympic, de Londres, na presença de ilustres convidados como Marianne Faithfull e o cineasta Jean-Luc Godard, que consta como o desastrado autor de um princípio de incêndio no local.

Se na faixa um, não se tem a guitarra de Keith Richards, na dois, “No Expectations”, vem a execução divina do violão de Brian Jones. Aliás, um toque Bob Dylan que Raul Seixas copiou em “Gita”. Ou seria Paulo Coelho?

O banquete dos Stones tem suculentos tons de blues, country e rock ‘n’ roll, como quis Brian, e tem letras carregadas de contestação como queriam os outros e os outros e os outros, no meio da sala e nas bordas do planeta.

O trabalho não só varava as madrugadas, mas também começava com ela, onde um insone Mick Jagger queimava baseados enormes enquanto Keith Richards tentava limpar acordes e solos no acústico enfumaçado do banheiro.

Os belos acústicos nas mãos feitas de jazz de Charlie Watts eram a comprovação de êxito do produtor Glyn Johns. As letras enviavam sinais às multidões que marchavam em Paris, Londres, Nova York, Cidade do México.

E o LP “Beggars Banquet” reverberou em todo o canto, vendeu muito nos dois centros da indústria pop, Londres e Nova York, amadureceu os Stones e ficou para sempre como a última luz de um Brian Jones afundado na escuridão.

Privatização
A prefeitura de São Paulo vai faturar R$ 1,7 bilhão com a privatização do Ibirapuera e mais outros cinco parques da cidade. O ágio foi de 3.000%. Enquanto isso, Natal e o RN na miséria dos pruridos estatais e ideológicos.

Justiça
Enfim, foi feito justiça contra o linchamento moral e ideológico do professor Alípio de Sousa, e a UFRN vai pagar indenização. Fica a pergunta: aquela histeria universitária ocorreria se o mestre ainda tivesse filiação partidária?

Topo Gigio
Voz polêmica na cena cearamirinense, Eduardo Varela Gois batizou a deputada federal do PT como Natália Topo Gigio. Como não percebo exageros nas orelhas da moça, talvez seja pelo sobrenome da criadora, Maria Perego.

Cásper Líbero
Foi quinta-feira, na charmosa Livraria da Vila, na Vila Madalena (Sampa), que o jornalista Dácio Nitrini lançou a biografia “Cásper Líbero, Jornalista Que Fez Escola”, da editora Terceiro Nome. Dácio é casado com a potiguar Tânia Vidal.

Macau Memória
Neste sábado, o jornalista e sociólogoTadeu Oliveira, colaborador aqui da TN, lança o livro “Água de Grau – Macau que ainda se busca”, com suas memórias da terra das salinas. Será durante os festejos da padroeira N. Sra. Conceição.

Albion FC
Sábado de superclássico na Inglaterra com Manchester City x Manchester United com TV para o Brasil. E tem Everton x Chelsea, Tottenham x Bunrley, Bournemouth x Liverpool e Watford x Crystal Palace. Entre 9h30 e 14h30.


Liverpool
O jornalista Milton Neves publicou em seu site Terceiro Tempo que o técnico alemão do Liverpool, Jürgen Klopp, e o meio-campo holandês Wijnaldum, afirmaram após a goleada sobre o Everton que não conhecem o Flamengo.

Provocação
A atriz portuguesa Maria Vieira, famosa no Brasil nas parcerias com Miguel Falabella, ganhou as páginas lusitanas provocando Cristiano Ronaldo, seu antigo desafeto. A mulher rasgou elogios à sexta Bola de Ouro de Messi.

continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários