Barracão de experiências teatrais

Publicação: 2016-02-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

O formato ainda está indefinido, a única certeza é que a escola livre de teatro pensada pelos Clowns de Shakespeare não seguirá a cartilha, mas a primeira atividade oficial de formação desta nova empreitada do grupo está em curso. A oficina “Laboratório da Cena”, na verdade uma vivência artística de duas semanas, movimenta o Barracão Clowns desde a segunda-feira (15) com presença de 21 atores e atrizes vindos de várias partes do Brasil e alguns de outros países, selecionados a partir de chamada pública.
DivulgaçãoCom escola em processo de construção, grupo Clowns de Shakespeare recebe atores locais e de outros estados para a primeira etapa do Laboratório da CenaCom escola em processo de construção, grupo Clowns de Shakespeare recebe atores locais e de outros estados para a primeira etapa do Laboratório da Cena

“Estamos no processo de construção e não sabemos se vamos assumir a nomenclatura de ‘escola’, com alunos, professores, grade curricular... Como se trata de uma troca permanente de conhecimentos e experiências, queremos algo não convencional”, disse o diretor de teatro Fernando Yamamoto, dos Clowns de Shakespeare. O Laboratório, de acordo com Yamamoto, é o carro-chefe do processo: “Pensamos num modelo  de formação baseado em ações pedagógicas pontuais, específicas e independentes, que estarão sob esse mesmo guarda-chuva (o do  Laboratório da Cena). Sem que sejam, necessariamente, uma continuidade da outra”, explicou.

Os alunos, quer dizer, os 21 participantes da oficina foram escolhidos de um universo de 262 inscritos oriundos de dez estados das cinco regiões do País – destes, cerca de 200 pessoas são do RN. Os Clowns também receberam duas inscrições internacionais, da Argentina e do Equador. O critério de seleção se baseou na experiência e no potencial de cada candidato, que precisou passar por duas etapas antes de ser confirmado: análise de currículo mais entrevista por internet (no caso dos inscritos de fora do RN) e aula prática (no caso dos potiguares).

“Tivemos a difícil tarefa e o privilégio de tirar 20 nomes dentre 260, buscamos formatar um grupo que fosse interessante também para nós no sentido de troca”, esclareceu o diretor. O perfil da turma nesse primeiro ciclo está equilibrado: as vagas foram praticamente divididas meio a meio por potiguares e artistas de outros lugares. “O resultado final está em aberto, não estamos trabalhando com um objetivo específico”, avisa.

As aulas “por enquanto” ocupam o Barracão Clowns, sede da trupe em Nova Descoberta, de segunda à sábado das 14h às 21h. “Digo ‘por enquanto’ pois o desafio agora é continuar desenvolvendo nossos trabalhos e tocando projetos paralelos, enquanto absorvemos essas novas demandas”. O tema a ser trabalhado ao longo da oficina/vivência reflete o momento atual dos Clowns, cujas pesquisas se debruçam sobre a dramaturgia Latino Americana.

Em tempo: os Clowns de Shakespeare também ministram curso de formação teatral em Parnamirim, e parte da experiência por lá serviu como pilar pedagógico para configurar o Laboratório da Cena. Outra meta dos Clowns é a de criar cursos de formação em frentes específicas como a de dramaturgia.

Formação nos bastidores
Como a procura por vagas no Laboratório da Cena foi grande, Fernando Yamamoto adiantou que os Clowns irão abrir outras duas no mês de março: uma para atender iniciantes interessados na arte teatral e outra para formadores (professores de teatro, encenadores e artistas que trabalham com grupos de escolas, igrejas). Esta segunda, inédita, concentra foco em como estruturar o trabalho de grupo (de teatro) para ações pedagógicas.

Uma terceira oficina, voltada para o público infantil, também está nos planos. “Sei que muitos não vão seguir carreira, mas essa talvez seja a melhor maneira de realmente trabalhar a formação de plateia de que tanto se fala. Não acredito que distribuir ingressos em escolas seja suficiente e mais relevante que oferecer a oportunidade da criança experimentar, viver e ver o teatro sob outro ponto de vista”, pondera Yamamoto.

As inscrições para iniciantes e formadores já estão abertas, informações no site clowns.com.br ou através do telefone 3221-1816.

Atores buscam novas realidades
A natalense Tiziane Virgílio, radicada em Manaus (AM), está na lista dos artistas de fora do RN selecionados para a oficina Laboratório da Cena Clowns de Shakespeare. Toda sua carreira profissional como atriz foi construída por lá, e seu objetivo principal é viver a experiência. “Os Clowns são referência nacional, sempre quis muito trabalhar de alguma forma com eles, e como não estou vinculada a nenhuma companhia quero ter esse contato com o trabalho ‘do’ grupo e ‘de’ grupo; saber como funciona, ter noção da dinâmica, dos processos e de como funciona o fazer teatral onde cada um tem uma função definida. Vim com esse foco”, justificou.

Ela acrescenta que a “relevância” de fazer parte da vivência “é ter contato com pessoas de diferentes realidades. Acredito que isso, além de agregar enquanto artista, também nos ajude na gestão da própria carreira de ator”.

O que
A oficina “Laboratório da Cena Clowns de Shakespeare” está inserida em projeto aprovado pelo Programa Rumos Itau Cultural 2014, onde os Clowns propõem a criação de uma escola livre de teatro em Natal. De lá para cá, os integrantes dos Clowns visitaram várias escolas no Brasil e outros países da América Latina para conhecer quais os métodos, modelos e formatos melhor se adequavam à realidade local.

O processo que desembocou no Laboratório contou com consultoria especializada de Chico Pelúcio, gestor cultural ligado à área de formação do Grupo Galpão de Teatro (MG); e de Maria Thaís, professora da USP e diretora da Cia Balagan, nome ligado à organização de planos pedagógicos de outras escolas livres de teatro.

A primeira turma do Laboratório da Cena é formada por Alice Carvalho, Ana Amália de Morais Feitosa, Arlindo Bezerra, Bárbara Cristina, Cleuma Alexsandra Sousa Morais, Daniela Beny Polito Moraes, Fernanda Cunha Nascimento, Francisco Antônio Cruz de Sousa, Franco Willamy Lima da Fonseca, Joanisa Prates Boeira, Paulo Lima Firmino, João Victor Meneses Duarte, Joesile Gomes Cordeiro, Louryne Gouveia de Oliveira Simões, Marcos da Câmara, María Sol González Sañudo, Miguel Damha, Paulo Sérgio Barros Gurgel, Renan Villela Alves, Silmara Pereira da Silva, Thiago Medeiros e Tiziane Virgílio.


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