Barragem Armando Ribeiro Gonçalves recupera volume; outros reservatórios seguem secos

Publicação: 2019-04-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Sílvio Andrade
Repórter

A barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório de águas do Rio Grande do Norte, atingiu ontem (15), a barreira dos 30% de volume em relação à sua capacidade geral, de 2,4 bilhões de metros cúbicos. Em 2018, o maior nível da barragem foi 29%. É possível que no próximo final de semana, as reservas hídricas totais do Estado que estão no nível de 30% ultrapasse os 31% atingidos no ano passado.

O Gargalheiras (acima), em Acari, está seco a exemplo do Dourado, em Currais Novos e o Itans, em Caicó está no volume morto. Os três dependem de chuvas na Paraíba
O Gargalheiras (acima), em Acari, está seco a exemplo do Dourado, em Currais Novos e o Itans, em Caicó está no volume morto. Os três dependem de chuvas na Paraíba (Foto: Jobel Araujo/Jobdrone)

Esta situação atual, explicou o  diretor-presidente do Instituto de Gestão das Águas (Igarn), Francisco Caramuru Paiva, é superior a igual período de 2018 e sinaliza uma tendência das chuvas se normalizarem e entrarem em um ciclo de precipitações normais nos próximos quatro anos.

A situação atual dá uma autonomia de pelo menos dois anos de abastecimento para o RN. Se as reservas hídricas chegarem a 40%, a previsão de autonomia sobe para três anos, com a previsão de chover nos próximos quatro anos.

A barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, no município de Assu, chegou ontem ao volume de 743,2 milhões de metros cúbicos de água que correspondem a 30,97% de sua capacidade total. “Agora ela (a barragem)  já está nessa condição de recuperação”, descreveu o diretor-presidente.

O volume atual da barragem, analisou Francisco Camuru Paiva, representa três grandes resultados: aumento da autoestima da população do RN, que tem 90% de seu território no semiárido. “Quando se tem notícia de chuvas, o humor das pessoas muda”.  O  segundo resultado é na área social porque indica um melhor  fornecimento de água para a população.

Por último, disse, sinaliza retomada da economia. O setor agropecuário registrou em 2018 um prejuízo de R$ 2,4 bilhões e com a recuperação da capacidade hídrica pode-se também recuperar a geração de  emprego e renda, apostou o gestor do Igarn. “É o setor que mais oportuniza emprego. Esse resultado é o Estado se recolocando em uma rota e nós estamos na iminência de passar do resultado do final do ciclo das chuvas”.

As chuvas não têm caído de forma uniforme nas regiões do Estado mas de qualquer forma garantem a compensação da perda do volume nos sete anos de estiagem. O Alto Oeste, a chamada “tromba do elefante”, foi a região mais afetada com a seca, e este ano tem tido boas recargas como o reservatório Encanto, no município de mesmo nome, que já sangrou. O açude Marcelino Vieira, no município de Marcelino Vieira, está com um volume de 90% de sua capacidade , e Riacho da Cruz II, em Riacho do Cruz,   também sangrou. Todos estão se recompondo apesar do açude de Pau dos Ferros, na mesma região, estar em volume morto.

Seridó
Apesar das chuvas que têm caído no interior do Rio Grande do Norte, os grandes reservatórios da região do Seridó ainda não tiveram nenhuma recarga significativa. O Gargalheiras, nome popular da barragem Marechal Dutra, em Acari, está seco a exemplo do Dourado, em Currais Novos. O Itans, em Caicó está no volume morto.

Esses reservatórios dependem da ocorrência de chuvas na cabeceira do rio Piranhas/Assu, que recebe água da Paraíba. A Armando Ribeiro Gonçalves também depende das chuvas da Paraíba mas de um sistema diferente. Para se ter uma ideia, o município de São Rafael, bem próximo da Armando Ribeiro, não tem  boa recuperação no momento, enquanto no Vale do Açu, tem chovido muito e o excesso tem preocupado pelo grande volume, comparou o diretor do Igarn.

A barragem Armando Ribeiro, disse Francisco Caramuru, está  tomando um fôlego que dá para atender bem a região Central do Estado. Somente a região do Seridó que foge ao padrão e está desnivelada em relação às chuvas. Ele explicou que parte da região é abastecida pela barragem.

No geral, o cenário está melhorando e o decreto de calamidade em 148 dos 167 municípios do RN em razão da seca, se confirmado o final do ciclo das chuvas no final de maio com mais precipitações, é possível que pelo menos mais de 100 municípios saiam dessa situação, previu Francisco Caramuru.

A recarga pode favorecer a retomada das atividades que dependem do bom nível de água nos reservatórios. “Se houver um ambiente favorável para a criação de gado, produção agrícola, produção de hortaliças, agroecologia, de frutas, criação de peixes, e camarão, reaja e produza novamente (aos níveis anteriores à estiagem). Imagina o que seriam R$   2,4 bilhões injetados na economia do Estado que precisa se reerguer”, questiona o diretor do Igarn.

Reservatórios do RN com mais de 5 milhões de metros cúbicos

Bacia Apodi/Mossoró
Brejo (Olho D'Água do Borges)      64,98%

Passagem (Rodolfo Fernandes)     64,79%

Apanha Peixe (Caraúbas)     75%

Encanto (Encanto)     100%

Lucrécia (Lucrécia)       13,44%

Tourão (Patu)     32,31%

Umarí (Upanema)     41,28%

Santo Antonio de Caraúbas (Caraúbas)     72,35%

Santa Cruz do Apodi (Apodi)     25,59%

Morcego (Campo Grande)     66,84%

Flexas (José da Penha)     26,68%

Pau dos Ferros (Pau dos Ferros)     1,87%

Pilões (Pilões)     1,72%

Santana (Rafael Fernandes)     0%

Riacho da Cruz II (Riacho da Cruz)     100%

Marcelino Vieira (Marcelino Vieira)     91,69%

Bonito II (São Miguel)     4,95%

Malhada Vermelha (Severino Melo)     19,19%

Jesus Maria José (Tenente Ananias)     23,3%

Rodeador (Umarizal)     83,03%

Bacia Piranhas/Assu
Dorado (Currais Novos)     0%

Zangarelhas (Jardim do Seridó)    2,02%

Passagem das Traíras (São José do Seridó)     0,77%

Alecrim (Santana do Matos)     27,86%)

Boqueirão de Parelhas (Parelhas)     34,16%

Rio da Pedra (Santana do Matos)     22,07%

Sabugi (São João do Sabugi)     48,34%

Carnaúba (São João do Sabugi)     30,77%

Esguicho (Ouro Branco)     0,15%

Beldroega (Paraú)     100%

Caldeirão de Parelhas (Parelhas)     31,15%

Pataxó (Ipanguaçu)     100%

Itans (Caicó)     1,73%

Cruzeta (Cruzeta)     2,63%

Gargalheira/Marechal Dutra (Acari)     0%

Mendubim (Assu)     100%

Eng. Armando Ribeiro Gonçalves (Assu)     30,97%

Boqueirão de Angicos (Afonso Bezerra)     7,84%

Fonte: Igarn (15/04/2019)













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