Barreta e mais oito praias registram vestígios de óleo

Publicação: 2019-11-07 00:00:00
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O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) registrou a presença do óleo, que atinge o litoral da região Nordeste desde setembro, em nove locais do Rio Grande do Norte nos primeiros dias de novembro. Os registros estão no boletim de locais atingidos divulgados pelo Ibama nesta segunda-feira (5). Dos nove locais atingidos, oito já haviam registrado o material antes e um, a praia de Barreta (Nísia Floresta), está com manchas pela primeira vez.

Créditos: Adriano AbreuEquipe da UFRN vai coletar amostrar de peixes para analisar dano a longo prazoEquipe da UFRN vai coletar amostrar de peixes para analisar dano a longo prazo
Equipe da UFRN vai coletar amostrar de peixes para analisar dano a longo prazo

As outras localidades são: Sagi, Areia Preta, Pirangi do Sul, Zumbi, foz do rio Pium, Sibaúma, Via Costeira e Pirangi do Norte. Todas foram vistas com vestígios de óleo – considerado pequena quantidade de petróleo. A maior parte dos registros foi feita no domingo (3) e na segunda-feira.

A Marinha informou que essas localidades foram limpas e que não há mais manchas no Rio Grande do Norte – com isso, mais de 19 toneladas do material foi recolhido no estado e está armazenado nos municípios atingidos. Os estados do Ceará, Paraíba e Pernambuco também se encontram na mesma situação. Alagoas e Bahia têm o quadro mais crítico e continuam com ações de limpeza, ainda de acordo com a Força.

No período de novembro, mais uma tartaruga marinha foi encontrada morta no litoral do Rio Grande do Norte. É o 14º caso de tartaruga marinha atingida pelo óleo encontrada no litoral potiguar. O registro aconteceu no sábado (2). Além desses animais, uma ave também afetada pelas manchas já foi encontrada no RN em setembro.

Em todo Nordeste, 353 locais registraram danos causados pelo óleo desde setembro, quando as manchas começaram a surgir. No período, 126 animais afetados, sendo a maior parte tartarugas marinhas, foram encontrados no litoral e registrados pelo Ibama.

Para avaliar o impacto maior do óleo nos animais marinhos, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) vai coletar material para análise de laboratório. A intenção é dar respostas mais concretas a respeito da segurança alimentar da população. Serão recolhidos moluscos, crustáceos e peixes em várias localidades do litoral do Rio Grande do Norte.

Uma das pesquisadoras envolvidas no grupo de ação é Liana Mendes, bióloga e participante da ONG Oceânica. Na última semana, ela considerou o risco de contaminação do óleo “silencioso” e a longo prazo entre os animais. “Vai demorar para sabermos o impacto real desse material para o meio ambiente, por isso que é necessário acompanhar de perto”, afirmou.

Mendes exemplificou o caso citando a cadeia alimentar dos animais marinhos, já que o óleo, por ser um hidrocarboneto policlínicos aromáticos, são assimilados pelos organismos dos animais. “Um crustáceo que come a alga atingida fica com o óleo. Aí um peixe come o crustáceo; um peixe maior come o peixe menor; e o material vai sendo passado de organismo para organismo. Por isso é silencioso e a médio-longo prazo”, explicou.