Barroso cita 'indícios de crimes' do líder do governo

Publicação: 2019-10-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Brasília (AE) - O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, afirmou ao presidente da Corte, Dias Toffoli, que há uma "impressionante quantidade de indícios de crimes" na investigação contra o líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e seu filho, deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE).

A manifestação de Barroso se deu na ação movida pelo Senado para derrubar a decisão do ministro que autorizou buscas e apreensões nos gabinetes dos políticos. Pai e filho foram alvo, em setembro, da Operação Desintegração, que mira supostas propinas de R$ 5,5 milhões de empreiteiras. O episódio abriu uma crise entre Supremo e Senado, que reagiu à operação da Polícia Federal na Casa.

Sob o argumento de que a medida de Roberto Barroso foi "invasiva", "drástica", permitiu a captura de informações sensíveis (o que afetaria "interesses nacionais") e comprometeu a harmonia entre os Poderes, o Senado pediu a Toffoli a imediata suspensão tanto da liminar de Barroso quanto da análise de objetos e documentos apreendidos durante a operação. Dias Toffoli pediu explicações a Barroso.

"Não seria republicano nem ético desviar do reto caminho por se tratar de figura poderosa. O Direito e a Justiça valem para todos. Esta é uma das conquistas da civilização", afirmou Barroso. De acordo com o ministro, o exame dos elementos da investigação "não conferia outra opção que não a decretação da busca e apreensão".

"Sem antecipar qualquer juízo de valor sobre o mérito da investigação, é fato incontestável que a Polícia Federal reuniu uma impressionante quantidade de indícios de cometimento de crimes por parlamentares - um senador da República e um deputado federal -, juntamente com outros participantes", disse Barroso na manifestação.

Ainda segundo o ministro, "a medida de busca e apreensão não foi movida contra o senador em razão de sua atuação em nome do poder público, mas por ser investigado pela prática de crimes". "Como intuitivo, a suspensão de liminar não tem por objetivo proteger investigados em processos criminais", afirmou Luís Barroso a Dias Toffoli

Nas diligências realizadas dentro do Senado foram apreendidos papéis que, segundo Roberto Barroso, mostram contatos do senador com outros investigados, como seus supostos operadores de propinas, além de referências a "doadores ocultos" de campanhas políticas.





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