Basílica, em Roma, lota em primeira missa para Santa Dulce dos Pobres

Publicação: 2019-10-15 00:00:00 | Comentários: 0
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A Basílica Sant'Andrea della Valle, em Roma, recebeu nesta segunda-feira (14) a primeira missa em homenagem à Santa Dulce dos Pobres, que foi canonizada no domingo (13) pelo papa Francisco no Vaticano.

Irmã Dulce, canonizada no domingo pelo Papa Francisco, é a primeira santa nascida no Brasil
Irmã Dulce, canonizada no domingo pelo Papa Francisco, é a primeira santa nascida no Brasil

A missa foi celebrada por dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador, cidade onde nasceu Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (1914-1992), a Irmã Dulce. Também marcaram presença na cerimônia diversas autoridades, como o vice-presidente, Hamilton Mourão, e os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

Centenas de fiéis participaram da missa e na ocasião, o arcebispo de Salvador relembrou a história da Santa Dulce dos Pobres. Diversas pessoas se emocionaram durante a celebração. Já na parte final da missa, o saxofonista Waldonys e a compositora Margareth Menezes cantaram juntos "Doce Luz", música oficial da santa. Irmã Dulce é a primeira santa reconhecida pela Igreja Católica nascida no Brasil.

O Vaticano atribuiu a ela dois milagres: o primeiro é a cura de uma mulher no interior do Sergipe que se recuperou de complicações de um parto após ter sido desenganada, e o segundo é o retorno da visão do músico e maestro José Maurício Bragança, que havia ficado cego em função de um glaucoma. A santa é conhecida popularmente como "o anjo bom da Bahia" e teve uma vida dedicada a ações de caridade.

Canonização
Cerca de 50 mil pessoas acompanharam o rito de canonização da brasileira Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a irmã Dulce, e de outros quatro beatos, realizado na manhã do último domingo (13), na Praça São Pedro, no Vaticano. A Santa Sé estima que em torno de dez mil brasileiros participaram da celebração litúrgica. Além da primeira santa nascida no Brasil, o Papa Francisco também canonizou a italiana Giuseppina Vannini; a suíça Margarida Bays; o inglês John Henry Newman e a indiana Maria Teresa Chiramel Mankidiyan.

Ao se dirigir à multidão que lotava a Praça São Pedro, o Papa citou trecho do Evangelho de Lucas para destacar a importância da fé e da solidariedade. “Precisamos de ser curados da pouca confiança em nós mesmos, na vida, no futuro; curados de muitos medos; dos vícios de que somos escravos; de tantos fechamentos, dependências e apegos: ao jogo, ao dinheiro, à televisão, ao celular, à opinião dos outros”, comentou Francisco. “Mas a fé caminhar juntos, jamais sozinhos. Constitui nossa tarefa ocuparmo-nos de quem deixou de caminhar, de quem se extraviou: somos guardiões dos irmãos distantes. Quer crescer na fé? Ocupa-se dum irmão distante”, acrescentou o Papa.

Milagres de Irmã Dulce
Nascida em 26 de maio de 1914, em Salvador, a soteropolitana passa agora a ser conhecida como Santa Dulce dos Pobres, grupo ao qual se dedicou desde o início da adolescência, quando passou a acolher moradores de rua e doentes em sua casa, transformando a residência da família, no bairro de Nazaré, em um centro de atendimento. No processo de sua canonização, dois milagres lhe foram atribuídos.

O maestro soteropolitano José Maurício Moreira é o beneficiário de um deles. Após 14 anos sem enxergar, Moreira recuperou a visão ao pedir ajuda a agora santa Irmã Dulce. Hoje, ele estava na Praça São Pedro, diante do Papa Francisco. Segundo sua esposa, Marize Araújo Jorge de Mendonça, o marido e todo o grupo de fiéis que viajou de Salvador estavam emocionados com o reconhecimento do trabalho assistencial e religioso de Irmã Dulce.

“Ela continua operando milagres todos os dias. Seus milagres continuam acontecendo por meio do acolhimento oferecido a milhares de pessoas necessitadas, desesperadas, seja no Hospital Irmã Dulce, seja em obras como o Centro Educacional Santo Antônio, em Simões Filho”, comentou Marize, referindo-se ao hospital de Salvador onde, segundo ela, são feitos quase três mil atendimentos médicos diários; e à escola da região metropolitana de Salvador onde mais de 700 crianças estudam em período integral.

Santos Brasileiros
Há dois anos, no dia 15 de outubro de 2017, os Mártires de Cunhaú e Uruaçu, mortos na capitania do Rio Grande durante a invasão holandesa no século 17 por não renunciarem a fé, foram reconhecidos santos pela religião católica. Canonizados pelo Papa Francisco no Vaticano, eles se juntam ao Padre Anchieta, Madre Paulina, Frei Galvão, São Roque Gonzales, Santo Afonso Rodrigue e São João de Castilho como santos brasileiros. Em 21 de dezembro de 1998, o papa João II assinou o decreto reconhecendo o martírio de 30 brasileiros, sendo dois sacerdotes e 28 leigos, os únicos identificados nos massacres. A celebração de beatificação aconteceu em março de 2000, no Vaticano. No dia 15 de outubro de 2017, também no Vaticano, os Mártires de Cunhaú e Uruaçu foram declarados santos pelo Papa Francisco. O dia 3 de outubro é feriado estadual desde 2007. A santificação encerrou um processo iniciado pelo monsenhor Francisco de Assis Pereira em 1988, responsável pelo resgate histórico dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu e pela busca de documentos para comprovar a autenticidade da fé das pessoas mortas durante o massacre de Cunhaú e Uruaçu.








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