Bazar de ilusões

Publicação: 2019-07-23 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

CENA

Foi o marketing, não como técnica, mas por deformação do uso na busca da popularidade populista, a origem da patologia que infestou a vida política brasileira. Um dos vícios, em nome da pobreza, é a falsa ação comunitária, como a de levar o Poder Legislativo às cidades e, assim, a promover um assistencialismo pernicioso em nome da solidariedade. E a doença será tanto mais grave quanto maior for o empenho em fazê-la mais deformadora das relações políticas e sociais.

No caso local, há também o mesmo arranjo. Não é função do Poder Legislativo renegar sua força como ação legisladora e promover o assistencialismo populista - cortar cabelos, aparar unhas, expedir documentos, ensinar corte, costura e receitas culinárias. Não é seu papel, nem se justifica invocar a pobreza e as desigualdades, numa pieguice que se sabe improducente, a não ser como um reforçador perverso da pobreza quando vira matéria prima da indústria do voto.

O papel constitucional e altamente saudável do Poder Legislativo, representativo que é da própria sociedade, e legitimador da democracia, é garantir leis justas para uma preservação dos direitos individuais e coletivos. De cabelos e unhas cortadas, em nada estará melhor a vida de cada cidadão e cidadã. Será a mesma no dia seguinte, vítima da dura realidade e de um rito feito de trocas simbólicas financiadas com dinheiro público. No entanto insiste no erro há anos e anos. 

É injusto promover a falsa felicidade de pessoas a quem o Estado nega a chance real de melhorar a vida. O dinheiro público do Poder Legislativo não pode financiar festa de arremedos, servindo a uns e outros não. Seu papel é buscar as garantias do essencial para os carentes de inclusão. Não é transformar legisladores altamente remunerados pela sociedade em doadores de graças, gracinhas e gracejos que não promovem, coletivamente, a melhoria da qualidade de vida.

Passamos do proselitismo, o que por si só já era condenável, ao clientelismo populista das promoções gratuitas. Não bastasse a sabedoria popular que condena as benesses com o dinheiro público, os políticos posam diante de feiras populistas montadas em praças e ginásios do interior. Onde são protagonistas e escondem, no papel de presente, os gracejos, os gestos e as iniciativas de doações que efetivamente em nada transformam a vida dos abandonados e sem paz social.

Como enfrentar mendicância de votos se o Executivo faz o papel de falso Papai-Noel? Como acreditar no Judiciário que legisla em causa própria, sem uma atitude consciente do gesto solidário? Se até o Ministério Público privilegia o bolso com os mesmos artifícios dos outros, como se não fosse a referência exemplar de uma instituição séria e fiscalizadora? Se o Tribunal de Contas não faz contas para aumentar seus salários? Até quando teremos essa festa pagã?

COMO? - Não deve ser verdade - será especulação das redes sociais? - a notícia de que o ex-deputado Rogério Marinho pode ser candidato por São Paulo, tal seu prestígio na Av. Paulista. A... Ser verdade, ele estaria consagrando a tese de que a reforma da previdência foi também, e mais uma vez, a exemplo da reforma trabalhista, uma vitória, de novo, dos fortes sobre os fracos.

SILÊNCIO - Pode ser anunciado a qualquer hora o fechamento da venda ao Banco do Brasil da exclusividade da folha de pessoal. Com a negociação do débito que já chega a R$ 108 milhões.

PROADI - O governo quer fazer modificações do Proadi. Não para reduzir seus efeitos em favor da luta por investimentos, mas para garantir contrapartida de oferta de empregos. Uma boa idéia.

NATAL - Racine Santos na revisão final do novo livro - “... de susto, de bala ou de vício...”, romance da vida real na brava Londres Nordestina daqueles anos sessenta que não voltam mais.

MAGIA - Na narrativa de Racine, todos os personagens são reais e identificados por seus nomes próprios, mas parece ficção. Tal é o sentido mágico das histórias narradas cinquenta anos depois.

CRISE - O abaixo-assinado com mais de oitenta assinaturas quer a definição do Grupo Laureate sobre a qualidade de alguns cursos, principalmente de medicina. Vem por ai um diretor negociar.

DUZENTOS - O cronista, dinossáurico, misturou e cravou um século de Walt Whitman, quando nasceu há 200 anos,1819-1892. Em Long Island. E faleceu em Camden, em Nova Jersey, EUA. 

JUDEUS - O editor Abimael Silva chegou à Caicó, na Festa de Santana, com um furo: a edição do livro ‘A Relação Católico-Sertaneja: reminiscências do criptocabalismo no Seridó Judaico’ uma pesquisa histórica do professor e escritor Marcos Silva, da Universidade Federal de Sergipe.

POESIA - Também nos prelos do Sebo Vermelho a reedição de ‘Alma e Poesia do Litoral do Nordeste’, de Eloy de Souza, a conferência que fez com renda em favor da Igreja de Santa Terezinha publicada em forma de plaquete em 1930. A edição é hoje uma raridade bibliográfica.

ZILA - O Rio Grande do Norte pode ter o privilégio de conhecer a correspondência da poetisa Zila Mamede com o bibliófilo José Mindlin. A antropóloga Betty Mindlin, a filha, admite anotar, organizar as cartas e autorizar a publicação pelo Sebo Vermelho, do nosso editor Abimael Silva.





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