BC intervém para tentar segurar cotação

Publicação: 2017-05-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Brasília - As incertezas sobre o futuro do governo Michel Temer atingiram em cheio o mercado financeiro e o real levou ontem o maior tombo desde a maxidesvalorização cambial, em 1999. Mesmo com a maciça intervenção do Banco Central com operações que equivaleram à venda de US$ 4,4 bilhões no mercado futuro, o dólar fechou a quinta-feira a R$ 3,3868, em alta de 8,07%, a terceira maior valorização desde o Plano Real.

O clima de pânico foi visto antes mesmo da abertura dos negócios Em mercados da Ásia e Europa, ativos brasileiros já haviam perdido quase 20% do valor e serviram de prenúncio do que aconteceria no Brasil.

Com esse pano de fundo, antes da abertura dos negócios, o Banco Central divulgou nota se comprometendo a agir para "manter a plena funcionalidade dos mercados". O recado era claro: haveria intervenção para suavizar eventual derretimento do real.

Quando os negócios começaram em São Paulo, bastaram poucos segundos para o dólar saltar quase 6% e começar o dia acima de R$ 3,31. Esse foi o gatilho para a ação coordenada entre Banco Central e Tesouro Nacional para tentar amenizar a histeria nos negócios. No câmbio, foi realizada sequência de cinco leilões com a venda dos chamados contratos de swap - operação que tem o mesmo efeito da venda de dólares no mercado futuro.

A intervenção bilionária, porém, só foi suficiente para amenizar a histeria. Assim, a alta do dólar, que chegou à máxima de R$ 3,4073, foi suavizada e a moeda voltou a operar na casa de R$ 3,30. Ainda assim, em firme alta superior a 5%.

"Estamos trabalhando para acalmar os mercados, para atravessar esse período. Trabalhando de forma serena, de forma firme, usando os instrumentos que a gente tem, que é o mercado de swap, em coordenação com o Tesouro Nacional, que anunciou leilões", afirmou o presidente do BC, Ilan Goldfajn, em uma não usual entrevista em frente ao Ministério da Fazenda, onde esteve à tarde para reunião com o titular da pasta, Henrique Meirelles.

A atuação através dos contratos de swap é considerada a "primeira linha de defesa" às oscilações bruscas do real. Com esse tipo de operação, a casa pode renovar contratos antigos - o que anula eventual pressão por vencimentos próximos - ou emitir novos papéis.

O efeito das duas ações é idêntico: equivale, na prática, à oferta de dólares no mercado futuro. Ontem, o Banco Central agiu das duas formas.

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