Economia
BC pode alterar ritmo de alta da Selic
Publicado: 00:00:00 - 14/10/2021 Atualizado: 21:56:43 - 13/10/2021
São Paulo e Brasília (AE) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, afirmou nesta quarta-feira (13), que a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) é de que o orçamento de alta de juros aumentou em virtude da projeção de inflação em 2022 em 3,7%, acima do centro da meta de 3,5%, e com o balanço de riscos assimétrico para cima devido ao cenário fiscal. "Com risco fiscal, não dá para evitar política monetária mais apertada. Nós concordamos que o problema fiscal pode levar à inflação maior", disse, em evento do HSBC.

Gustavo Raniere/Ministério da Fazenda
Fábio Kanczuk afirma que, com risco fiscal, não dá para evitar política monetária mais apertada

Fábio Kanczuk afirma que, com risco fiscal, não dá para evitar política monetária mais apertada


Mas Kanczuk repetiu declarações anteriores do presidente do BC, Roberto Campo Neto, de que o nível final da Selic é mais importante do que o ritmo para alcançar o objetivo de convergência da inflação à meta em 2022. "Pensamos que ritmo de alta de 1 ponto porcentual da Selic é mais do que suficiente para 2022. Precisamos elevar mais a Selic, mas vamos manter o ritmo", afirmou.

Ele ponderou, contudo, que esse passo de 1 ponto porcentual não é um compromisso e que o BC pode alterá-lo se for necessário. "Se ritmo da inflação enlouquecer, posso achar que ritmo de 1 pp não será mais suficiente." Segundo Kanczuk, o Copom "não é escravo" de projeções do mercado e que só aproveita informações.

O diretor do BC argumentou ainda que as projeções de inflação nos horizontes mais longos, de três a quatro anos, estão ancoradas.

Sobre a discussão de usar política cambial para controlar a inflação, Kanczuk argumentou que o BC avalia que a taxa Selic tem um efeito maior sobre a dinâmica inflacionária no horizonte relevante. Segundo o diretor do BC, não há como usar a Selic e a taxa de câmbio para controlar a inflação. "Não funciona."

Kanczuk afirmou que se o BC entendesse que as intervenções cambiais são melhores para esse propósito, teria de abandonar o sistema de metas. "Não faremos isso. No curto prazo, o câmbio tem mais efeito, mas, no horizonte relevante, não", disse, sobre os tempos diferentes de efeito do câmbio e da Selic sobre a inflação.

Dominância fiscal
O diretor de Política Econômica do Banco Central afirmou que a autoridade monetária não pode considerar a discussão sobre dominância fiscal como impedimento para elevar os juros. Segundo Kanczuk, a dominância fiscal é uma questão de superávit primário, que é um assunto do Ministério da Economia e não do BC.

"Não podemos estar preocupados com a dominância fiscal ao subir juros. Planejador social pode ter essa preocupação. O BC é só um jogador preocupado em qual deve ser a política monetária. Só é preocupado com inflação e não com dominância fiscal", disse Kanczuk. "Vamos aumentar os juros independentemente da discussão sobre dominância fiscal. Se há mais inflação, aumentamos os juros. É assim que nos comportamos", completou.

Ele ponderou, contudo, que os indicadores de sustentabilidade fiscal melhoraram com as surpresas favoráveis de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e que a discussão de dominância fiscal diminuiu no mercado. "Já era difícil falar em dominância fiscal antes, agora é mais difícil ainda", afirmou.
Kanczuk argumentou, contudo, que o BC não havia ficado tão otimista quanto o mercado com a melhora dos indicadores e que, agora, está menos pessimista.

Política monetária dos EUA
O diretor de Política Econômica do Banco Central afirmou ainda que, se a política monetária dos Estados Unidos mudar, o Copom terá de reagir "de acordo".
Segundo Kanczuk, o BC terá de fazer mais do que o eventual movimento do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), pois o aperto monetário americano tem um impacto maior sobre a taxa básica brasileira. "Temos que observar, mas, na nossa visão, se isso acontecer, a elasticidade é maior do que um."

Copom tem plano de voo para inflação recuar em 2022
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, reforçou que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem um plano de voo para a inflação convergir em 2022, em meio a questionamento do mercado financeiro sobre se haverá tempo necessário para o cumprimento da meta no ano que vem, especialmente sem "matar" o crescimento econômico.

No último Boletim Focus, a mediana para o IPCA de 2022 chegou a 4,17%, distanciando-se do centro da meta de 3,50%. Segundo o diretor do BC, a discussão mais importante de política monetária é o horizonte relevante. "Olhamos um ano e meio à frente, metade 2022 e metade 2023."

Kanczuk disse que horizonte relevante é uma diretriz, mas deve ter alguma flexibilidade. Com a inflação alta, em 10% em 12 meses, há mais incerteza sobre inércia. "Queremos fazer 2022 como foco, se não tenho 2022 certo, não tenho 2023 certo. Estamos mais preocupados com 2022. É 2022 que estamos olhando. No balanço entre suavizar e olhar para 2022 e convergência, estamos olhando mais para 2022 do que usual suavização do ciclo", disse, citando as frequentes surpresas de alta do IPCA.

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