Beatriz Boschetti/IPHAN, “Patrimônio arqueológico RN” (2019, IPHAN, 28 p.)

Publicação: 2019-08-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Alexandre Alves, Doutor em Literatura e professor da UERN
alexandrealvesuern@gmail.com

Como uma espécie de cartilha (bem) informativa, o livreto – apesar de curto – apresenta de forma bastante didática, e mesmo não citando as fontes primárias dos textos, detalha desde o que é a ciência da arqueologia até chegar a suas múltiplas variantes e tipos (sítios, vestígios, patrimônios, entre outros). Muito bem ilustrado com dezenas de fotos – a maioria do acervo do IPHAN –, da metade do pequeno volume adiante surgem fatos essenciais para se compreender a arqueologia no nordeste brasileiro e, em especial, o patrimônio arqueológico presente em solo potiguar. Aqui existe a presença de sítios arqueológicos em nada menos do que em 83 municípios, totalizando mais de 400 (!!!!) deles, tudo exposto em um mapa do RN bem definido. Em sua maioria, o destaque fica com a ocorrência da arte rupestre em mais de uma centena de sítios, mas há também a presença de quase 200 sítios de vestígios líticos (aqueles que apresentam ferramentas em pedra). A região do Seridó é a mais estudada atualmente, estando Carnaúba dos Dantas com o sítio Pedra do Alexandre (com datações entre 1.000 a 9.000 anos antes do tempo presente), a Chapada do Apodi com seu famoso Lajedo Soledade, Serra Negra do Norte e Parelhas – com seu renomado sítio Mirador de Parelhas – à frente do interesse na arqueologia potiguar. E bem que tais locais poderiam servir de região turística, senão existisse clara falta de segurança pública no interior potiguar, um problema secular (diga-se de passagem) diante da milenar arqueologia.

GESSYKA SANTOS, “Autópsia” (2019, Offset/Anzois, 44 p.)
No pequeno volume de 21 poemas, a jovem potiguar deixou o cacoete narrativo em seus textos presentes na coletânea “Sumidouro” (2017), aqui adotando uma lírica dilacerada, na qual o título se multiplica nas sensações e obsessões corporais. Vocábulos como sangue, dor, desequilíbrio, crise e loucura campeiam uma poesia negativada, mas que mostram um ser humano ainda resistente. Tripartida tematicamente (crânio, tórax, pernas) em clara consonância autoexplicativa de parcela da lírica contemporânea nacional, são composições todas de página única, apontando para um misto de limitação verbal e estilo (!). Já no segundo poema (“Atordoada”), a potência intimista se faz presente – “Procuro o olho do furacão/ que se forma sobre a minha cabeça/ enquanto todas as carcaças enterradas em meus quintais/ levantam voo” – ao mesmo tempo em que o texto se joga em desgastado clichê de ligar o verbal ao visual. No catártico “Os altos falantes da minha mente”, o peso sinestésico é de alta octanagem (entre os labirintos/ sinto o sangue afogar/ todos os sons), mas em outros instantes contrasta com itens menos instigantes da Poesia Marginal, criando versos iniciais sintomáticos, como em “Você me disse uma vez que o tempo é relativo” ou “Enquanto o sol derrete feito manteiga na frigideira”. Em geral, as linhas aqui ainda exigem maior apuro para escapar da rasura de Angélica Freitas e chegar até a crueza de Hilda Hilst (ambas citadas no exagerado prefácio de Daiany Dantas). A autópsia deve seguir adiante, embora a diagramação com letra vermelha miúda possa ter causado uma bela cefaleia.




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