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Política
Beto diz que PP não tem motivo para aliança com Solidariedade
Publicado: 00:00:00 - 28/05/2022 Atualizado: 00:14:36 - 28/05/2022
Embora crítico da gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), o presidente estadual do PP, deputado federal Beto Rosado, descarta o apoio à candidatura do ex-deputado estadual Fábio Dantas (Solidariedade) ao governo do Estado. “O partido que ele representa, o Solidariedade, não é amistoso para com o Progressistas. Não tenho incentivo a  apoiar um projeto do Solidariedade no Rio Grande do Norte”, afirmou Beto Rosado, que reúne filiados e pré-candidatos do PP neste sábado. Mas confirma que integrará a aliança que vai apoiar o ex-ministro Rogério Marinho (PL) na disputa pelo Senado.

Magnus Nascimento
Beto Rosado, deputado federal e presidente estadual do PP, afirma que seu partido não tem relação amistosa com sigla de Fábio Dantas

Beto Rosado, deputado federal e presidente estadual do PP, afirma que seu partido não tem relação amistosa com sigla de Fábio Dantas


Neste entrevista, Beto Rosado também analisa o projeto de transposição do Rio São Francisco e responde sobre as perspectivas da corrida pelas vagas na Câmara dos Deputados. 

Ultimamente tem se falado muito na transposição das águas do rio São Francisco. E o senhor tem defendido a execução do canal do Apodi?
O ramal do Apodi não estava previsto na execução das obras do São Francisco. A grande ação do atual Governo Federal foi ter garantido a licitação da obra do ramal Apodi, que tem um custo elevadíssimo e estava inicialmente orçada no valor de R$ 1 bilhão e 800 milhões. O Governo Federal licitou essa obra no valor de R$ 1 bilhão. E vai levar água do reservatório de Caiçara, situado em São José de Piranhas, para desaguar em Pau dos Ferros, depois de passar por Major Sales por um túnel de seis quilômetros. Quando comecei o meu mandato, em 2014, participei da Comissão Especial que fiscalizava as obras do São Francisco. Então, pude estudar a fundo essa obra e detectei que o Rio Grande do Norte não estava prestigiado nesse projeto no sentido de que a previsão seria as águas virem para o Estado, a partir da barragem de Engenheiro Ávidos (Cajazeiras, Paraíba), percorrer em torno de 180 quilômetros de leito natural até chegar na barragem Armando Ribeiro Gonçalves (Vale do Açu). Considerei que o Rio Grande do Norte precisaria do ramal Apodi para garantir água na região mais seca, que são as do Oeste e Alto Oeste, desembocando na Barragem de Santa Cruz.

Quer dizer que a transposição teria só uma entrada no Rio Grande do Norte?
Só teria uma entrada através do leito natural do rio Piranhas até a Barragem Armando Ribeiro. Mas  tinha inclusive um gargalo, na época, por onde passaria apenas cinco metros cúbicos de água por segundo, o que afetaria muito a chegada das águas. Mas isso foi resolvido. Imagine que Armando Ribeiro perde, só por evaporação e pela jusante, algo em torno de oito metros cúbicos de água por segundo. Então, o aumento dessa vazão deu garantia de que a transposição buscará encher os nossos reservatórios. Hoje já é uma realidade. Quando o presidente Jair Bolsonaro esteve aqui (em fevereiro), houve aquela polêmica, se a água já estava chegando, se as comportas podem ser abertas. No outro dia, começou a chegar água. Ninguém sabe exatamente a quantidade de mistura daquelas águas, porque tem de chuva e do reservatório. Mas tem água do São Francisco chegando ali. O Rio Grande do Norte já está realmente sendo beneficiado com a transposição. Mas não existia nenhuma obra física da transposição dentro do Rio Grande do Norte. Nenhum emprego seria gerado no nosso Estado. A vazão que estava prevista seria apenas para chegar em Armando Ribeiro. Agora, com essa vinda da água para a Barragem Santa Cruz, é um alento para as pessoas que moram naquela região do Estado. 

O apoio do senhor à pré-candidatura a senador do ex-ministro Rogério Marinho não é nem uma questão ideológica, então, mas por esse projeto do Apodi?
Perfeitamente. Eu gosto de enfatizar que só esse gesto de ter garantido o ramal do Apodi já é uma ação louvável do ex-ministro. Mas o Rio Grande do Norte tem também volumes substâncias de recursos para finalizar a obra da barragem de Oiticica (região do Seridó), a duplicação da Reta Tabajara (BR-304) e várias ações dentro do Ministério do Desenvolvimento Regional, que tem garantido estruturas importantes no Rio Grande do Norte. Veja que essa obra da transposição, quem debateu ela durante muito tempo foi um político do Rio Grande do Norte, Aluízio Alves, ministro da Integração Nacional, na época, porque o Ministério Desenvolvimento Regional é uma fusão do Ministério das Cidades com a pasta da Integração Nacional. E ele foi um elemento importante na discussão dessa obra. Mas os ramais que são apêndices dos eixos da transposição não eram prioridades. E aí começou a se discutir o ramal do Agreste que vai para Pernambuco. Esse ramal vai desaguar lá em Castanhão, no Ceará. E agora é uma realidade o ramal Apodi (RN) para um estado que, politicamente, não tinha uma força expressiva, porque nós somos a menor bancada da Câmara Federal, com oito representantes. 

Em relação ao Senado, o senhor apoia Rogério Marinho, que é do PL. Mas, completando a chapa majoritária, já tem uma decisão de apoiar o pré-candidato a governador Fábio Dantas, do partido Solidariedade, aliado do ex-ministro?
Não. Já estive conversando com Fábio Dantas. Ele é um político com quem tenho uma boa relação no Rio Grande do Norte. Mas o partido que ele representa, o Solidariedade, não é amistoso para com os Progressistas. Não tenho incentivo a  apoiar um projeto do Solidariedade no Rio Grande do Norte.

Por questões locais em Mossoró?
Locais e estaduais. Toda representação do Solidariedade no Rio Grande do Norte, na minha ideia, não representa os pensamentos progressistas que eu tenho para o Estado e também tem uma questão política local, de Mossoró, que ainda agrava muito mais a situação.

Mas o senhor não acha que a falta de apoio a uma chapa majoritária não puxa a proporcional para baixo, já que o PP vai disputar cargos apenas para a Câmara Federal?
Para mim, não. Tenho um foco na nominata de federal do Progressistas. Eu me comprometi nacionalmente que nós estaríamos fortes e preparados para um projeto do Progressistas e eu tenho gasto todas as energias em garantir que o partido conquiste essa representatividade na Câmara Federal. Eu também sou pré-candidato, estarei junto com meus colegas nessa disputa e acho que é relevante mantermos essa cadeira do Rio Grande do Norte na Câmara Federal.

O foco é fortalecer o PP para garantir tempo de TV e recursos dos fundos eleitoral e partidário para futuras eleições?
Todos os partidos políticos têm um foco nas eleições proporcionais de deputado federal, porque a representatividade federal é o que dá fundo eleitoral, fundo partidário, tempo de televisão e representatividade política. Então, toda a força de um partido político está concentrada nas cadeiras de deputado que alcança no pleito.

O senhor foi o candidato a deputado federal mais votado em Mossoró em 2018, com 14% dos votos. A pulverização de candidatos na cidade, não pode prejudicá-lo e Mossoró terminar perdendo um federal?
Eu pretendo aumentar. Isso [ficar sem um representante na Câmara dos Deputados] seria uma tragédia política para Mossoró, mas do que já está acontecendo hoje com a atual gestão. Mas tenho uma expectativa de que eu consiga manter esse trabalho, ter o reconhecimento dos mossoroenses por todas as ações que já fiz. Eu fui o deputado federal da história de Mossoró que mais alocou recursos para a cidade. Foram R$ 73 milhões. 

Mas voltando à questão da chapa majoritária, existe possibilidade do PP vir a lançar candidato a governador?
Nada é impossível, na política afirmar “dessa água nunca beberei” também não vale a pena, porque eu dizia que  nunca ia entrar na política e acabei entrando. Mas acho muito difícil. A figura de mais notoriedade política que nós temos no partido se chama Rosalba Ciarlini, ex-governadora e ex-senadora. Conversei com ela há um ou dois meses atrás e ela não demonstrou nenhum interesse em um projeto desse. Mas, como na política as coisas mudam rapidamente, possa ser que surja algum interesse e a gente tenha que mudar os planos. Mas não tem absolutamente nada decidido e definido.

Porém, alguns blogs e a imprensa já especulam que ela poderia disputar o governo...
Eu soube que andou na imprensa nestes últimos dias vários comentários. Eu não conversei com ela recentemente para saber as posições dela. Mas até 15 dias atrás vamos dizer assim... Ela não tinha nenhum objetivo, nenhum interesse em um projeto desse.

No encontro do PP em Natal não pode haver uma surpresa e anunciar que a ex-prefeita será candidata? Nem para a Assembleia, onde o marido dela, Carlos Augusto, foi deputado até para “puxar voto”?
Não sei, acho que eles estão num momento de vida diferente, na expectativa dela. Hoje estaria como prefeita de Mossoró, mas não teve êxito na campanha que disputou. Acho que ela já estava partindo ali para um final de vida pública. Chega uma hora em que tem de cuidar da família. O político que sai tanto de dentro de casa para se dedicar à vida pública, eu pelo menos tenho um projeto, não quero ficar longevo demais na política, quero poder me dedicar à família em algum momento.

Deputado, temos pelo menos oito ou nove partidos disputando oito cadeiras na Câmara dos Deputados este ano no RN. Como o senhor avalia uma disputa tão acirrada?
Gosto de dizer que tem alguns partidos com nominatas disputáveis: PT, União Brasil, PL, Progressistas, Republicanos, PSB, MDB e Solidariedade. Acho que esses partidos apresentaram nomes com capital político para a Câmara Federal. Se cada um desses partidos atingirem o coeficiente eleitoral, que no Rio Grande do Norte deve ficar em torno de 200 mil votos, nós teremos um deputado federal eleito em cada uma dessas siglas. Agora se um partido desses não obtiver êxito, começa a sobrar vagas. E aí vai para conta da sobra das vagas, que começa a vir do que fizer mais votos. O primeiro que fizer mais votos vai sobrar uma vaga; se outro não tiver sucesso, vai sobrar uma segunda vaga; se outro não tiver sucesso sobra uma terceira vaga e assim sucessivamente. Eu acho que, na minha experiência de fazer análise, pode tanto oito partidos conseguirem uma cadeira, como apenas quatro conseguirem e sobrarem duas vagas para cada um desses outros quatro e quatro não consigam isso. Pode acontecer algo desse tipo também. Essas probabilidades existem. Também quero convidar as pessoas a participarem do encontro do PP no Hotel Holiday Inn Natal na parte da tarde deste sábado, a partir das 14 horas. Esse evento vai contar com a participação dos filiados aos Progressistas, vai ter também e lá os pré-candidatos a federal, Gerônimo do Sertão, Karla Veruska. Major brilhante, Zé Lins, Mara Costa, Cícero Martins e a ex-prefeita Rosalba Ciarlini.

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