Biden adota nova política ambiental

Publicação: 2021-01-28 00:00:00
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, assinou ontem medidas para colocar as mudanças climáticas no centro das ação de política doméstica, da segurança nacional e das relações exteriores do governo. A preocupação ambiental foi um dos principais pilares da campanha do democrata à presidência. Ele prometeu uma guinada na política ambiental adotada no governo anterior. O ex-presidente Donald Trump costumava criticar o que chamou de "alarmismo" ambiental.

Créditos: ARQUIVOPresidente dos Estados Unidos, Joe Biden discursa sobre mudança climática e empregos verdes na Casa Branca, em WashingtonPresidente dos Estados Unidos, Joe Biden discursa sobre mudança climática e empregos verdes na Casa Branca, em Washington

As ordens executivas suspendem a concessão de novas propriedades federais para a indústria de óleo e gás, se compromete com a conservação de 30% das terras e da água do país até 2030, recria o Conselho Presidencial de Especialistas em Ciência e Tecnologia e garante a independência dos cientistas do país.

O governo também determina que agências federais devem eliminar subsídios a combustíveis fósseis e identificar novas oportunidades de inovação com energia limpa. A suspensão do arrendamento de terras para a indústria de petróleo e gás não interrompe os contratos já assinados.

"Nós já esperamos demais para lidar com a crise climática e não podemos esperar mais", disse Biden, ao anunciar o plano. "Nós vemos com nossos olhos. Nós sentimos isso. Nós sabemos disso. E é hora de agir", afirmou, após citar incêndios na Califórnia no ano passado, furacões e tempestades tropicais que atingiram os EUA nos últimos anos.

No governo Biden, o tema deixou de ser qualificado como "farsa" e passou a ser chamado de "crise". "Assim como precisamos de uma resposta nacional à pandemia, precisamos desesperadamente de uma resposta nacional unificada à crise climática. Porque há uma crise climática", disse Biden.

Política externa
Na mesma tarde de sua posse, na semana passada, Biden recolocou os EUA no Acordo Climático de Paris. Trump havia retirado o país do tratado, que foi negociado no governo Barack Obama, quando ele era vice-presidente. Com as ordens executivas, a Casa Branca estabeleceu que considerações sobre o clima são "elemento essencial da política externa americana e da segurança nacional" e agendou um encontro sobre o clima com líderes internacionais para o Dia da Terra, em 22 de abril.

O encontro é uma reedição do Fórum das Grandes Economias para Energia e Clima, lançado em 2009 no governo Obama. Nas edições passadas, os EUA convidaram Austrália, Brasil, Canadá, China, União Europeia, França, Alemanha, Itália, Indonésia, Índia, Japão, Coreia do Sul, México, Rússia, África do Sul e Reino Unido.

O assessor especial presidencial para o clima, John Kerry, um dos mais experientes diplomatas dos Estados Unidos, afirmou que a reunião de líderes em abril é "essencial para garantir que 2021 será o ano que compensaremos o tempo perdido nos últimos quatro anos". O encontro também é uma forma de trabalhar, disse ele, para que a cúpula do clima em Glasgow, prevista para novembro, seja um sucesso. Segundo Kerry, no encontro em abril os EUA devem informar como pretendem reduzir as emissões de carbono sob os termos do Acordo de Paris.

O cargo de Kerry, agora também chamado de " czar do clima", foi criado por Biden para que o ambiente seja relevante nas decisões sobre a política externa do país. "Biden é profundamente comprometido com essa questão. É por isso que ele voltou ao Acordo de Paris rapidamente, mas ele também sabe que apenas isso não é o bastante", disse Kerry.

A reorientação do governo Biden deve pressionar o Brasil a assumir compromissos de preservação ambiental. Nos últimos dois anos, o País entrou no foco dos europeus pela alta nas queimadas na Amazônia e pela minimização da crise climática pelo governo Bolsonaro. Biden não apenas rejeita o negacionismo climático encampado por Trump como busca assumir o papel de protagonismo na liderança mundial pela preservação ambiental e transição para uma economia verde.











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