Biden amplia ajuda federal a famílias

Publicação: 2021-01-23 00:00:00
Eduardo Gayer
Agência Estado 

O presidente dos EUA, Joe Biden, assinou ontem duas ordens executivas para fornecer ajuda financeira a famílias carentes e aumentar os salários de trabalhadores federais, em um esforço para ajudar na recuperação econômica do país em meio à crise causada pelo novo coronavírus. O presidente estimou que a pandemia deixará muito mais vítimas no país.

Créditos: ANDREW HARNIK/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOJoe Biden toma decisões que aumentam a pressão sobre o Congresso para aprovação da pauta que pretende incentivar a retomadaJoe Biden toma decisões que aumentam a pressão sobre o Congresso para aprovação da pauta que pretende incentivar a retomada

"Estamos com 400 mil mortos, espera-se que cheguemos a muito mais de 600 mil", disse o presidente. "A crise está se aprofundando", disse Biden, chamando a ajuda aos desempregados e incapazes de pagar por comida de "imperativo econômico". "Temos as ferramentas para ajudar as pessoas. Então, vamos auxiliar todas elas. Agora."

Com a assinatura das medidas, Biden pretende dar algum alívio econômico aos americanos enquanto o Congresso negocia o destino do pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão (cerca de R$ 10,4 trilhões) proposto neste mês. "Há um consenso econômico crescente de que devemos agir com decisão e ousadia", disse. "Isso não pode ser o que somos como país. Não podemos e não vamos deixar as pessoas passarem fome. Não podemos ver as pessoas perderem seus empregos e temos de agir."

Na primeira ordem executiva de ontem, Biden pede ao Departamento do Tesouro que considere a adoção de medidas para expandir e melhorar a entrega dos cheques de estímulo, como o estabelecimento de ferramentas online para solicitar os pagamentos. A proposta inclui a entrega de ordens de pagamento nos valores de US$ 600 e US$ 1,2 mil aprovados em 2020 para até 8 milhões de pessoas que ainda não receberam o benefício.

A ordem também aumentará o valor dos benefícios do Programa de Assistência à Nutrição Suplementar, que têm o objetivo de dar dinheiro a famílias que dependiam da alimentação fornecida nas escolas para alimentar seus filhos. A expansão equivaleria a US$ 100 extras a cada dois meses para uma família de três pessoas.

A segunda ordem executiva pretende desfazer algumas das medidas de Trump relativas à força de trabalho federal, incluindo uma que deu aos presidentes mais liberdade para contratar e demitir funcionários e outras que limitaram alguns direitos de negociação para os servidores. A partir de agora, as agências federais devem pagar um salário mínimo de US$ 15 por hora para seus trabalhadores. O salário mínimo federal está em US$ 7,25 a hora desde 2009.

"O povo americano precisa de ajuda agora", disse o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Brian Deese. "Estamos em um momento precário para o vírus e para a economia. Sem ações decisivas, corremos o risco de cair em um buraco econômico mais grave do que a crise em que nos encontramos."

Segundo Deese, há cerca de 16 milhões de pessoas recebem algum tipo de seguro-desemprego e cerca de 29 milhões não têm o suficiente para comer. Mulheres, minorias e trabalhadores de serviços de baixa renda foram afetados de forma desproporcional, com os trabalhadores negros e hispânicos enfrentando taxas de desemprego mais altas do que os trabalhadores brancos.

Em defesa do pacote, Biden afirmou que o auxílio pode tirar 12 milhões de americanos da pobreza e criar 7,5 milhões de empregos este ano, citando previsões da agência Moody's. Alguns parlamentares, incluindo da base do governo, mostram desconforto com o pacote de Biden pelo seu impacto sobre a dívida pública americana. Como mostrou o Estadão/Broadcast em reportagem especial, a relação dívida/PIB já supera os 130% nos EUA e, se mantiver trajetória ascendente, poder gerar dificuldades no financiamento público.