Internacional
Biden anuncia doação de mais 500 milhões de doses
Publicado: 00:00:00 - 23/09/2021 Atualizado: 22:41:15 - 22/09/2021
O presidente americano, Joe Biden, anunciou  que os EUA estão comprando mais 500 milhões de doses da vacina contra a covid-19 da Pfizer para serem doadas aos países de baixa renda. Os planos de compra, antecipados pela Bloomberg, elevarão a 1,1 bilhão o total de vacinas que os EUA planejam doar. Ao mesmo tempo, o país se mobiliza para distribuir doses de reforço a milhões de americanos totalmente inoculados. 

Reprodução/ONU
Biden tenta afastar as críticas ao plano de vacinação de reforço

Biden tenta afastar as críticas ao plano de vacinação de reforço


Ao presidir cúpula virtual sobre a escassez de vacinas em países mais pobres, Biden explicou que quase 160 milhões das doses já foram embarcadas e 200 milhões devem sair até o fim do ano. Segundo funcionários do governo, as 800 milhões restantes serão enviadas até setembro do ano que vem. 

Biden instou outros líderes mundiais, executivos farmacêuticos, filantropos e organizações da sociedade civil a se unirem para formar um consenso global em torno de um plano de combate à crise do coronavírus. O governo da Itália também aproveitou a cúpula de ontem para informar que o país doará 45 milhões de doses de vacinas até o final do ano.

A cúpula presidida por Biden foi uma tentativa de afastar as críticas ao plano de vacinação de reforço dos EUA, que vai aplicar a terceira dose em milhões de adultos americanos enquanto muitas nações lutam para garantir a primeira dose às suas populações. Embora os EUA tenham doado mais vacinas do que qualquer outro país, de acordo com dados do Unicef, a política de reforço poderá pressionar outros países a seguirem o exemplo, exacerbando ainda mais as desigualdades globais.

“É como se você e eu tivéssemos um colete salva-vidas e eles estivessem nos jogando mais um ou dois, quando mais da metade do planeta não tem nenhum”, disse Tom Hart, presidente-executivo interino da campanha ONE, que defende a exportação de vacinas para nações de baixa renda. “Não é apenas ultrajante em termos morais, também não faz nenhum sentido em termos epidemiológicos”, disse ele. “A melhor maneira de proteger os americanos é extinguir o fogo nos outros lugares o mais rápido possível."

A equipe de Biden, falando em um briefing privado na semana passada, disse que a cúpula de ontem não deve ser um evento de um dia, mas sim o início de um processo de um mês para definir metas de vacinação internacionais claras e caminhos para alcançá-las, disseram pessoas familiarizadas com o tema.

Em uma audiência na sexta-feira, os cientistas da Food and Drug Administration (FDA) reconheceram a crescente pressão política em torno do plano de reforço. Peter Marks, diretor do Centro de Avaliação e Pesquisa Biológica da FDA, começou a audiência pedindo ao painel que se concentrasse na ciência das vacinas de reforço, sem desviar para “questões relacionadas à igualdade global das vacinas”.

O painel votou para recomendar reforços da vacina Pfizer/BioNTech para pessoas com 65 anos ou mais, bem como aquelas com condições que as colocam em maior risco de sofrer covid-19 grave.

São Paulo reduz para oito semanas o intervalo da Pfizer
O Estado de São Paulo vai reduzir o intervalo entre as doses da vacina da Pfizer a partir desta sexta-feira, 24. A segunda dose desse imunizante poderá ser aplicada oito semanas após a primeira. No início do mês, o Ministério da Saúde havia anunciado a redução, mas não deu mais detalhes.

A informação foi dada pela coordenadora-geral do Programa Estadual de Imunizações (PEI), Regiane de Paula, em coletiva de imprensa ontem. "Quem já recebeu a primeira dose desse imunizante poderá receber a segunda dose quatro semanas antes do prazo inicialmente indicado na sua carteira de vacinação", disse Regiane. Cerca de dois milhões de doses serão enviadas aos 645 municípios para viabilizar a antecipação.

Segundo o Estado, 6,9 milhões de pessoas já imunizadas com a primeira dose serão beneficiadas com a redução do intervalo. A Secretaria de Estado da Saúde e a Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo) disseram estar reprogramando o disparo de mensagens de texto pelo celular e e-mail com informações sobre esta medida.

A coletiva marcou a primeira entrega de doses da Coronavac pelo governo de São Paulo diretamente a outras unidades da federação. Os Estados do Ceará, Pará, Piauí, Espírito Santo e Mato Grosso compraram, ao todo, 2,5 milhões de doses da vacina produzida pelo Instituto Butantan. De acordo com Dimas Covas, cada dose custa US$ 10,30, mesmo valor pago pelo governo federal.

Wellington Dias (PT), governador do Piauí, afirmou que seu Estado é um dos que possuem uma grande defasagem na vacinação. "Ainda há muita gente precisando tomar a primeira dose [...] Fizemos várias tentativas de suprir essa falha do governo federal, mas algumas barreiras nos impediam. Então hoje é um dia histórico", disse. 

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), disse que seu Estado se ofereceu para ser parceiro do Instituto Butantan em um futuro estudo para uso da Coronavac em crianças de três a 11 anos. "O uso em crianças ainda não é liberado pela Anvisa, mas já é em outros países", disse. Casagrande informou também que reservou doses da Butanvac, vacina que está sendo desenvolvida no Instituto Butantan, para usar na campanha de vacinação do ano que vem se for necessário.

O secretário Estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, informou que o problema para notificar casos de covid-19 ao Ministério da Saúde está resolvido. Nas últimas semanas, os Estados estavam enfrentando dificuldades com a nova versão do sistema e-SUS Notifica, plataforma usada para registrar as informações relacionadas à pandemia. Por isso, houve uma queda brusca de quase 80% no número de novos casos de covid no Estado, seguido por um forte aumento de mais de 300%, segundo Gorinchteyn.

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