Biden pede união e assina primeiras medidas

Publicação: 2021-01-21 00:00:00
O novo presidente americano, Joe Biden, assinou 17 ordens executivas ontem, que incluem o retorno dos Estados Unidos ao Acordo de Paris e à Organização Mundial da Saúde (OMS). Em primeira aparição no Salão Oval, o democrata disse que estava assinando ações "ousadas". "Não há tempo para começar como hoje", disse Biden, completando que essas ações visam cumprir suas promessas ao povo americano.

Créditos: Reprodução/YouTubeJoe Biden elencou o combate ao terrorismo doméstico e “ao supremacismo branco” como os principais desafios de sua gestãoJoe Biden elencou o combate ao terrorismo doméstico e “ao supremacismo branco” como os principais desafios de sua gestão

Joe Biden tomou posse ontem como o 46 º presidente dos EUA com um contundente apelo pela união dos americanos como saída para o acúmulo de crises - econômica, sanitária e política. Depois de meses com as instituições sob ataque do ex-presidente Donald Trump, que questionou a legitimidade das eleições presidenciais, e após uma invasão ao Capitólio por extremistas, Biden considerou que o país havia sido testado e celebrou: "A democracia prevaleceu".

"Hoje celebramos o triunfo não de um candidato, mas de uma causa: a causa da democracia", disse na abertura de seu primeiro discurso como presidente, feito a uma plateia de poucos convidados, com os gramados do National Mall vazios. Por medo de atos violentos, 25 mil homens da Guarda Nacional bloquearam acesso do público. Ao lado do combate à pandemia e à crise econômica, Biden elencou o combate ao terrorismo doméstico e ao supremacismo branco como desafios de sua gestão, dando nome ao que Trump evitou condenar e ajudou a inflamar nos seus 1.461 dias como presidente.

Ao clamar pelo fim da intolerância em um país dividido, Biden chamou o momento atual de uma "guerra incivil" que opõe "o vermelho (cor do Partido Republicano) ao azul (cor do Partido Democrata), o rural ao urbano, o conservador ao liberal". Em seu discurso, o democrata saudou a ciência, a diversidade, a democracia, a união e a política.

O novo presidente admitiu que assumiu o país em um dos momentos mais difíceis e desafiadores da história e, em solidariedade às famílias dos 400 mil mortos por covid-19 nos EUA, pediu um minuto de silêncio. Em uma de suas 17 ordens executivas assinadas ainda ontem (mais informações nas páginas A14 e A15), Biden determinou a obrigatoriedade do uso de máscara em propriedades federais para evitar a disseminação do coronavírus.

Com a mão sobre uma Bíblia que está com sua família há 128 anos, Biden prometeu proteger a Constituição. Primeira mulher e primeira negra a chegar à Casa Branca, a vice-presidente Kamala Harris prestou seu juramento minutos antes em uma cerimônia conduzida pela juíza Sonia Sotomayor, a primeira latina da Suprema Corte.

Eleito em um ano de protestos antirracismo de magnitude comparável aos da época do movimento pelos direitos civis, Biden prometeu lutar pela justiça para todos e organizou uma posse com aceno a diferentes alas da sociedade. Uma performance da cantora Jennifer López, descendente de porto-riquenhos - com direito a uma intervenção da cantora em espanhol -, ocorreu após o juramento prestado por Kamala.

O governo montado por Biden é o mais diverso da história americana, uma sinalização ao eleitorado jovem que cobra quadros políticos que representem com mais fidelidade a população. O time de Biden é também reconhecido pela experiência política, que o presidente eleito valoriza, um contraponto às nomeações políticas da era Trump.

"Ouçam uns aos outros. Vejam uns aos outros. Mostrem respeito uns pelos outros", pediu. Há quase 50 anos na política, o ex-senador, ex-vice-presidente e agora presidente americano afirmou que a política "não precisa ser um fogo violento, destruindo tudo em seu caminho". "Cada desacordo não precisa ser causa de guerra total. E devemos rejeitar a cultura na qual os próprios fatos são manipulados e até fabricados", afirmou Biden.









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