Natal
Blocos apostam em festas privadas em Natal
Publicado: 00:00:00 - 12/01/2022 Atualizado: 22:26:55 - 11/01/2022
Mesmo com a possibilidade de cancelamento do Carnaval de rua em Natal por causa da pandemia, alguns blocos tradicionais da cidade permanecem em preparação e em busca de recursos para viabilizar a folia. A expectativa de alguns organizadores ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE é que, ao menos, os eventos privados sejam mantidos, o que garantirá que ações nesse modelo sejam adotadas pelos blocos.

Alex Régis
Bloco Suvaco do Careca, de Ponta Negra, está em busca de patrocinadores para realizar uma festa privada de carnaval

Bloco Suvaco do Careca, de Ponta Negra, está em busca de patrocinadores para realizar uma festa privada de carnaval


É o caso do Suvaco do Careca, que se prepara para a 12ª edição em 2022. O fundador e diretor geral do bloco, Maurício Cavalcante, afirma que está em busca de patrocinadores para a execução da  festa, que deve se concentrar em um evento fechado, mesmo que a folia de rua seja permitida. “Nosso projeto foi aprovado pela Lei Djalma Maranhão e estamos captando  patrocinadores. Temos a promessa  de um [patrocinador], mas que não corresponde nem a 30% do projeto. Se conseguirmos viabilizar essa captação, estamos prontos para realizar a festa”, relata Cavalcante.

O fundador do bloco disse, ainda, que existe a possibilidade de que a festa aconteça em formato  híbrido, com a transmissão de um evento privado pelas redes sociais. O desfile de rua, segundo ele, está descartado. “Isso daria muito trabalho, porque é preciso organizar com muita antecedência. Mas os preparativos com nosso evento fechado estão na ponta da agulha. Os  músicos estão prontos, inclusive, já fizeram alguns ensaios e há outros sendo planejados”, conta. 

Segundo Maurício Cavalcante, a expectativa é que o evento aconteça no domingo de Carnaval, mesmo dia em que o bloco costumava sair em desfile pelas ruas de Ponta Negra nos anos anteriores, quando recebia cerca de 15 mil foliões. Para este ano, a programação prevista envolve 6 horas de evento, com direito a roda de samba, apresentação de uma escola de samba e de uma banda de frevo. Para participar do bloco, os foliões terão que seguir as regras estabelecidas pelos órgão de saúde.

“Nesse aspecto, a gente vai aguardar o que for exigido pelos órgãos sanitários. Agora, o que está faltando mesmo é a viabilização do projeto. Então, convoco parceiros para que o nosso bloco aconteça neste ano”, comenta Cavalcante.

O Bloco das Kengas, sinônimo de irreverência no Carnaval de Natal, também está se preparando para a festa, embora aguarde uma definição por parte da Prefeitura. Lula Belmont, fundador do bloco, afirma que uma prévia deverá acontecer ainda neste mês, com data a ser definida.

“Iremos fazer uma feijoada como prévia. Será um evento privado. Vamos nos reunir na quinta (13), para definir essa data e decidir sobre a quantidade de público permitida”, explica Belmont. De acordo com ele, a decisão da Prefeitura será respeitada e a organização do bloco avalia alguma atividade online, caso o Carnaval de rua não ocorra.

“Nosso bloco é aberto, essencialmente de rua. Se o poder público disser que não será permitido [a folia nas ruas], a gente vai respeitar as normas. Vamos aproveitar a feijoada que vai acontecer como evento prévio para veicular na internet no domingo de Carnaval, que é quando nosso bloco sai tradicionalmente”,  explica Lula Belmont.

O Bloco das Kengas foi fundado em 1983 em uma boate gay que ficava na rua Felipe Camarão,  na cidade Cidade Alta. Antes da pandemia, cerca de 20 mil pessoas costumavam aproveitar toda a alegria e irreverência do grupo.

'Os Cão' não sai pelo segundo ano consecutivo
Diferente dos demais blocos ouvidos pela reportagem, os 'Cão', que costuma arrastar multidões na terça-feira de Carnaval, na Redinha, não vai sair este ano pela segunda vez consecutiva, em razão da pandemia de covid-19.

“Oficialmente, o bloco não vai sair. Algumas pessoas afirmaram que vão entrar no mangue e se melar. Nós não temos como impedir isso, mas a  a diretoria do bloco não vai se responsabilizar como sempre fez até então”, esclarece a coordenadora dos 'Cão', Verônica Medeiros.

Segundo ela, o bloco irá elaborar um documento oficial informando sobre o cancelamento, a exemplo do que fez em 2021. Verônica ressaltou que a execução da folia pelo bloco está inviabilizada mesmo se a decisão de realizar a festa de rua for mantida pelos órgãos públicos. “A organização do bloco começa pelo menos seis meses antes do Carnaval”, conta.

A coordenadora detalha que o bloco cria subtemas a partir do projeto “Cão que é cão, não mela o folião”, com ações de sensibilização à defesa do meio ambiente. “Distribuímos camisas para quem não quer se melar. As peças  são patrocinadas por amigos e doadas aos foliões. Também distribuímos cachaça e temos que viabilizar cordeiros. Para tudo isso, é preciso angariar fundos, o que leva tempo”, descreve Verônica ao detalhar as dificuldades de organizar a festa. 

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