Blocos motivam foliões nos velhos redutos

Publicação: 2018-02-07 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Reduto carnavalesco dos mais antigos de Natal, a Redinha se caracteriza por uma festa fervilhante, onde cores, ritmos e mar se fundem sob o sol. O pólo da Zona Norte é o único que oferece aquele clima gostoso de veraneio, com as casas decoradas e abertas à folia. O espírito festeiro do local vem de longe. Bem antes do carnaval de Natal tomar as proporções que tomou, a Redinha já era pura alegria em fevereiro. Tanto que o pólo é o que reúne alguns dos blocos de rua mais duradouros da cidade, como Os Cão, com 52 anos, As Raparigas, com 42, e a Banda do Siri, que em 2018 completa com 30 carnavais.

As Raparigas emplaca a brincadeira de homens vestidos de mulher e mulheres com trajes masculinos
As Raparigas emplaca a brincadeira de homens vestidos de mulher e mulheres com trajes masculinos

Para Fábio Lima, um dos fundadores da Banda do Siri, a Redinha sempre foi um lugar festivo por natureza. Para ele, uma das principais características do carnaval de lá é ser aberto, sem cordas e nem exigências. “O carnaval na Redinha se destaca pela quantidade de bloquinhos. Temos muitos. Toda hora tem algum passando na rua”, diz Fábio. Sobre a Banda do Siri, ele conta que participam moradores da Redinha, veranistas e gente que vem do interior passar o carnaval na praia. “O bloco vem crescendo de público a cada carnaval. Em 30 anos nunca tivemos uma confusão. A banda é boa. A gente preza por um carnaval divertido e tranquilo. As pessoas vem brincar no bloco por causa disso”.

A Banda do Siri sai no domingo e na terça de carnaval, percorrendo as ruas do bairro até a praia, com orquestra de frevo, seis bonecos gigantes e muito colorido. “Antes a gente saia todos os dias. Mas resolvemos concentrar as energias em apenas dois. Para 2018 preparamos uma orquestra melhor. Sairemos com mais de 50 músicos. Pra você ter uma ideia, nos primeiros anos saíamos com uma bandinha de seis músicos. No repertório, só frevo e marchinhas que é o que o pessoal gosta”, comenta Fábio sobre o bloco que surgiu com a ideia de representar os nativos da Redinha.

No polo da Redinha, Banda do Siri comemora 30 anos e sairá domingo e terça-feira
No polo da Redinha, Banda do Siri comemora 30 anos e sairá domingo e terça-feira

Outro bloco que há décadas arrasta multidões pelas ruas da Redinha, As Raparigas se destaca pela irreverência da tradicional brincadeira dos homens vestidos de mulher e mulheres vestidas de homem. Esse ano o bloco sai no domingo e na segunda, com grande orquestra de frevo, boneco gigante e desfile de estandartes.

Para Saulo Rocha, diretor do bloco, o diferencial d'As Raparigas  é a criatividade dos foliões, que preferem improvisar roupas a comprar peças caras. “A maioria das pessoas pega qualquer roupa feminina, se veste de qualquer maneira, usa maquiagem borrada, colocam o salto, tudo para arrancar risadas do público”, comenta.

Encontro de blocos sob o sol: Baiacu na Vara e Bloco dos Garis encerram o carnaval
Encontro de blocos sob o sol: Baiacu na Vara e Bloco dos Garis encerram o carnaval

Saulo herdou a responsabilidade de organizar a saída d'As Raparigas do pai Naldo de Nazaré, um dos fundadores do bloco, que faleceu em 2016. Ele diz que o bloco surgiu por iniciativa de pescadores e boêmios da Redinha, que se vestiram com as roupas das esposas, mães e tias e saíras às ruas batucando latas e pedindo bebidas nas casas dos veranistas. “O povo viu aquele grupo de amigos na rua com roupas femininas velhas e apelidou de Raparigas”, explica. Saulo conta que foi somente no início dos anos 90 que o bloco estourou. “Foi quando pela primeira vez deixamos de sair apenas batendo latas, panelas, baldes e bacias e tivemos uma Orquestra de Frevo”.

Outros blocos tradicionais que arrastam grande público na Redinha são a troça do Zé Prikito, Redinha dos Meus Amores e o Baiacu na Vara, que há quase 30 anos desfila na quarta-feira de cinzas, encerrando o carnaval de Natal com aquele gostinho de quero mais. Mais recente, o Bloco Sem preconceitos, aproveita a folia para também chamar a atenção contra a discriminação da mulher e o racismo. O bloco completa 10 anos em 2018 e sai no domingo.

Galo dos Perturbados tem atraído foliões a cada ano
Galo dos Perturbados tem atraído foliões a cada ano

São tantos blocos, que tem dias que a cada uma hora sai um bloquinho diferente pelas ruas. Muitos nem aparecem na programação da Prefeitura porque são pequenos e espontâneos, montados apenas para a brincadeiras entre amigos. A maioria deles saem pela tarde. Mas também há aqueles foliões que às 6h da manhã já estão de pé. É o caso do bloco Acorda, que a cada carnaval se valoriza.

Dois palcos na Redinha
Com tantos foliões, a Redinha conta com dois palcos, cada um focado em ritmos diferentes. Na Praça do Cruzeiro, onde a maioria dos bloco sai, toma conta o frevo e as marchinhas. Já no Largo do Buiú, acontecem os grandes shows. Se em anos anteriores a praia já recebeu shows de Elba Ramalho, Monobloco, Originais do Samba e Moraes Moreira, em 2018 ficou sem atração nacional. Mas os foliões contarão com atrações de peso, como as locais Grafith e Cavaleiros, além de muitos artistas.

Galo arrasta público no Centro Histórico
O bloco que a cada ano reúne mais e mais foliões na Cidade Alta é o Galo dos Perturbados. Em 2018 o bloco completa oito carnavais consecutivos e vai prestar uma homenagem aos queridos garçons. Um boneco gigante caracterizado como garçom se juntará aos tradicionais bonecos do ex-Rei Momo Paulo Maux, do músico Mainha, do cozinheiro Gardênia e do comerciante Nazi, numa parceria com o bloco “Nazi vai à Ribeira”, além, claro, do galináceo gigante, o mascote do Galo dos Perturbados. O bloco sairá na terça-feira (13), com concentração às 16h30 no Bar do Naldo. Antecipando a folia, o Galo dos Perturbados realizará uma prévia carnavalesca no sábado (10), às 20h, também no Bar do Naldo, com o cantor Silveirinha Kosta e banda.

No Centro Histórico, outro sucesso de público é o Desfile das Kengas, quem em 2018 completa 35 anos. A concentração começa às 16h, com a Praça André de Albuquerque sendo tomada pelo colorido das irreverentes foliãs. No palco montado no bairro, os shows começam às 16h30, com a potiguar Dani Cruz. Às 20h, todo o suingue da cantora Sandra de Sá embalará o público. Participa do show, a cantora Renata Arruda.

Programação

Polo Redinha
Sexta (09)
Praça do Cruzeiro
21h00 – Rodolfo Amaral
Largo do Buiú
21h00 – João Batista
23h00 – Isaque Galvão
Sábado (10)
Bloco, 15h30 – Vice e Versa

Praça do Cruzeiro
21h00 – Dodora Cardoso
23h00 – Luna Hesse

Largo do Buiú
21h00 – Alphorria
23h00 – Grafith

Domingo (11)
Blocos
11h30 – As Raparigas
15h00 – Troça do Zé Prikito
16h00 – Sem Preconceito eu Vou
17h00 – Banda do Siri

Praça do Cruzeiro
21h00 – Dudu Galvão
23h00 – Sueldo Soares

Largo do Buiú
21h00 – Luizinho Nobre
23h00 – Cavaleiros do Forró

Segunda (12)
Blocos
11h30 – As Raparigas
14h30 – Pimenta Nelas
16h00 – Redinha dos Meus Amores
17h00 – Galo da Praia

Praça do Cruzeiro
21h00 – Debinha Ramos
23h00 – Leão Neto

Largo do Buiú
21h00 – Fadja Lorena
23h00 – Priscila Braw
01h00 – Panka de Bacana

Terça (13)
Blocos
09h00 – Os Cão
16h00 – Os Bem Amados
17h00 – Banda do Siri

Praça do Cruzeiro
21h00 – Yrhan Barreto
23h00 – Dom Cardoso e Seus Metais
Largo do Buiú
21h00 – Artur Soares
23h00 – Kelly Wange
01h00 – Chico e Naty Calazans
Quarta (14)
Blocos
09h30 – Bloco dos Garis
10h30 – Baiacú na Vara

Polo Centro Histórico
Sábado
Bloco do Zé Reeira – rua professor Zuza
DOMINGO (11/02)
16h – “Desfile das Kengas”
19h Dani Cruz
21h – Shows de Sandra de Sá e Renata Arruda (Palco av Câmara Cascudo, Centro)

Terça
Galo dos Perturbados 

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