BNDES vai financiar parques no RN

Publicação: 2011-11-23 00:00:00 | Comentários: 1
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Renata Moura* e Sara Vasconcelos - Repórteres

(*) Renata Moura viajou ao Rio de Janeiro a convite do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou ontem R$ 839 milhões em financiamentos para implantação de 14 parques eólicos no Rio Grande do Norte e, por meio do vice-presidente, João Carlos Ferraz, rebateu críticas do setor, que tem apontado perda de competitividade do Nordeste para viabilizar projetos na área - depois que o banco passou a concentrar a concessão de empréstimos. Até meados do primeiro semestre deste ano, essa responsabilidade era dividida com o Banco do Nordeste. “Não acho que está havendo queda ou desincentivo ao investimento eólico na região porque o BNDES está financiando. A concentração dos empréstimos no banco foi uma decisão de governo que não vem em detrimento de uma migração de investimentos para outro lugar que não seja o Nordeste”, disse, em entrevista coletiva. “Uma prova disso foi a aprovação hoje (ontem) desses financiamentos para projetos no Rio Grande do Norte”, acrescentou.
Emanuel AmaralInstalação de usinas em Pedra Grande, São Miguel e São Bento do Norte vai aumentar produção de energia em mais 263,6 megawattsInstalação de usinas em Pedra Grande, São Miguel e São Bento do Norte vai aumentar produção de energia em mais 263,6 megawatts

Os 14 parques que tiveram empréstimo aprovado no estado terão uma potência instalada somada de 263,6 Megawatts (MW). São projetos que serão tocados por dois grupos diferentes de investidores.

O maior deles é composto por 10 parques e será implantado pelo grupo Soares Penido, com investimento total de R$ 754,6 milhões, dos quais 73,8% - ou R$ 557,1 milhões – financiados pelo banco. Os parques serão instalados nos municípios de Pedra Grande e São Miguel, com potência instalada total de 169,6 MW. Os recursos também servirão para financiar o sistema de transmissão de energia dos projetos.

O outro projeto aprovado é do grupo Galvão e contempla quatro parques eólicos no município de São Bento do Norte. Os parques terão 94 MW de potência instalada e vão custar R$ 401,4 milhões. Desse total, 70,27%, ou R$ 282 milhões, serão financiados. Nos dois casos, o dinheiro será destinado principalmente à aquisição de equipamentos nacionais como aerogeradores e torres. Uma vez aprovados os empréstimos, inicia-se a etapa de contratação para início da liberação dos recursos.

De acordo com Ferraz, a concentração dos financiamentos no banco foi uma forma que o governo federal encontrou de induzir “um tipo de especialização para um tipo de atividade econômica em que o BNDES teria melhores retornos do ponto de vista da eficiência do uso do recurso público”. Um trabalho paralelo que, segundo ele, poderia ser encampado por outros bancos seria o de incentivar na região a instalação de fábricas para produção de partes e componentes para equipar os parques. “Seria um meio de tornar mais sofisticados os investimentos”, disse.

Representantes do setor têm criticado o fato de a participação do Banco do Nordeste nos projetos de geração ter sido encerrada. Eles, inclusive, citam esse como um dos fatores responsáveis pelo fato de o Rio Grande do Norte ter sido ultrapassado pelo Rio Grande do Sul em número de projetos emplacados nos leilões de energia realizados em agosto. Até então, o estado vinha se destacando como líder em número de projetos e energia contratada. Na visão de investidores e de representantes de entidades ligados ao setor, a oferta de financiamentos por um banco de atuação mais regionalizada era um dos atrativos do estado, que sofre com deficiências na área de infraestrutura não só para escoar a energia, mas também, por exemplo, para transportar as peças até os parques de geração. São deficiências que aumentam o custo de geração e escoamento da energia no RN.

Fórum discute regionalização de leilões

Leilões que agrupem a potência voltada para atender à demanda por região do País e por segmento de fonte de energia foi um dos temas defendidos por representantes de estados geradores de energia eólica, durante o 3º Fórum Nacional Eólico, realizado no Hotel Pirâmide, em Natal.  A regionalização dos leilões (forma adotada pelo governo federal para viabilizar a comercialização de energia no sistema elétrico), explica o diretor da Câmara de Energia da  Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, Rafael Valverde de Miranda Souto, poderia evitar o atraso para execução de projetos contemplado nos leilões de reservas, que por não ser para  consumo imediato, ficariam relegados a um segundo plano.

“A separação da disputa por fontes seria uma forma de garantir para para os estados do nordeste maior competitividade e otimizar  projetos, por exemplo, para reforçar a infraestrutura de transmissão, hoje em atraso”, afirma Rafael Valverde.

O modelo atual dos leilões é desfavorável, de acordo com o diretor, por não priorizar as particularidades e a competitividade das regiões. As regiões Norte e Nordeste possuem custo marginal de operação menor do que nas demais regiões, observa o diretor.

 Nos leilões é disponibilizado, para arremate por menor preço, um volume de energia voltado para atender o Brasil como um todo, com regras padronizadas para quaisquer tipos de fontes negociadas.

O diretor do Cerne defende ainda forma diferenciadas de financiamentos para o nordeste à exemplo do que era empregado pelo Banco do Nordeste, para os leilões ocorridos em 2009 e 2010.

A nova presidente  executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, Elbia Melo, alega, por sua vez, que para manter a competitividade do setor de energia dos ventos, segundo  é preciso para  estabelecer mecanismos que contribuam para a comercialização da energia renovável. Entre eles a inserção no mercado livre e a realização de leilões de portfólios de energia, com a venda combinada de mais de um segmento. “Precisamos viabilizar meios para consolidar a indústria eólica no país”, afirmou Elbia Melo.

Ao final dos dois dias do encontro foi atualizada a Carta dos Ventos, documento de diretrizes firmado em 2009 entre a área governamental (federal e dos Estados), o setor eólico e industrial nacional.

Construção de hotel é aprovada

Não são só os investidores do setor de energia que estão recorrendo ao banco para dar fôlego aos projetos. Hoje, o grupo Corporacion América, integrante do consórcio que arrematou a concessão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, irá ao BNDES fazer uma apresentação do projeto. A apresentação será feita a cinco dias da assinatura do contrato de concessão, agendada para o dia 28 de novembro, possivelmente com a presença da presidente Dilma Rousseff no RN.
DivulgaçãoFerraz rebate críticas feitas por empresários em fórum de eólicasFerraz rebate críticas feitas por empresários em fórum de eólicas

O grupo argentino fará uma reunião de apresentação do projeto para a equipe de análise do banco. É uma etapa que precede a apresentação da carta consulta, documento que oficializa o pedido de financiamento. “O banco não vai se recusar a financiar um bom projeto de infraestrutura. Como também está disposto a financiar os outros aeroportos que irão a leilão”, disse o vice-presidente do banco. Ele acrescentou que também há preocupação com o entorno desses empreendimentos. “Mas o papel das autoridades locais é muito mais importante no entorno do que de um banco público”, ponderou. O consórcio que arrematou o aeroporto, em leilão, irá terminar de construí-lo e administrá-lo, por meio de uma concessão com prazo de 28 anos. O consórcio também é composto pelo grupo brasileiro Engevix.

HOTEL

O banco também anunciou ontem a aprovação de R$ 10 milhões em financiamentos para a Vitrine Empreendimentos Ltda implantar em Natal uma unidade do Hotel Ibis, bandeira da rede Accor. A operação foi realizada por meio do programa BNDES Procopa Turismo, voltado à ampliação e modernização do parque hoteleiro nacional. O novo hotel será erguido em Lagoa Nova, próximo a Arena das Dunas – projeto que também será financiado pelo banco. O contrato de financiamento da Arena, com o grupo OAS, foi assinado em outubro deste ano. O banco não divulgou se e quanto já foi liberado para o grupo.

No caso do hotel, a inauguração é prevista para dezembro de 2012. O empreendimento terá 15 pavimentos, 144 apartamentos, restaurante para 52 pessoas e um bar. O financiamento do BNDES corresponde a 56% do investimento total. Este ano, outros dois hotéis tiveram financiamentos aprovados: um em São Paulo (R$ 32,5 milhões) e um no Rio de Janeiro (R$ 9,03 milhões).

Abeeólica comemora liberação de empréstimo

A liberação de R$ 839 milhões por parte do BNDES para financiamento de 14 parques eólicos no Rio Grande do Norte foi comemorada por investidores, representantes da indústria eólica e gestores públicos que participaram do 3º Fórum de Energia Eólica, realizado em Natal. O acesso a financiamentos e as mudanças na padronização para a captação dos recursos, que tirou o Banco do Nordeste (BNB) da oferta de crédito, foi um dos principais gargalos apontados pelos especialistas durante os dois dias de discussão.
Assessoria CerneRafael Valverde lembra que modelo adotado pelo governo cria empecilhos para o setor energéticoRafael Valverde lembra que modelo adotado pelo governo cria empecilhos para o setor energético

O diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Pedro Perreli disse  que a liberação chega em momento de grande debate e preocupação para o setor. “É uma notícia alvissareira”. mesmo que não seja contratado nas mesmas condições antes ofertadas pelo Banco do Nordeste (BNB), “o dinheiro mais barato disponível para o mercado, que é o do BNDES, ainda é a melhor forma de garantir o andamento dos projetos”, garantiu. Com o recurso liberado, acrescenta o executivo, é preciso agilizar com os prazos e execução dos projetos.

 “Este é um tema que  vem sendo acompanhado pelo governo. As projeções são as mais positivas ainda, a partir o valor liberado”, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado (Sedec) Benito Gama. O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, destacou que o  investimento trará benefícios para a economia do Estado. A liberação, lembra o diretor do Cerne, é parte do processo, com a qualificação de projetos contratados nos leilões. “Aguardávamos esta liberação”, disse.

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Comentários

  • amvc

    Gostaria de lembrar que tambem existem aerogeradores menores que podem fornecer energia a pequenos e medios empresas a um custo bastante acessivel. Tem uma fabrica em Fortaleza que esta sendo montada que fornece esse tipo de aerogerador. Em breve estara vendendo pra todo o Brasil.