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Publicado: 00:00:00 - 09/01/2022 Atualizado: 17:37:36 - 09/01/2022

Dácio Galvão

Escritor, poeta, e secretário de Cultura de Natal  


O ano se inicia nos alpendres. Beira do mar, lugar comum. Litoral. Onde a brisa é mais vida. Fluida. Líquida. Solar. Soprando sinais. Tudo a ver com as celebrações dos 100 anos da Semana de Arte Moderna. País se engajando. Aqui o sotaque deverá ser localista. Decupagem.

Cena 1: Arlindo Bezerra, ator e produtor cultural, imerso em Brasília, na perspectiva do musical de trajetória antropófaga. Há um proto script argumentado. Envolve protagonistas da cena literária e visual nos anos de 1920. E outros de décadas subsequentes. Esbarra em 1972. Quando se fecha, ou se reabre, o ciclo conceitual da modernidade?  

Cena 2: O ensaísta Humberto Hermenegildo e João Palhano, prospecta a reatualização da edição crítica da poética de Jorge Fernandes. O trabalho sofreu parada no período pandêmico. Já retomado. O livro-marco de Jorge terá reconsiderações e anotações adicionais. Inaugurador de estrepolias sígnicas-visuais Fernandes é referência. Lembrar da interpretação de Fátima de Brito: música e canto do “Poema” de JF na versão da revista paulista Terra Roxa e outra Terras...     

Cena 3: Rejane Cardoso vai trazer à cena, compilando novidades, a reedição do livro Elogio do Delírio, do artista Erasmo Xavier. Terá patrocínio de recursos oriundos do Programa Municipal Djalma Maranhão, da Secretaria de Cultura. O projeto se insere no contexto de contributos diversos no campo gráfico-visual. Vai pintar acréscimos inéditos do fazer criativo de Erasmo. 

Cena 4: De Sampa, a premiada videoartista Lucila Meirelles em dobradinha com o compositor Cid Campos envia notícias super empolgadas. A feitura de documentário experimental-surrealista em tom ficcional, sobre o coquista potiguar Chico Antônio e a relação com o autor de Macunaíma e Café, escritor Mário de Andrade. Vai dar coco! A pesquisa começa no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB)  da Universidade de São Paulo onde se encontra considerável acervo de Andrade.

Cena 5: O escritor poeta e performer Marcos Silva professor do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas-FFLCH/USP está disparado na organização de um “Dossiê”. Publicação acadêmica incrementadíssima cujo título será 1922/2022: O SÉCULO DA SEMANA (BALANÇOS E PERSPECTIVAS). A titulação é definidora. Bacana a possibilidade de inclusão de artigo sobre o ativismo moderno na produção de Câmara Cascudo. Espaço para o tradutor de Walt Whitman, é reafirmá-lo. Atuou na Revista de Antropofagia.

Entre tantas boas no mês de janeiro se estampa a encenação do “O Bailado do deus morto”, 1933, do múltiplo e radical modernista Flávio de Carvalho. Peça montada por quem tradicionaliza e faz pontes sábias entre rupturas artísticas: a turma comandada por Zé Celso do Teatro Oficina Uzyna Uzona. Tem a direção de Marcelo Drummond. O Uzyna Uzona vem zunindo mil engrenagens. O impactante cartaz publicizando o rito-espetáculo se nomina Encruzilhada de Flávio de Carvalho com Tarsila do Amaral. Patriarcalismo, religiosidade, sexualidade, civilização tecnizada... Deus. Alguns dos paradigmas geradores de reflexões. 

Quem ainda não leu o definitivo ensaio Do Pau-Brasil a Antropofagia a às Utopias, de Benedito Nunes, não deve perder tempo. Do contrário, não vai compreender Oswald de Andrade. Ou seja, não saberá de Modernidade. 

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