Bolívia paralisa apuração e opositor pede marchas

Publicação: 2019-10-22 00:00:00
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LA PAZ - O Tribunal Eleitoral da Bolívia cancelou ontem a chamada contagem rápida, procedimento estatístico criado para tentar prever o resultado das eleições no país. Esta apuração já havia sido suspensa na noite de domingo, com 83,7% das urnas contabilizadas. O presidente Evo Morales havia recebido então 45,28% dos votos e o opositor Carlos Mesa, 38,16% - o que levaria a eleição para o segundo turno.

A paralisação levantou suspeitas de fraude. Para vencer a eleição no primeiro turno, Evo precisaria de mais de 50% dos votos ou de manter 10 pontos porcentuais de vantagem sobre o segundo colocado. A apuração havia sido interrompida sem que o Tribunal Eleitoral desse qualquer explicação. O presidente, há 14 anos no poder, nunca disputou um segundo turno e confiava no voto das zonas rurais para resolver a disputa ainda no primeiro turno.

Mesa criticou a paralisação da apuração preliminar e pediu uma mobilização popular para exigir transparência nos resultados. "Quero denunciar que o governo está tentando evitar um segundo turno", disse o líder da oposição, que acusa do Tribunal Eleitoral de já ter o resultado de 100% da apuração.

Segundo Mesa, o órgão estaria segurando o resultado para poder alterá-lo, mostrando Evo com os 10 pontos porcentuais à frente que evitariam o segundo turno. O Tribunal Eleitoral se defende, dizendo que parou a contagem rápida porque a apuração oficial havia começado e não faria sentido investir tempo em um resultado provisório.

Ontem, o governo da Bolívia e uma missão de observação da Organização dos Estados Americanos concordaram em estabelecer uma "equipe de acompanhamento permanente" para a apuração. O chanceler boliviano, Diego Pary, confirmou a informação pelo Twitter.

A decisão foi anunciada depois que Mesa denunciou a tentativa do Tribunal Eleitoral de "manipular o resultado das eleições". "A partir de todas as contagens rápidas independentes, estamos no segundo turno com uma diferença inferior a 5 pontos porcentuais. O que está acontecendo é grave, ao ponto de observadores da OEA fazerem um alerta, perguntando por que a recontagem foi interrompida. Não podemos aceitar que se manipule um resultado que nos leva ao segundo turno, que deve ser realizado de qualquer maneira", disse Mesa.







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