Bolsonaro: ‘Não dê munição ao canalha’

Publicação: 2019-11-10 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
O presidente Jair Bolsonaro escreveu em uma rede social na manhã de ontem duas mensagens em que conclama os "amantes da liberdade e do bem" e recomenda não dar "munição ao canalha, que momentaneamente está livre". "Amantes da liberdade e do bem, somos a maioria. Não podemos cometer erros", diz o post.

Jair Bolsonaro pede que seguidores evitem tumultos
Jair Bolsonaro pede que seguidores evitem tumultos

"Sem um norte e um comando, mesmo a melhor tropa, se torna num (sic) bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos. Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa", afirma.

Em um segundo post, o presidente da República escreve: "Iniciamos a (sic) poucos meses a nova fase de recuperação do Brasil e não é um processo rápido, mas avançamos com fatos". E repete: "Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa".

Nos dois tuítes, Bolsonaro não cita nenhum nome e evita qualquer menção direta a adversários políticos que ganharam liberdade após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a prisão após a condenação em segunda instância.

Mudança
O ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu respeito à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em que um condenado tem o direito à liberdade até o fim de todos os recursos judiciais. Em sua conta no Twitter, o ex-juiz publicou um texto em que afirmou no entanto, que a medida ainda pode ser alterada, "como o próprio Min. Toffoli (presidente do STF, Dias Toffoli) reconheceu pelo Congresso", diz a publicação.

Sergio Moro sinaliza que é possível reverter a decisão do STF
Sergio Moro sinaliza que é possível reverter a decisão do STF

"Lutar pela Justiça e pela segurança pública não é tarefa fácil. Previsíveis vitórias e revezes. Preferimos a primeira e lamentamos a segunda, mas nunca desistiremos", ressaltou Moro na rede social, acompanhado de um vídeo.

Ontem, Moro defendeu o direito do Legislativo de alterar a Constituição para prever a prisão após condenação em segunda instância. A declaração foi dada ao Estado um dia depois de o STF vetar a possibilidade por 6 votos a 5. "O Congresso pode, de todo modo, alterar a Constituição ou a lei para permitir novamente a execução em segunda instância, como, aliás, reconhecido no voto do próprio presidente do STF, Dias Toffoli", disse o ministro. "Afinal, juízes interpretam a lei e congressistas fazem a lei, cada um em sua competência."

Uma proposta sobre o tema deve ser votada na segunda-feira (11) em comissão da Câmara e, segundo o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pode ir a votação no Plenário caso seja aprovada.

Militantes iniciam concentração
Militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e de movimentos sociais de esquerda estavam concentrados na manhã de ontem (9) nos arredores do Sindicato do Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faria (às 13h) de acordo com sua conta oficial no Twitter, seu segundo discurso após ter sido solto, ontem, da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Na sexta-feira, após deixar a prisão, o petista discursou por cerca de 15 minutos. A manifestação não havia iniciado até o fechamento desta edição (às 12h30 de sábado) 

Centenas de pessoas estavam  dentro e fora da sede do Sindicato, aguardando a hora de ouvir Lula, que estava cumprindo pena por corrupção desde 7 de abril do ano passado.

Aos poucos, iam chegando caravanas de várias cidades de dentro e fora de São Paulo portando faixas e cartazes com dizeres da Campanha "Lula Livre" e cantando palavras de ordem como "Lula lá", trecho de um dos mais famosos jingles de campanha do PT, de 1989. Sobre o caminhão de som em que Lula fará seu discurso, os técnicos fazem os ajustes.

Ao contrário do clima tenso, de preocupação e apreensão, permeado de atos hostis contra a imprensa, que marcou os três dias que antecederam a prisão do maior líder petista, em 2018, ontem o ambiente é de festa. Os seguidores de Lula cantam, dançam, saúdam amigos que não viam desde a última concentração no Sindicato, antes de Lula ser preso.

Muitos ambulantes aproveitaram o evento para fazer dinheiro e abastecem a multidão, no local desde as primeiras horas deste sábado, com bebidas e espetinhos de churrasco. O policiamento era grande. Mas os policiais também transitam com tranquilidade no local.

Polarização política preocupa o mercado 
O mercado reagiu sexta à soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com alta forte do dólar e queda no Ibovespa, principal indicador do Bolsa de São Paulo. A leitura foi de que, do ponto de vista jurídico, a mudança de posição do Supremo Tribunal Federal (STF) traz insegurança e assusta sobretudo o investidor estrangeiro. Pelo lado político, na visão dos agentes significa o acirramento da polarização em Brasília e nas ruas, o que poderia afetar o andamento da pauta econômica do governo.

Há, inclusive, parlamentares ameaçando obstruir qualquer votação no Congresso até que ocorra a análise da proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre a prisão em segunda instância. Foi nesse ambiente que o dólar subiu 1,80% ontem e fechou cotado a R$ 4,1666 no mercado à vista. Já a Bolsa fechou com queda de 1 78%, aos 107.628,98 pontos.

Sexta, no caso do câmbio, em menos de 45 minutos, período entre a notícia de que o ex-presidente seria solto e o fechamento do mercado, houve renovação de sucessivas máximas e a incorporação de dois centavos na cotação, da casa de R$ 4,14 para a de R$ 4 16.

"Na semana, a moeda norte-americana refletiu dois eventos: de um lado, o leilão, que começou tudo, e depois a liberação do Lula. O mercado deu uma azedada, não teve nenhuma notícia que ajudasse o real (na semana)", disse o economista da corretora Nova Futura Pedro Paulo Silveira. O economista se referia também ao fracasso dos leilões realizados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Soltura estava precificada, diz analista 
A semana no mercado de ações encerrou com os investidores se desfazendo de suas posições, mesmo após terem absorvido a frustração com os dois leilões de petróleo e gás, com resultado negativo para o governo.

Na avaliação do economista-chefe do banco digital ModalMais, Álvaro Bandeira, o noticiário deu impulso à realização de ganhos acumulados na esticada de cinco mil pontos do índice à vista desde o final de outubro. "A soltura de Lula já estava mais ou menos no preço. O mercado já estava meio que esperando a decisão do Supremo desde que a ministra Rosa Weber mudou o voto", disse.
No entanto, para ele, apesar dos ruídos que podem haver com a intensificação da polarização, se o governo seguir tocando a agenda liberal e reformista, não deve comprometer a tendência até agora vista para a Bolsa. "Por enquanto, não dá para assustar, vamos ver os desdobramentos."

O analista-chefe da Necton Corretora, Glauco Legat, ressalta que o tom pode ser mais negativo com Lula solto em um contexto no qual o governo quer fazer mais reformas. "De maneira geral, a soltura dele traz eventos negativos e fica mais evidente o Brasil dividido, com passeatas que já começam", diz.

Nesse meio tempo, o senador José Serra (PSDB-SP) protocolou requerimento solicitando dados que embasaram a elaboração das três Propostas de Emenda à Constituição (PECs) do pacote Mais Brasil, em tramitação no Senado.



continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários