Política
Bolsonaro anuncia o 'Auxílio Brasil'
Publicado: 00:00:00 - 05/08/2021 Atualizado: 00:54:32 - 05/08/2021
O presidente Jair Bolsonaro confirmou que o novo programa social do governo será denominado “Auxílio  Brasil”, com benefício “pelo menos 50% maior do que o hoje pago no Bolsa Família“.  A informação foi dada ontem, durante a cerimônia de posse do ministro da Casa Civil,  Ciro Nogueira. “Estamos aprofundando de modo que tenhamos o novo programa, o Auxílio Brasil, pelo menos 50% maior do que o Bolsa Família. Eu falo 50% porque os outros 50% vou deixar pro Paulo Guedes [ministro da Economia] anunciar”, disse o presidente. Atualmente, o valor médio pago pelo Bolsa Família é de R$ 190. 

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Jair Bolsonaro empossa Ciro Nogueira e assegura que haverá novo programa social com aumento dos benefícios

Jair Bolsonaro empossa Ciro Nogueira e assegura que haverá novo programa social com aumento dos benefícios


Jair Bolsonaro acrescentou que o valor “ideal” do benefício aos brasileiros  é de R$ 400. Segundo o chefe do Executivo, a mudança é estudada para novembro ou dezembro. “Ano passado apenas nós despendemos mais recursos do que em 13 anos do programa Bolsa Família”, comentou. 

O presidente informou, antes da posse, que está em avançado entendimento para a implantação de um programa que garantirá um botijão de gás a cada dois meses para todos os beneficiários do programa. Essa informação foi dada em entrevista de Bolsonaro à rádio 96 FM, de Natal. Além de fazer esses anúncios, na entrevista, ele confirmou a entrega da Barragem de Oiticica para este ano e defendeu ações de seu governo na manutenção da economia no Brasil e na condução da pandemia. Acabando a questão da vacinação, esperamos que a economia volte à normalidade no Brasil. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

Voto impresso
“Quem está causando esse tumulto todo é o ministro Luís Roberto Barroso, que é o presidente do TSE. Ninguém consegue entender porque ele não quer o voto impresso ao lado da urna eletrônica. Para deixar bem claro: ninguém vai levar o papelzinho para casa. Ficará depositado dentro da urna eletrônica. Ele foi um dos que ajudou a tirar "o cara" (ex-presidente Lula) da cadeia, tornou ele elegível e todo mundo desconfia que é para elegê-lo, dentro da sala escura do TSE. Não podemos admitir isso. Precisa de um mecanismo para que o voto seja contado de verdade. Nada mais do que isso nós queremos. E agora temos o apoio do Arthur Lira dizendo que o que o parlamento decidir, será executado. E essa posição conta com meu apoio. Se eu quero voto no papel é para ter certeza de que em quem você votar aquele voto será contado para aquela pessoa. O senhor Barroso é pessoal a questão dele comigo. E ele não vai ganhar na canetada.” 

Novo partido
“Tenho várias propostas e espero resolver rapidamente essa questão de filiação política partidária até para começar a se acomodar e ter um norte bem definido por ocasião das eleições do ano que vem.”

Gás de cozinha
“O preço lá quando ele é engarrafado custa R$ 45 e chega a R$ 100, R$ 110. Eu zerei o imposto federal do gás. Então o que passa de R$ 45 vai para o ICMS, que é o imposto do respectivo governador do Estado; vai para o frete e para a margem de lucro. No meu entender, deveria ser R$ 60, R$ 65. Agora isso fugiu da minha alçada. Eu fiz a minha parte. Zerar o imposto.”

Vale Gás
“A Petrobras tem um fundo de mais ou menos R$ 3 bilhões para fazer um programa nesse sentido. Está bastante avançada essa proposta. A ideia é dar um botijão de gás a cada dois meses para o pessoal do bolsa família.”

Bolsa família
“A média hoje em dia é R$ 192. Nós vamos elevar o mínimo para R$ 300. Podendo chegar a R$ 400. Para novembro, dezembro.” 
Efeitos da pandemia
“A desgraça só não foi pior porque o governo federal entrou em campo com projetos como o BEM e o Pronampe. Tanto é verdade que acabamos 2020 com mais empregos criados, mais gente empregada, do que dezembro de 2019. Temos aproximadamente no Brasil 38 milhões que vivem da informalidade. E esse pessoal foi para lona. Por isso criamos o auxílio emergencial. Só o Rio Grande do Norte foram R$ 6 bilhões para o auxílio. Nós gastamos com o auxílio emergencial o equivalente a 13 anos de bolsa família. Então é um governo que tem viés social bastante responsável. Caso contrário poderíamos ter problemas sérios no Brasil.” 

Economia
“Esse ano a previsão é crescer mais de 4%. Ano passado foi menos de 4%. Fomos um dos países que menos perdeu na economia, dada a política adotada por nós. O auxílio emergencial movimentou a economia e trouxe inflação também. A tendência é voltar para a normalidade tão logo o nosso programa de vacinação que, tirando os países que produzem a vacina, é o melhor e mais avançado do mundo. Então, acabando a questão da vacinação, esperamos que a economia volte à normalidade no Brasil.” 

Vacinação
“Eu serei o último da fila. Vou tomar a vacina que possa entrar no mundo inteiro. Não vou tomar essa vacina lá de São Paulo, que não está aceita na Europa nem nos EUA. Eu viajo o mundo inteiro. Preciso tomar uma que seja aceita no mundo inteiro.” 

Fundo eleitoral
“Vai ser menos que isso (R$ 5,7 bilhões). Vamos fazer o que a lei manda. Pegar o que foi dado em 2018, aplicar a correção monetária e sancionar isso daí. Vai dar menos da metade que foi aprovado.” 

Obras no RN 
“Estamos levando internet para todas as escolas no Brasil. Isso é com o ministro Fábio Faria. Obras é com Rogério Marinho. Já me comprometi com ele de passarmos quatro dias no Nordeste acompanhando essas obras. Ir mais uma vez em Jucurutu. É uma obra que começou em 1952 (barragem de Oiticica), falta 5% apenas e vai ser concluída este ano. Foram R$ 7,5 bilhões do meu governo para o RN. Muita coisa do Governo federal foi para lá além das vacinas. Agora, tem governador e governadora que fica se apropriando de obras de terceiros. Tratamos os governadores de forma homogênea.”

Fábio Faria e Rogério Marinho
“Fábio Faria quer uma coisa no Estado e parece que Rogério Marinho quer a mesma coisa. Não pode os dois. Quem sabe no final das contas a gente tira um par ou ímpar entre os dois,. mas sei que eles vão chegar a um bom entendimento porque é bom para o Rio Grande do Norte que esses dois continuem na política.”

Prioridade
“O grande mal do Brasil sempre foi a corrupção. Passei trinta anos dentro de Parlamentos. Todo ano de campanha, candidatos diziam que iriam combater a corrupção. Nós combatemos de verdade. Estamos há dois anos e meio sem notícia de corrupção, a não ser as fake news praticadas pela CPI do Fim do Mundo de Seu Renan Calheiro e Seu Omar Aziz. Sem corrupção, com menos recursos, produzimos mais. Os Correios deu lucro de um bilhão e meio de reais. Geralmente não dava lucro, era quase zero. A corrupção começou para valer [nos Correios] em 2004. O mensalão nasceu ali. Pega a Itaipu binacional, quase não investia. Mas investiu, no ano passado, quase R$ 2 bilhões e meio. A Petrobras, com todos os problemas, voltou a dar lucro. Apesar de estamos gastando R$ 20 bilhões para cobrir rombo do PT. Não mandamos mais dinheiro para fora do Brasil. Está para chegar às minhas mãos o que foi gasto com obras fora do país. O PT não deixou de cumprir obras em Angola, na Venezuela, em Cuba, na Bolívia. E nós estamos investindo dentro do Brasil. Mas não contamos com boa vontade de uma parte da imprensa, que só tem olhas para críticas e difamação no tocante ao governo.” 

Concluir obras
“É necessário o Bolsa Família. Estamos concluindo obras. É mais barato é econômico. Vamos concluir a transposição do Rio São Francisco. Uma das prioridades é ponte, que diminui o tempo da viagem e o custo. Tarcísio [Freitas, ministro da Infraestrutura] está para concluir a Ferrovia Norte-Sul.” 

Desafio
“Não é fácil ser presidente. O prefeito às vezes tem nove vereadores para conversar. Eu tenho 594 parlamentares para conversar aqui. Mas é uma missão.

Para onde estava indo o Brasil? Tinha corrupção desenfreada. Destruição dos valores familiares. Ataques à família o tempo todo. Uma deturpação o tempo todo. Aproximação com ideologias de esquerda que não deram certo em lugar nenhum do mundo. Então, assumimos o Brasil. E a briga com a imprensa não é de minha parte. Tinha uma despesa de R$ 2 bilhões por ano para propaganda oficial do governo. Reduzimos isso para mais ou menos 10% deste valor. Não é má vontade de minha parte, mas para ser aplicado em outros locais. Então, isso tudo acirra os ânimos do outro lado. Por exemplo, na CPI me acusam de corrupção, mas não compramos nem uma dose da Covaxin, não pagamos nem um real.” 

CPI
“Só Deus me tira daqui [do Palácio do Planalto]. Não vai ser com fake news, com mentiras ou com relatório já pronto. O que se pode esperar de Renan Calheiros? Olha o caráter dele. O que se pode esperar de Omar Aziz? De Randolfe Rodrigues? Não pode esperar nada deles. A intenção é só desgaste. E não acharam nada. Acusam de não ter comprado vacina no ano passado. E tinha vacina par vender no ano passado? A primeira dose foi aplicada no Reino Unido em dezembro do ano passado.” 

Consórcio Nordeste 
“Os senhores Renan Calheiros, Omar Aziz e Randolfo Rodrigues não querem apurar R$ 49 milhões que o senhor Carlos Gabas que é testa de ferro do Consórcio Nordeste gastou para comprar respiradores e não recebeu nem um sequer.” 

Visita ao NE
“Estarei nesta sexta-feira e sábado em Santa Catarina. A motociata é consequência de uma viagem de serviço. Fazemos reuniões com empresários, jovens, religiosos e, no dia seguinte, como já estamos na cidade, fazemos a motociata, um passeio de motocicleta. Tenho pedido no Brasil todo para fazer isto. Precisamos nos organizar, porque minha vida corre um risco muito grande. Precisa de uma engenharia que leva preocupação à minha segurança.”

Presidente aponta que ‘sistema eleitoral é violável’
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) compartilhou pelo Twitter documentos do inquérito da Polícia Federal que investigam o comprometimento de sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo o presidente, "o sistema eleitoral brasileiro foi invadido e, portanto, é violável". O inquérito foi cedido pela Polícia Federal ao deputado e relator da proposta de voto impresso na Câmara, Filipe Barros (PSL-PR), que disse se tratar de uma investigação em sigilo.

Segundo relata Bolsonaro, uma pessoa não autorizada teria tido acesso aos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre abril e novembro de 2018, época que antecedeu as eleições para presidente no País.

Em novembro do ano passado o TSE, apesar de confirmar a invasão no período citado, minimizou a relevância dos dados afetados, uma vez que se tratariam de informações antigas e, portanto, desatualizadas.

O presidente Jair Bolsonaro também voltou a fazer críticas contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, e a reforçar defesa à adoção do voto impresso nas eleições de 2022. Segundo o chefe do Executivo, a anulação das condenações ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocorreu para eleger o petista "dentro de uma sala escura do TSE". "Não podemos admitir isso", disse Bolsonaro em entrevista à Rádio 96 FM, de Natal (RN).
A
o afirmar que a defesa do voto impresso é para garantir "eleições limpas", Bolsonaro diz que já conta com o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), na pauta. "Temos Lira dizendo que o que o parlamentar decidir será executado, e obviamente vai contar com meu apoio também nessa proposta", comentou.

O chefe do Executivo repetiu as acusações feitas e vídeos mostrados na transmissão ao vivo realizada pelas redes sociais na quinta-feira (29). Apesar de insistir na tese de fraudes das urnas eletrônicas, um relatório da Polícia Federal, divulgado pela Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira (4), concluiu que um caso de suposta fraude em uma urna eletrônica em Morro Agudo (SP) - de que ao digitar o número 1, o equipamento acrescentava o 3 automaticamente - tratava-se de um problema físico no teclado e não de falha no software ou no sistema da urna.

"Quando se fala de internet não existe sistema seguro", insistiu Bolsonaro. No entanto, embora seja eletrônica, a urna funciona de forma isolada, ou seja, não possui nenhum mecanismo que possibilite sua conexão a redes de computadores, como a internet

Ciro toma posse e destaca ‘economia no prumo certo’
O presidente Jair Bolsonaro ressaltou, ontem, durante a posse do senador Ciro Nogueira (PP-PI) como ministro-chefe da Casa Civil, que a chegada do novo integrante do primeiro escalão do governo reflete um desejo seu de se aproximar do Congresso. Em seu discurso, Bolsonaro afirmou que governo federal e congressistas constituem um só poder. “A chegada do Ciro Nogueira é uma demonstração de que queremos cada vez mais aprofundar o relacionamento com o Parlamento. E não é a primeira vez que eu digo que Legislativo e Executivo são um só poder”, disse.

Bolsonaro disse que a relação entre seu governo e o Congresso é “extremamente pacífica, salvo alguns senões”. O senador Ciro Nogueira na Casa Civil reforça a articulação do Planalto com deputados e senadores, na tentativa de emplacar a aprovação de pautas governistas no Congresso.

Em seu discurso de posse, Ciro Nogueira disse que “teria sido mais fácil” recusar o convite, “mas não teria sido mais certo”. Em sua fala, defendeu a democracia como algo “líquido e certo”. “[Com] a minha presença, me somando a essa equipe de ministros e ministras, vamos ajudar o Brasil a dar sinais certos para onde estamos indo. O primeiro deles, e não tenha a menor dúvida, a democracia é líquida e certa. E é por ela que eu estou aqui. Para cuidarmos dela, zelarmos por ela”, disse.Ciro Nogueira afirmou que faz parte do seu dever como ministro conduzir o país às eleições do ano que vem. 

“Temos agora, até o final do atual governo, um período que conduzirá às eleições de 2022. E é nosso dever preparar o país para chegar às eleições da forma certa, com a economia no prumo certo, com a política ajustada da maneira certa, com a vacinação garantida e certa para todos os brasileiros”.










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